Um tour pela casa do designer Marcel Wanders em Amsterdã

Criador de universos fantásticos, o designer à frente da Moooi é dono de um décor moderno, sofisticado e cheio de personalidade

“Minha missão é criar um ambiente de amor, viver com paixão e fazer sonhos se tornarem realidade”, diz o designer. (Divulgação/Revista CASA CLAUDIA)

Extravagante, sensível e um dos designers mais solicitados do planeta, Marcel Wanders arrasou na Semana de Design de Milão com sua marca, a Moooi, e depois nos concedeu uma entrevista exclusiva. Confira:

Marcel Wanders é um personagem digno do universo que você criou?

Espero que meu trabalho seja significativo e eu seja merecedor dele. Ao contrário, talvez, de outros designers, se desenho uma xícara de chá, não é no mercado de xícaras de chá que quero causar impacto, é no coração das pessoas. Eu também, como pessoa, faço parte do meu design. Então tento desenhar a mim próprio da melhor forma que posso.

O que levou em conta para decorar a sua casa?

Tudo foi tão cuidadosamente escolhido e posicionado que é mais do que um espaço. É uma entidade com caráter próprio. Expressa a minha personalidade.

Na sala de jantar, o painel Secret Garden, da artista Femke Hiemstra, representa cena de Alice no País das Maravilhas. A obra foi feita com pastilhas vitrifcadas da Bisazza. Cadeiras Monster e Carbon (Moooi), Carved (coleção Personal Editions, de Marcel Wanders) e Troy (Magis). Pendente Sparkling (Flos). (Divulgação/Revista CASA CLAUDIA)

Referências do passado são evidentes no seu trabalho. Como incorporá-las sem ser alegórico?

Para os modernistas, o passado era irrelevante para criar o futuro. Não concordo. Não quero um mundo onde as coisas que fazemos hoje sejam irrelevantes amanhã. Vivemos numa sociedade do “jogar fora”, e  isso me parece um problema psicológico. Modestamente, tento reverenciar o passado para que assim meu trabalho faça parte de algo muito maior do que ser apenas moderno. Talvez assim resista ao tempo.

Junto da mesinha Urbanhike (Moooi) e do aparador Richard Woods, poltronas Mad Chair, desenhadas por Wanders para a Poliform. (Divulgação/Revista CASA CLAUDIA)

Você diria, então, que sua obra é pós-moderna?

É antimodernista com certeza, mas acho que há muito mais nela do que ser pós-moderna. De lá para cá, entendemos que somos seres humanos, que há amor e ódio em nossa alma e que as coisas que realmente importam não são racionais, são apenas humanas. Misteriosas, místicas e inexplicáveis. Existe tanto além do pós-modernismo que eu chamaria nossa época de Renascença Contemporânea do Humanismo. É nesse contexto que vejo minhas criações.

Para contrastar com o painel exuberante, peças com visual cool: sofá Zliq Island branco e mesa lateral de mármore carrara Bassotti (ambos da Moooi). (Divulgação/Revista CASA CLAUDIA)

A funcionalidade tem peso na sua obra?

Foi extremamente supervalorizada pelos modernistas. Não que não seja importante. Mas pense nas coisas que realmente amamos. Nelas, a funcionalidade não é relevante. Saltos altos? Árvores de Natal? Aquele pequeno gato de cerâmica no parapeito da janela? As coisas que amamos não são nada funcionais. São como filhos. Nós simplesmente as amamos. E por que o aspirador de pó tem que ser muito funcional? Eu não dou a mínima para o aspirador de pó. Basicamente, eu nem quero ter um. Eu nem queria ter de limpar a casa! (risos) Então, objetos funcionais têm que ser realmente muito eficientes porque gostaríamos é que eles sumissem! Se o designer acha que fez um grande trabalho criando um produto funcional, vou dizer uma coisa: ele simplesmente satisfez o mais baixo padrão do design. Abaixo não há nada nem que valha a pena mencionar. Acima, sim, está a oportunidade de ser realmente importante para as pessoas.

À esquerda, criada pelo morador para a Bisazza, a banheira foi inspirada nas formas clássicas de um sabonete. O pendente de cerâmica, da série Personal Editions, celebra tradicionais luminárias holandesas. A parede da suíte foi revestida de matelassê de couro. À direita, sobre a penteadeira da coleção New Antiques, desenhada por Wanders, vasos da coleção Delft Blue (Moooi). (Divulgação/Revista CASA CLAUDIA)

Recentemente você declarou que vive muito bem apenas com uma mala de roupas. Você pensa em morar em outro lugar? Como será sua casa quando desacelerar?

Viajo muito e é ridículo ter uma casa tão grande como essa. Agora estou solteiro e desejo trocá-la por outra menor. No longo prazo… Puxa, você falou em eu me aposentar e isso é uma ideia muito estranha para mim. Só penso no que quero hoje. Mas acho que será lindo ter uma casa onde caibam a minha história, as minhas lembranças, mas não sou do tipo colecionador. Quero ter uma vida simples. Na verdade, penso mais na localização do que na morada em si. Sou um nômade. Um nômade que tem uma casa.

Então, nem pensar em uma “poltrona do papai”? (risos)

Sabe que isso é um problema para mim? As pessoas estão sempre querendo me colocar em poltronas, e eu não quero! Marcel Wanders não senta. Ele corre! Marcel Wanders corre.

No hall, paredes e teto receberam uma colagem de folhas de jornal. As luminárias Wallfower são da Flos. Cadeira de Sjoerd Vroonland (Moooi) e gaiola vintage de bronze da coleção pessoal do designer. (Divulgação/Revista CASA CLAUDIA)

(Divulgação/CASA CLAUDIA)

Comentários
Deixe um comentário

Olá, ( log out )

* A Abril não detém qualquer responsabilidade sobre os comentários postados abaixo, sendo certo que tais comentários não representam a opinião da Abril. Referidos comentários são de integral e exclusiva responsabilidade dos usuários que escreveram os respectivos comentários.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s