40 detalhes que tornam a casa brasileira única

Embora um bagalô à beira-mar na Bahia pareça ter pouco em comum com um apê paulistano, existem traços que se repetem na arquitetura e no décor

Das construções sobre palafitas de vilas ribeirinhas aos microapartamentos que se multiplicam nas grandes cidades, são muitas as faces do jeito brasileiro de morar. Por isso, pode soar ambiciosa a intenção de identificar pontos de contato entre tantas variáveis. Mas não impossível. Entre nossos entrevistados, houve até mesmo uma unanimidade: o amor pela cozinha. “Ela é o centro da casa brasileira”, diz o fotógrafo e arquiteto Tuca Reinés.

 (Henn Photography/Getty Images)

Não espanta que os projetos contemporâneos valorizem tanto esse espaço, com suas versões gourmet ou conectadas à área social. “A casa bandeirista já era integrada”, diz Miriam Lerner, diretora-geral do Museu da Casa Brasileira. Há mais de dez anos, a instituição faz, por meio do projeto Casas do Brasil, um levantamento das formas de morar no país. “Todo o design relacionado à cozinha é muito característico de nossa cultura”, conta. Moringas, gamelas, colheres de pau…

Gamela e colheres de madeira.

Gamela e colheres de madeira. (João Marcos Rosa/Revista CASA CLAUDIA)

De fato, esses itens povoam o imaginário – e o armário – da britânica Liz Calder, presidente da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Ela, que morou no Brasil nos anos 1960 e frequenta a cidade fluminense desde 2003, formou um bom acervo de arte popular, objetos e tecidos em viagens anuais. “Quando vim pela primeira vez, a arquitetura doméstica me chamou a atenção. Havia muito mais imaginação e estilo do que nas casas inglesas e norte-americanas. A combinação da herança colonial com a estética moderna é única”, afirma. “Sem falar da vegetação luxuriante, que tento cultivar em meu jardim, infelizmente sem tanto sucesso”, conta ela, que vive na Inglaterra.

Projeto da paisagista arquiteta Catê Poli.

Projeto da paisagista arquiteta Catê Poli. (Renato Navarro/Revista CASA CLAUDIA)

As aventuras paisagísticas de Liz remetem ao fator que talvez mais dê as cartas no desenho da casa brasileira: o clima. Está certo que ele varia bastante de região para região, mas o sol é generoso em todas elas e se traduz em natureza exuberante e elementos como beirais largos – que, por sua vez, dão origem a varandas – e outros recursos para regular a entrada de luz e ventilação. “Mesmo na cidade, a natureza impacta as construções. Isso, aliado a certa resistência à linguagem puramente europeia, faz da casa brasileira verdadeiramente brasileira”, conclui o arquiteto Mauro Munhoz.

 (Divulgação/CASA CLAUDIA)

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