Conheça a trajetória de Iris Apfel como decoradora

Antes de ser uma lenda da moda, ela ficou conhecida no mundo da decoração ao criar revestimentos icônicos.

Pouca gente sabe, mas a trajetória fashion de Iris Apfel, hoje com 96 anos, começou no mundo da decoração. Isso mesmo: a musa da moda, que ficou imortalizada por seus looks excêntricos (e ainda assim elegantíssimos) iniciou sua carreira como decoradora. Seu grande triunfo logo no começo foi firmar a empresa de papéis de parede icônicos, a Old World Weavers (Tecelões do Velho Mundo), em Nova York, ocupando um nicho de mercado pouco explorado na época.

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(Divulgação)

Tudo começou quando, ao realizar uma reforma comum, ela não encontrou o tecido ideal para combinar com o espaço planejado, mandando então fabricar a estampa dos sonhos na empresa do pai de uma amiga. O revestimento fez tanto sucesso que decidiram abrir uma empresa, na qual seu marido Carl também sempre teve participação. “Fizemos reproduções exatas de tecidos dos séculos 17, 18, 19 e começo dos 20. Eu fazia o possível para ter reproduções fiéis”, conta ela no documentário Iris, que está disponível na Netflix.

Seu grande segredo de sucesso, tanto em sua empresa quanto em seu estilo, foi confiar na individualidade. “Eu gosto de individualidade. Tanto é perdido nos dia de hoje. Há tanta mesmice!”, declarou. Sem regras, ela seguia seu instinto para construir o mundo à sua volta.

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(Old World Weavers/Divulgação)

E deu certo. Os revestimentos e estampas estavam nas melhores casas do país, assim como seu toque de decoradora. Até mesmo a Casa Branca, durante o mandato de nove presidentes (entre eles os Kennedy) teve reformas coordenadas por ela. A Casa do Estado, em Mississipi, e museus ao redor do EUA também ganharam algumas de suas estampas, já que ela era conhecida como uma das mulheres mais elegantes e com boas referências do ramo.

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O estilo icônico de Iris (Netflix/Divulgação)

Eu tinha clientes muito interessantes. Como eles queriam coisas exclusivas, viajava em função disso“, conta ela, que ia para a Europa duas vezes por ano (o que era uma raridade na época), e, a cada vez, voltava com um contâiner de 12 metros repleto de antiguidades e itens vintage para seus consumidores.  A companhia durou até 1992: 42 anos! E eles só deixaram de trabalhar nela porque ambos se aposentaram. Hoje a Stark, que englobou a marca, continua a vender alguns dos melhores hits do trio.

Quando pedem para que Iris explique porque gostava de criar ambientes recheados de peças, estampas e texturas, ela conta que foi uma mulher que viveu a adolescência quando os Estados Unidos passava por seu período de depressão econômica.

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Os anúncios da Old World Weavers eram clicados na própria casa de Iris (Old World Weavers/Divulgação)

Ela nasceu no Queens, em Nova York, estudou história da arte da New York University e, antes do estrelato, trabalhou como assistente de designers de interiores ganhando 15 dólares por semana. “Eu tinha senso de história, e percebi que tudo estava relacionado”, conta ela. “A política, a ciência, a economia e a moda são tudo parte da mesma coisa. Um vestido e uma casa são afetados pelo período.

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Um pouco da casa de Iris Apfel em NY (Netflix)

Tanto em seu trabalho quanto na forma como se veste, o que sobressai para Iris é a possibilidade de garimpar, de sair de casa, olhar o bairro, encontrar itens especiais durante as viagens e, assim eternizá-los. Em sua casa existem tantas bugigangas e cacarecos quanto as incontáveis pulseiras que ela carrega em seus braços para cima e para baixo. Mas sua governanta, Inez Bailey, afirma: “tudo que ela tem é especial.” Por lá, o clima de celebração é tanto que os enfeites de Natal ficam em casa entre 6 e 8 meses depois das festas!

Iris Apfel em seu apartamento, em NY (Instagram/Divulgação)

Mesmo com fama no comércio, ela só alcançou o estrelato — das capas de revista às colunas sociais — quando o museu de moda mais famoso do mundo, o Costume Institute, do Metropolitan Museum of Art, fez uma exposição sobre seu estilo. Por lá ficou claro que seu mundo de fantasia diário tinha um propósito. “A vida é triste e cinza, então é legal a gente se divertir quando se veste — e divertir as pessoas”, declarou na época. Faz todo o sentido.

 

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