Como Portugal se tornou um dos principais polos da street art

Tradicionalmente conhecido pelo fado e danças típicas, Portugal vira referência no incentivo à arte de rua, cada vez mais popular no país

Com um patrimônio cultural forte e tradicional, Portugal é um país muito rico em costumes. A vida artística é florescente e transcende a arte, a dança e a arquitetura. Mundialmente conhecido, o fado é só uma parte da cultura do país, que se reinventa a cada geração. Os primeiros grafites, por exemplo, começaram a colorir as ruas de Grande Lisboa nos início dos anos 1990, mas foi apenas em 2001 que se deu o verdadeiro “boom” da arte urbana portuguesa, com o reconhecimento de artistas como Bordalo II e Sérgio Odeith.

Obra de Samina pelas ruas de Figueira da Foz

Obra de Samina pelas ruas de Figueira da Foz (Centro de Portugal/Divulgação)

Não demorou muito para que o movimento se difundisse entre as cidades da região conhecida como Centro de Portugal, que reúne destinos populares como Fátima e Coimbra. Por lá, os grafites misturam-se ao cotidiano das cidades, que já criam roteiros turísticos com um circuito especializado na street art. 

Grafite de Sílvia Patrício reproduz cena do beijo entre Amélia e o sacerdote, personagens criadas por Eça de Queiroz

Grafite de Sílvia Patrício reproduz cena do beijo entre Amélia e o sacerdote, personagens criadas por Eça de Queiroz (Reprodução/Público.pt)

Em Leiria, a 1h30 de Lisboa, 13 grafites pintados por Sílvia Patrício recontam os principais capítulos do livro “O Crime do Padre Amaro”, um dos maiores clássicos da literatura portuguesa escrito por Eça de Queiroz. É possível conhecer cada um em visitas guiadas realizadas no segundo sábado de cada mês, em uma forma diferente de mergulhar na narrativa.  

 (Centro de Portugal/Divulgação)

Ao norte, nomes como Pantónio, Mário Belém, Daniel Eime e Kruella d’Enfer mantém viva a arte de rua portuguesa na cidade de Figueira da Foz. O mural “Herança Viva”, de Add Fuel, é um dos exemplos da nova cara da street art no país e reproduz os tradicionais azulejos portugueses. 

Grafite do artista VHILS em Aveiro

Grafite do artista VHILS em Aveiro (Vhils/Divulgação)

A cerca de 40 minutos de Figueira da Foz, Aveiro abriga obras que já se tornaram referência mundial do grafite. Conhecido pelo seu olhar revolucionário, VHILS chama a atenção com sua técnica singular que consiste em esculpir os muros em vez de pintá-los. Utilizando diversos tipos de ferramentas que incluem ácido e martelos, Vhils cria texturas e relevos que transformam as paredes de concreto em obras de arte. 

Estarreja, vilarejo vizinho de Aveiro, dispõe de uma rota com trabalhos de vários artistas, incluindo o pioneiro Bordallo II, que transformou lixo em arte, fazendo uma representação incrível da ave guarda-rios. A intervenção fez com que ele ficasse na nona posição no Top 100 do site especializado WideWalls. 

Kruella d’Enfer com seu traço marcante nas casas de Figueira da Foz

Kruella d’Enfer com seu traço marcante nas casas de Figueira da Foz (Centro de Portugal/Divulgação)

No interior de Portugal, Viseu é repleta de murais de pintores variados. A cidade mostra que seu patrimônio vai além dos vinhos e monumentos históricos. Boa parte deles foi feita a pedido da própria prefeitura, que convidou artistas como AKA Corleone, BASIK  e Kruella d’Enfer para dar novos ares às ruas.

A arte de Pantonio em Covilhã

A arte de Pantonio em Covilhã (Centro de Portugal/Revista CASA CLAUDIA)

Com seus prédios, muros e casas que se tornaram enormes telas prontas para artistas conceituados como Bosoletti, Doa Oa e Third, Covilhã tornou-se um centro de arte urbana portuguesa graças ao Wool Festival, evento anual com diversas opções de atividades para os visitantes, incluindo visitas guiadas para conhecer a fundo o conceito de cada obra.

Confira mais obras incríveis da arte de rua portuguesa:

 (Divulgação/CASA CLAUDIA)

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