Japan House traz para São Paulo o Japão contemporâneo

A proposta do espaço que abre ao público no sábado (06) é apresentar aos brasileiros o Japão do século XXI aprofundando a relação entre as duas culturas

Projeto Flower Messenger de Makoto Azuma em frente à Japan House (Divulgação/Japan House)

Fugir dos estereótipos quimono, origami e luminárias de papel, apresentar aos brasileiros o Japão contemporâneo, aprofundar a fértil relação entre Japão e Brasil e estabelecer-se como um novo modelo de interação cultural são os objetivos da Japan House, o novo espaço de cultura, gastronomia e tecnologia instalado no número 52 da Avenida Paulista, em São Paulo (SP).

(Rogério Cassimiro/Japan House)

Na coletiva de imprensa que aconteceu hoje (02), ficou clara a intenção da equipe por trás desse grande projeto de tornar o local um espaço vivo de trocas, uma plataforma de comunicação e contato entre a cultura daqui e de lá. É estreitar a distância física que separa os dois países. “A Japan House pretende ser um local flexível e diversificado, dinâmico e ativo. Não é apenas um edifício com diversas atividades, nosso objetivo é que seja um local de criação de novas ideias e estabelecimento de novas relações”, disse Naoto Nakahara, Diretor de Comunicação do Ministério das Relações Exteriores do Japão.

Loja Japan Madoh (Rogério Cassimiro/Japan House)

A Japan House é um projeto global do governo japonês que pretende ainda abrir filiais em Londres e Los Angeles. A unidade paulistana fica a cargo da presidente Angela Hirata e conta com espaços para biblioteca, exposições, lojas, restaurante, café e workshops distribuídos em seus 2500 metros quadrados. Já estão instalados ali o imi Café, o restaurante JUNJI SAKAMOTO, comandado pelo premiado chef nipo-brasileiro Jun Sakamoto, a loja Furoshiki com itens tradicionais japoneses como os famosos lenços para embalar presentes e a Japan Madoh, que apresenta a curadoria de produtos de design, moda, alimentos e bebidas vindos do Japão. Ainda este ano será possível conferir uma popstore da loja Muji e outra da Beams Japan.

Fachada com Hinoki e Cobogós (Rogério Cassimiro/Japan House)

O arquiteto Kengo Kuma foi o responsável por trazer a sutileza da arquitetura japonesa para o local em um projeto que contou com a parceria do escritório paulistano FGMF. A fachada do local foi executada por uma equipe de cinco artesãos especializados na arte de encaixes da madeira Hinoki, uma espécie de pinheiro nativo do Japão plantado por japoneses na província de Gifu há mais de cem anos. O painel está ao lado de um paredão inspirado no cobogó brasileiro.

Exposição “Bambu – Histórias de um Japão” (Rogério Cassimiro/Japan House)

Marcello Dantas é o curador responsável por traduzir a cultura japonesa contemporânea em exposições e uma série de atividades com workshops e palestras programadas para acontecer no local. “Se eu fosse apresentar o Brasil para os japoneses, eu teria que falar sobre Saci-Pererê, Macunaíma e antropofagia. O meu trabalho na Japan House é trazer o Saci deles para o Brasil”, diz Dantas. E ele pretende fazê-lo de forma sublime. “A cultura japonesa valoriza o silêncio, se mostra através de atitudes sublimes, sem grande alarde”, explica o curador. E é com isso em mente que o bambu foi escolhido para ser o destaque da primeira exposição do local. O material simples é como um ingrediente secreto, um protagonista silencioso da cultura japonesa. “O bambu é onipresente. A cerimônia do chá, por exemplo, é impossível sem ele. O bambu está lá, mas ele não fala alto”, acrescenta.

Obra de Chikuunsai IV Tanabe com cinco mil tiras de bambu sem nenhuma estrutura complementar ou cola (Rogério Cassimiro/Japan House)

Na exposição “Bambu – Histórias de um Japão” é possível descobrir vários fatos curiosos e usos diversos envolvendo a fibra, e apreciar esculturas criadas pelos artistas Chikuunsai IV Tanabe, Hajime Nakatomi, Shiego Kawashima e Akio Hizume. Até o final do ano, a Japan House receberá mais oito exposições, além de eventos e workshops. A arquitetura e design serão temas bastante explorados e nomes como Kengo Kuma, Sou Fujimoto e Shunji Yamanaka receberão destaque.

Projeto Flower Messenger de Makoto Azuma (Divulgação/Japan House)

A chegada da Japan House promete uma série de ações que não se limitam à fronteira física do local. O projeto Flower Message do artista Makoto Azuma é um exemplo disso. Até o dia 07 de maio, a ação percorre locais icônicos da cidade como a Estação da Luz, a Pinacoteca, a Catedral da Sé, o Bairro da Liberdade e a Avenida Paulista espalhando jardins efêmeros por meio de trinta ciclistas voluntários. Um jardim japonês projetado também por Kengo Kuma deve ser levantado na Praça Oswaldo Cruz nos próximos meses.

Restaurante Junji Sakamoto (Rogério Cassimiro/Japan House)

Para celebrar a inauguração do local, a Japan House promove um concerto gratuito no Auditório Ibirapuera com os músicos Jun Miyake, conhecido pela trilha sonora do documentário Pina, e Ryuichi Sakamoto, que homenageará Tom Jobim – responsável por sua paixão pela Bossa Nova. O show acontecerá no dia 07 de maio às 18h.

Loja Furoshiki (Rogério Cassimiro/Japan House)

 

(Divulgação/Revista CASA CLAUDIA)

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