Visita Guiada: casa dos anos 50 exibe elementos originais

Empenhados na aventura de reformar esta casa paulistana dos anos 1950, um psicanalista e um cabeleireiro mergulharam na alma e no look singulares da construção

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Eles moravam numa casa de vila, que haviam reformado com a cara e a coragem. Estavam contentes lá, mas com um senão: sentiam falta de uma piscina. Como bem sabe o psicanalista Eduardo Martins, o desejo move o mundo – e esse anseio por um lugar ao sol o colocou, ao lado do cabeleireiro Danilo Torres, em busca de um novo endereço. Antes, consultaram a arquiteta Fernanda Neiva, do escritório Galeria Arquitetos (ela tocava uma obra no sobrado vizinho), sobre a viabilidade de construir um tanque ali mesmo, no quintal. Diante do parecer dela, eles tiveram a certeza de que as futuras braçadas aconteceriam mesmo longe dali. Fernanda acompanhou a procura pelo imóvel e vibrou com os dois quando acharam essa pérola dos anos 1950. “A casa se encontrava em bom estado. Tinha passado por uma reforma recente, responsável por remover carpetes e pisos laminados, que escondiam o chão de tacos e o granilite, elementos originais da época”, conta. “Mas ainda havia muito o que fazer, como ampliar as aberturas e melhorar a conexão com a área externa”, prossegue ela.

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Marcante, o mosaico de tacos definiu a base para a decoração do living, que prioriza tons de cinza, a exemplo do sofá de Jader Almeida (Micasa). Um painel de freijó camufla as entradas do lavabo e da cozinha. Também recuperada, a escada, com degraus de mármore e corrimão de latão, exibe, orgulhosa, o estilo típico dos anos 1950.

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Duas grandes novas aberturas conectam a área social ao jardim dos fundos, que antes mais parecia um barranco. Nivelado ao térreo, ele agora acomoda a tão sonhada piscina. 

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Não há margem para dúvida: a estrela da sala de jantar é a luminária Vertigo, da francesa Constance Guisset. Com 2 m de diâmetro, a peça de plástico e fitas de cetim, comprada na França, lembra um móbile. Mesa da Clami e cadeiras da Dunelli. 

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Enquanto o espaço se transformava ao longo dos dez meses de obra, Eduardo e Danilo monitoravam os trabalhos. “Foi uma luta preservar o granilite do quebra-quebra. Por mais que a gente pedisse, a equipe não tomava nenhum cuidado. Era fundamental passar aqui duas vezes por dia”, conta o hair designer. Com olho clínico, ele separou luminárias, penduradores e até a porta de madeira da garagem para restaurar. E, no paralelo, se dedicou a pesquisar os móveis. “Eu passava as medidas máximas e eles se encarregaram de ir atrás”, fala a arquiteta. “Quando os moradores têm bom gosto e muitas referências, esse é o melhor dos mundos. Os ambientes ficam realmente com a cara deles.” A arqueologia seguiu em frente com a descoberta de sólidas paredes de tijolos, expostos no lavabo e na suíte. “Optamos por assumir a diversidade de materiais”, diz Fernanda Neiva. E essa escolha funcionou muito bem diante de uma decoração neutra e sem excessos. Como não poderia deixar de ser, o subconsciente também entrou em cena. “Sonhei que escavava o piso da sala e encontrava no subterrâneo um tesouro incrível”, relata Eduardo. Freud explica.

Na cozinha, preservou-se o piso de granilite, uma verdadeira joia com seu friso dourado e desenhos de folha. Onde antes havia paredes, o arremate usa ladrilho hidráulico verde. Os novos armários, desenhados pela arquiteta, empregam freijó e foram executados pela Marcenaria Almudena. Nas paredes, textura Mr. Cryl (Bricolagem Brasil).

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Aberturas novas, como esta, da cozinha para o pátio, seguiram o mote das já existentes e reproduziram os perfis de ferro. “Os vãos melhoraram a luminosidade no interior e a integração visual com o jardim”, explica a arquiteta.

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Com exceção dos gradeados que ladeiam a escada no térreo e no andar superior, toda a caixilharia recebeu pintura cinza-grafite. A intervenção no andar de cima previu a criação desta generosa suíte, na qual cortinas podem isolar os espaços de banho (há um painel de vidro fixo entre o boxe – revestido de seixos da Palimanan – e o quarto). O antigo portão de madeira da garagem faz as vezes de cabeceira. Almofadas do Empório Beraldin.

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