Décor high-tech: as tecnologias que vão democratizar o design

Impressoras 3D e outras máquinas supermodernas prometem deixar móveis e objetos bacanas mais acessíveis

Imprimir uma cadeira ou um objeto de décor ainda é uma possibilidade remota para a maioria das pessoas. Por enquanto, a novidade está restrita a pequenos estúdios e a laboratórios experimentais chamados de Fab Labs. À frente desse movimento, designers, arquitetos e estudantes (agora conhecidos como “makers”) vêm pesquisando e compartilhando arquivos de design construídos com duas técnicas. Quando o material é depositado sobre ele mesmo, como na impressão 3D, o processo é conhecido como aditivo. Já quando as máquinas esculpem blocos em três eixos até alcançar o formato tridimensional, ele é subtrativo.

(Reprodução/Revista CASA CLAUDIA)

“A impressão 3D é o início da Terceira Revolução Industrial. Diferentemente do que aconteceu nas duas últimas (no século 18, com a indústria têxtil, e no século 20, com a linha de montagem de Henry Ford), ela não vem para massifcar, mas para humanizar a massifcação”, diz Victor Paixão, arquiteto do estúdio Pax.Arq.

Movimento Maker

Enquanto na arquitetura as técnicas de fabricação digital se restringem ao meio acadêmico ou a projetos pontuais (como nas casas impressas
na China e na Rússia por braços robóticos que depositam camadas de concreto), no universo do design esse ritmo é mais intenso e abrangente.
As pesquisas são compartilhadas e boa parte dos arquivos de design está aberta, disponível na internet.

Mesa Sedona, recortada em metal, é obra do designer finlandês Janne Kyttanen (Divulgação/Revista CASA CLAUDIA)

Além disso, as impressoras 3D e as máquinas fresadoras compactas estão cada vez mais acessíveis. “A democratização das técnicas possibilita não só que o profissional fabrique suas próprias peças mas também que qualquer pessoa produza por meio de softwares e arquivos gratuitos”, explica Henrique Stabile, arquiteto e designer mestre pela FAU-USP.

“A indústria vai continuar existindo, necessitando do designer e produzindo em escala. Mas esse profissional possui um caminho extra, com domínio total do processo, e pode fazer uso dele a seu favor”, complementa Heloisa Neves, professora do Insper e cofundadora do makerspace We Fab, em São Paulo. Em resumo, a força do movimento está em qualquer um poder fabricar suas ideias.

Os pendentes Afilia, do designer italiano Alessandro Zambelli, têm cúpulas impressas em poliamida (Divulgação/Revista CASA CLAUDIA)

“O maker não precisa ter formação prévia nem ser conhecedor do assunto”, diz a arquiteta Rebeca Duque Estrada, que estuda as novas tecnologias na Universidade Humboldt, de Berlim. Ou seja, para começar, basta encontrar um Fab Lab (laboratório de fabricação) para ter acesso aos equipamentos. Espalhados por grandes cidades em todo o mundo, eles têm impressoras 3D, máquinas cortadoras e fresadoras e costumam abrir para uso público num dia da semana.

“Neles, a impressão custa pouco e é possível aprender a usar as tecnologias”, conta a designer Andrea Bandoni, coordenadora da pós-graduação do IED-SP e implementadora dos primeiros Fab Labs paulistanos. Quer ser um maker? Comece imprimindo uma peça de design aberto, como esta abaixo.

Formas versáteis

Além da nova maneira de produzir e consumir design, há o encantamento com o resultado estético de cada criação. “Existem formas que só podem ser geradas por essas máquinas, impossíveis de serem feitas artesanalmente”, diz o arquiteto e designer Guto Requena, autor da cadeira Nóize, primeira peça de design brasileira feita em escala 1:1 em impressora 3D. “Escaneei a cadeira Girafa, desenhada por Lina Bo Bardi, coletei o áudio do centro de São Paulo e misturei os dois arquivos. Consegui uma distorção que reproduz a cacofonia urbana”, conta.

Desenho do vaso italiano Libero Rutilo sai por 10 euros no site designlibero.com (Divulgação/Revista CASA CLAUDIA)

Luminária Kayan, criação da Plumen e da Formaliz3d, tem bulbo impresso em plástico ABS (Divulgação/Revista CASA CLAUDIA)

“A possibilidade de explorar outras formas por meio da impressão 3D é o que mais nos entusiasma”, diz Pablo Herzog, designer do
Cusco Studio. Sem contar que as fresas abrem mais caminhos para os profssionais. “A maioria das impressoras fabrica objetos de até 20 cm. Já
a fresadora CNC corta chapas para móveis em minutos”, diz Henrique Stabile. E os cortes e encaixes, de tão precisos, podem dispensar colas e parafusos na montagem. Mais uma vantagem da nova tecnologia.

(Reprodução/Revista CASA CLAUDIA)

Brasil em Milão

Lançadas na Rio+Design Milão 2017, três peças desenvolvidas em território nacional fizeram sucesso no Fuori Salone deste ano. A Freeze, luminária assinada pelo designer Ricardo Saint-Clair, foi impressa em metal. “O aço inox é adicionado camada a camada, seguindo fielmente
o desenho original em 3D. Depois são aplicados acabamentos tradicionais, como galvanoplastia e polimento”, explica.

Cadeira Elbo, produzida pela Autodesk, apresentada na Semana de Design de Milão 2017 (Divulgação/Revista CASA CLAUDIA)

Já a Elbo Chair, criada pelos pesquisadores Arthur Harsuvanakit e Brittany Presten, é construída com dez peças de nogueira, esculpidas
por uma fresadora CNC. A diferença? O formato orgânico é garantido por uma modelagem algorítmica. Além de resultar num desenho interessante, a tecnologia otimiza o consumo de material, o peso do produto e a ergonomia. Por fim, o laboratório Next, da PUC-Rio, um Fab Lab acadêmico, apresentou um projeto inédito no Brasil, de impressão 3D em cerâmica, desenvolvido em parceria com a ceramista Alice Felzenszwalb.

Luminária Freeze, da Diálogo Design, apresentada na Semana de Design de Milão 2017 (Divulgação/Revista CASA CLAUDIA)

(Divulgação/CASA CLAUDIA)

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