Arquiteto diz que primeira casa modernista do mundo é brasileira

Em entrevista ao El país, o britânico Kenneth Frampton revelou que a primeira casa modernista foi construída no Brasil

“Deixamos de lado uma grande parte do mundo. Que você não conheça não quer dizer que não exista”, diz o arquiteto britânico Kenneth Frampton para o El País. Anos atrás, quando tinha 50 anos, o profissional lançou o livro “História crítica da arquitetura moderna”, que já foi traduzido para 11 idiomas. Hoje, aos 86 anos, o arquiteto, que vive em Nova York há mais de cinquenta anos, acredita que as mudanças na vida obrigam correções no conteúdo do livro.

Casa Modernista da rua Santa Cruz, de Gregori Warchavchik, em São Paulo (Reprodução/Blogspot Holodeck)

“Na revisão mais recente, não quero apresentar um mundo eurocêntrico: a arquitetura da China, da Índia ou da África também fazem parte do planeta”. Ao ser questionado pelo El País sobre como se completa uma visão planetária e de quanto distanciamento é preciso para se escrever a história de uma disciplina, ele responde: “É necessária a convicção de que você viu coisas que merecem ser contadas. E a humildade para deixar claro que o que você conta não é nunca a história. É a sua história.”

Frampton conta ao jornal que procurou conhecer todos os edifícios de que fala. “Quando visitei o arquiteto de Bangladesh Kashef Chowdhury, conheci o talento de sua ex-mulher, Marina Tabassum. A história da arquitetura moderna está cheia de uniões de pessoas com grande talento que acabam em divórcio. A atenção se concentrou em um só dos lados, mas chegou o momento de exaltar muitas dessas mulheres”, diz. Na entrevista, também frisou a importância em se prestar atenção em quem tornou as coisas possíveis, como o imigrante russo Gregori Warchavchik que trouxe a modernidade para o Brasil e ergueu em São Paulo a primeira casa modernista. Le Corbusier chegou 10 anos mais tarde.

Frampton considera a modernidade um projeto inacabado. “Em Nova York, um arranha-céu é construído depois do outro. E são construções anódinas. Irrelevantes culturalmente. Só representam o mercado. Não há significado nem simbolismo. Chama-se especulação e é a rainha de nossos dias. Não sei quando isso vai parar. Mas me nego a aceitar que isso seja uma herança do Movimento Modernista. Não é arquitetura. É só dinheiro”, falou ao El País.

Leia a entrevista completa que o arquiteto deu para o El País.

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