Em mostra no MAM Rio, artista mineiro traz reflexão sobre memória

Radicado fluminense, Matheus Rocha Pitta realiza no foyer do museu um “monumento funerário”, com lápides que relembram histórias de violência no estado

No dia 3 de março de 2018, o artista mineiro Matheus Rocha Pitta, reconhecido internacionalmente por seus trabalhos com caráter crítico e de implicações éticas, realiza sua primeira exposição no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Com curadoria de Fernando Cocchiarale e Fernanda Lopesmemória menor é o título da seleção de obras , e não é à toa – a mostra propõe uma reflexão sobre a memória e como o passado pode de fato repercutir no presente e no futuro, e não ser apenas esquecido em páginas de revistas que uma vez chocaram o público.

Estela # 07 (Amarildo), 2013
Recorte de jornal, concreto e embalagem de cimento
180 x 100 x 5 cm

Estela # 07 (Amarildo), 2013
Recorte de jornal, concreto e embalagem de cimento
180 x 100 x 5 cm (Divulgação/MAM Rio de Janeiro)

Utilizando três estelas, termo usado na arqueologia para definir monolíticos, nos quais eram cravadas esculturas em relevo ou textos, Rocha Pitta faz uma montagem sobre suas superfícies relembrando três eventos violentos dos últimos cinco anos de história do Rio de Janeiro: o desaparecimento do ajudante de pedreiro Amarildo Dias de Souza na Favela da Rocinha (2013), o adolescente negro acorrentado a um poste (2013), e um rapaz vestindo o símbolo de identificação da polícia depois de ser detido – que será apresentada somente no dia do evento.

Estela # 12 (gola), 2014 Recorte de jornal, concreto, vidro e aço inoxidável 180 x 100 x 5 cm

Estela # 12 (gola), 2014 Recorte de jornal, concreto, vidro e aço inoxidável 180 x 100 x 5 cm (Divulgação/MAM Rio de Janeiro)

O processo de elaboração do trabalho surgiu a partir da observação do restauro de sepulturas antigas e danificadas em um cemitério em Belo Horizonte: as famílias não podem arcar com lápides de granito ou mármore, e encomendam tampas de concreto. Nos quadros do artista, com 1,80 metros de altura e 1 metro de largura cada, a técnica de construção é semelhante – ele utilizou recortes de jornais com as respectivas notícias como base para receber o cimento. Após secar, as folhas se mantém como gravuras. “Pode-se dizer então que usei um procedimento que nasceu de um contexto funerário, arqueológico. Trata-se de um monumento-funerário”, afirma Rocha Pitta.

A mostra ficará em cartaz no MAM Rio até dia 22 de abril de 2018. Visite o site oficial do MAM Rio para mais informações.

SERVIÇO

memória menor

Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro – Av. Infante Dom Henrique, 85 – Parque do Flamengo

Data: De 3 de março a 22 de abril de 2018

Horários: De terça a sexta, das 12h às 18h. Sábado, domingo e feriado, das 11h às 18h.

 (Divulgação/CASA CLAUDIA)

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