Sou Fujimoto: “Você não deve ficar preso à ideia de tamanho”

A arquitetura futurista e o bom humor do profissional japonês desembarcam em São Paulo

A arquitetura futurista e o bom humor de Sou Fujimoto desembarcam na Japan House, em São Paulo

 (Rogério Cassimiro, Iwan Baan e Divulgação/Revista CASA CLAUDIA)

Pense numa pilha de batatas chips. Se, para você, elas são meros petiscos, para Sou Fujimoto o conjunto sugere um edifício em miniatura. A imaginação do arquiteto japonês vai longe – o que é possível perceber nas mostras Arquitetura Está em Toda Parte e Futuros do Futuro, ambas em cartaz até 4 de fevereiro de 2018 na Japan House. Nelas, o visitante descobre em maquetes e pequenas obras o modus operandi de Fujimoto, para quem a natureza e os acasos do cotidiano são fontes essenciais de inspiração. O resultado é uma arquitetura prática, na qual o verde, as tradições japonesas e a simplicidade são traduzidos em formas poéticas que olham para o amanhã. Veja a entrevista exclusiva feita com o arquiteto durante sua passagem pelo Brasil.

A arquitetura futurista e o bom humor de Sou Fujimoto desembarcam na Japan House, em São Paulo Em rara passagem pelo design, o arquiteto criou as estantes Forest of Books para a galeria francesa Philipphe Gravier. Nelas, os livros se encaixam nos vãos das hastes de metal.

Em rara passagem pelo design, o arquiteto criou as estantes Forest of Books para a galeria francesa Philipphe Gravier. Nelas, os livros se encaixam nos vãos das hastes de metal. (Rogério Cassimiro, Iwan Baan e Divulgação/Revista CASA CLAUDIA)

As obras de Arquitetura Está em Toda Parte mostram um lado divertido de seu processo criativo. A ideia é tornar a arquitetura mais leve?

Nossa vida deve ser divertida e a arquitetura faz parte disso. Porque vida e arquitetura acontecem juntas, enquanto estamos dentro de uma casa ou em volta dela. Acho que é uma maneira de pensar espaços onde as pessoas possam viver felizes.

Qual a origem de sua conexão com a natureza?

Nasci em Hokkaido, onde passei a infância brincando no meio de uma floresta com árvores
enormes. Quando me mudei para Tóquio, deparei com uma selva de prédios e pequenos jardins projetados em escala humana, diferente daquela natureza indomada que eu conhecia. Isso me
inspirou a unir natureza e arquitetura e tentar lidar com elas na mesma medida em meus projetos.

A arquitetura futurista e o bom humor de Sou Fujimoto desembarcam na Japan House, em São Paulo A casa NA, com diferentes níveis, que refletem a vontade dos moradores de serem nômades.

A casa NA, com diferentes níveis, que refletem a vontade dos moradores de serem nômades. (Rogério Cassimiro, Iwan Baan e Divulgação/Revista CASA CLAUDIA)

Você tira inspiração do design de mobiliário?

Gosto de pensar na razão inicial dos móveis mais do que no desenho deles em si, ou seja, nas ações humanas, como sentar, deitar, dormir, apoiar. O mobiliário serve de suporte para nós. A arquitetura também se relaciona dessa forma com nosso comportamento, pois precisamos de um abrigo, de nos proteger do clima. É mais uma questão de pensar em situações básicas e trazer novas definições sobre elas.

O que você acha de viver em microespaços?

Morei num apartamento de 10 m² em Tóquio. Apesar de pequeno e restrito, é possível ter conforto. Você não deve ficar preso à ideia de tamanho e precisa procurar otimizá-lo ao máximo. O projeto da casa NA, por exemplo, foi pensado com base numa árvore e seus galhos. A construção tem estrutura compacta e uma área social dividida em 21 microcômodos, todos interligados e dispostos em patamares. Nesse caso, uma mudança de perspectiva fez mais sentido que a divisão tradicional de espaços.

A arquitetura futurista e o bom humor de Sou Fujimoto desembarcam na Japan House, em São Paulo Estas obras fazem parte da exposição Arquitetura Está em Toda Parte, que traz bonequinhos (geralmente utilizados em maquetes) interagindo com objetos corriqueiros (pedras, um cinzeiro de vidro, e espumas de isolamento acústico) como se eles fossem edifícios.

Estas obras fazem parte da exposição Arquitetura Está em Toda Parte, que traz bonequinhos (geralmente utilizados em maquetes) interagindo com objetos corriqueiros (pedras, um cinzeiro de vidro, e espumas de isolamento acústico) como se eles fossem edifícios. (Rogério Cassimiro, Iwan Baan e Divulgação/Revista CASA CLAUDIA)

Qual é o retorno que você tem de quem mora em seus projetos?

São todos muito felizes! Meu ponto de partida é uma conversa que temos antes, o que significa que os moradores acabam por viver em casas que se adaptam a seus pensamentos. Eles também me contam sobre como é experimentar a casa, ver que ela nunca está igual e se transforma a cada momento do dia – de manhã, à tarde e à noite. É um feedback muito bom e fico com a sensação de criar casas que não se esgotam.

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 (Divulgação/CASA CLAUDIA)

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