Em SP, casa para um surfista com acervo de arte popular

O amor pela arte brasileira definiu os detalhes deste projeto paulistano

Na parede, matrizes de xilogravuras de J. Borges. Mesa de Fernando Rodrigues da Silva, da Ilha do Ferro (AL). (Marco Antonio/Revista CASA CLAUDIA)

O surfista e empresário Alfo Lagnado, de São Paulo, conheceu o Brasil de norte a sul em busca de ondas perfeitas. Em suas viagens pelo país, costumava comprar peças locais para trazer como lembrança dos lugares que visitava. “Na convivência com os moradores de diversos vilarejos, acabei me envolvendo com o jeito simples de viver do brasileiro. A partir daí, fiquei muito interessado pelo tipo de arte, meio instintiva, que eles faziam”, explica. Até então, Alfio não tinha a intenção de ser um colecionador.

Quadros de Rubem Valentim e esculturas sobre a mesa de Agnaldo dos Santos. No chão, peças de Chico Tabibuia (à esq.) e Benedito (à dir). (Marco Antonio/Revista CASA CLAUDIA)

Foi somente durante a Mostra do Redescobrimento: Brasil +500, montada nos pavilhões do Parque do Ibirapuera em 2000, que ele percebeu a real importância do acervo de arte popular que já possuía em casa. “Quando vi a capa do catálogo, com peças de vários lugares do país, concluí que tinha cerca de 30% daquelas obras e que tudo aquilo era mais importante do que eu imaginava”, conta.

Alfio com carrancas do mestre Guarany e, sobre a mesa, escultura vermelha de Manuel Graciano. (Marco Antonio/Revista CASA CLAUDIA)

Depois disso, o empresário se aprofundou nos estudos do tema e começou a buscar informações com pessoas especializadas, como o marchand Roberto Rugiero. Apesar da orientação profissional, Alfo continuou seguindo seu olhar e comprando apenas peças de que realmente gostava. Hoje, seu acervo conta com nomes mundialmente reconhecidos de nossa arte popular, a exemplo de Véio, Djanira e J. Borges. E, como seu acervo continuou crescendo, muitas peças não ficam expostas o tempo todo – boa parte delas permanece guardada em um galpão.

À esquerda, parede com ex-votos e, à direita, telas criadas por artistas como Xico da Silva, Carybé e Djanira. (Marco Antonio/Revista CASA CLAUDIA)

Na mesma época da exposição, Alfo se divorciou e precisou se mudar. Foi a chance de planejar uma casa com espaço suficiente para expor a coleção. “As obras são grandes e minha ex-mulher não gostava muito de entulhar os ambientes. Minhas peças de arte popular ficavam restritas a um quartinho”, conta. Enquanto o arquiteto e amigo Gui Mattos desenhava a planta, Alfo decidiu aproveitar o tempo livre para ampliar a coleção.

À esquerda, esculturas de Zé do Chalé. À direita, peças criadas pelo artista Nino. (Marco Antonio/Revista CASA CLAUDIA)

Assim, com o acervo em fase de crescimento, as obras passaram a ter forte influência nas decisões do projeto. “Apesar de querer ambientes integrados, pedi ao Gui que previsse algumas paredes onde eu pudesse pendurar os quadros”, conta. As áreas de circulação são largas para acomodar as esculturas de madeira e cerâmica, que estão por toda parte.

À esquerda, sobre a mesa, esculturas de Bento de Sumé. Próximo à janela, obras de Resendio José da Silva e Ulisses Pereira. À direita, leões de Nuca de Tracunhaém e, ao fundo, escultura de Artur Pereira. (Marco Antonio/Revista CASA CLAUDIA)

Certas peças possuem um lugar cativo no décor – nunca saem de cena –, e outras vêm e vão. “Os espaços são mutantes. Gosto de interagir com as obras. Então costumo fazer um rodízio entre elas”, explica. Nessa decoração, os móveis funcionam como coadjuvantes ou base de apoio e exibem linhas sóbrias. Tudo para deixar a arte brilhar.

Banco indígena da etnia mehinaku. (Marco Antonio/Revista CASA CLAUDIA)

(Divulgação/CASA CLAUDIA)

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