Conheça Genesis: a obra de Sebastião Salgado

Sebastião Salgado revela Genesis: a fase mais recente da sua produção, fruto de oito anos de viagens em busca de cenários naturais intocados. Além de tema de um novo livro e de uma mostra mundial, em cartaz em Curitiba até abril, a obra do fotógrafo mineiro dá origem a um documentário recém-lançado dirigido por Wim Wenders.

‘Um fotógrafo é literalmente alguém que desenha com a luz. Um homem que escreve e reescreve o mundo com luz e sombra. Coloque vários deles em um mesmo lugar e eles tirarão sempre fotos diferentes. Cada um tem sua maneira de ver em função da sua história.” As frases de Sebastião Salgado são algumas das reflexões acerca de sua trajetória e de seu ofício reveladas ao longo do documentário O Sal da Terra. Apresentado pela primeira vez na França em outubro de 2014, o filme veio à tona em meio a outras celebrações que envolvem a fase atual da vida do fotógrafo, como a publicação do livro Genesis, pela editora Taschen, e a abertura de uma exposição homônima, que já passou por museus nos quatro cantos do globo. Até o dia 5 de abril, a mostra segue no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba. Dirigido pelo filho Juliano Ribeiro Salgado e pelo premiado cineasta alemão Wim Wenders, o fotógrafo mineiro aceitou revisitar, em frente às câmeras, passagens marcantes de sua obra. O longa-metragem, indicado ao Oscar na categoria de melhor documentário este ano, é como um mergulho em mais de 40 anos de carreira: do início, nos anos 1970, até Genesis, sua série mais recente, que, em suas próprias palavras, “fecha um ciclo de histórias”. Realizado ao longo da última década, num momento dedicado ao registro da natureza e de tribos que vivem em sintonia com ela, Genesis é apontado por ele como uma busca pela origem da vida. Para entender a importância do projeto Genesis na vida e na obra de Sebastião Salgado, é preciso retomar seus passos. Ele ficou conhecido por suas longas expedições a destinos pouco retratados. A ausência por meses e mesmo anos é abordada no documentário pelo filho, que vê o longa como uma oportunidade de retomar o diálogo com o pai. As viagens resultaram em compilações premiadas, entre elas Terra (1997), que revela registros de trabalhadores rurais, sem-terra, crianças e outros grupos excluídos, e Êxodos (2000), com cenas da humanidade em trânsito em mais de 40 países. Depois de décadas acompanhando injustiças e atrocidades causadas pelo homem, especialmente na África, como o genocídio em Ruanda, Sebastião confessa no longa que começou a sentir-se doente, profundamente marcado pelo que vira. Decidiu, então, retornar ao Brasil em 2001, e quando chegou à fazenda de seus pais, em Minas Gerais, teve outro choque: encontrou desértico o sítio antes coberto por mata Atlântica. Sua esposa, Leila Salgado, sugeriu que eles replantassem mudas para reverter o quadro – o que Sebastião viu com descrença na época. Após 14 anos e mais de 2 milhões de árvores plantadas, o local é hoje o Instituto Terra, uma organização exemplo de reflorestamento tocada por eles. E foi justamente esse contato com a força da natureza que trouxe esperança à alma do fotógrafo. A partir de 2004, as empreitadas em paisagens remotas, para registrar animais e cenários intocados pelo homem, representam sua nova luta: pela preservação do meio ambiente. 

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