Desconexão manual: um refúgio ao caos urbano

Luciana Soga, editora de arte, conta a história de pessoas que vivem na cidade e usam o trabalho manual como válvula de escape

A artista Nicole Toldi disse à CASA CLAUDIA: “Ter o estúdio tão perto me permite uma rotina livre e orgânica. Faço tudo aos poucos, entre uma tarefa doméstica e outra”. Suas porcelanas são delicadas e finíssimas mas muito resistentes. (Renato Navarro/Revista CASA CLAUDIA)

Mais essência, menos artificialidade
Mais tempo, menos ansiedade
Mais silêncio, menos compromissos
Mais raiz, menos fugacidade
Mais leveza, menos excesso

Refeições rápidas, agenda de compromissos lotada, trânsito, metas a serem cumpridas, prazos apertados, dias inteiros dentro do escritório, iluminação fria e todos os processos do trabalho transferidos para o computador. Em contrapartida a todos esses excessos e urgências do nosso mundo moderno, cresce a vontade de muitos por retornar às raízes, levar uma vida mais silenciosa e leve. E as artes manuais funcionam como um bom refúgio para os que anseiam por mudanças do cotidiano.

Amostra de cores, diferentes texturas e materiais de tecidos do Ateliê Flavia Aranha. (Divulgação/Flavia Aranha)

“Estamos entrando no momento em que a cultura local e os valores de cada um moldarão as escolhas das pessoas. O sonho americano de que consumo abundante é indicador de vida plena não serve mais de modelo para o mundo”, afirmou Anne Lise Kjaer, especialista em tendências Kjaer Global (Anuário de Tendências da CASA CLAUDIA #1)

Essa coluna será uma experiência sensorial que percorrerá histórias instigadoras de personagens que mergulharam no universo dos processos manuais em prol do respeito ao tempo das coisas. O sentir das texturas da natureza, como a madeira, a cerâmica, as fibras, em vez de sentir as superfícies frias dos aparelhos eletrônicos é como um banho de mar para um beduíno. É uma parte que muitas vezes nos falta, decorrente da dualidade entre a nossa vida urbana deliciosamente conturbada e a constante busca pela aproximação à natureza. E como manter equilíbrio entre as duas pontas?

Heloísa Galvão disse à CASA CLAUDIA: “Gosto de maleabilidade da porcelana e de de sua capacidade de se tornar quase transparente”. (Renato Navarro/Revista CASA CLAUDIA)

Esta mistura entre tradição versus contemporâneo, cidade versus natureza não é exclusiva do design. O grupo musical Coutto Orchestra (que me foi apresentado pela querida editora visual Zizi Carderari) faz um mix entre a inspiração nas raízes nordestinas com batidas modernas para as suas composições. Enjoy!

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