5 estilos de viver sem descuidar do planeta

Acontecimentos diversos na vida e na carreira levaram estes profissionais a se envolver de maneira constante e completa nos cuidados com o planeta.

Cada um encontrou uma forma de fazer a diferença, além de convencer clientes, fornecedores e amigos com seu entusiasmo pela causa.

Um arquiteto viaja pelo mundo para colher o que há de mais novo em construção sustentável e acredita que técnicas ancestrais irão se encontrar com a alta tecnologia. Um paisagista desconstrói a idéia formal de jardim e implanta pedaços de mata Atlântica em casas urbanas. O desafio do reaproveitamento leva um designer de interiores a selecionar móveis em brechós e encontrar a justa procedência de madeiras de demolição. A paixão pela simplicidade e pelos veios da madeira se materializa num despojado ateliê de pínus, síntese da trajetória de uma designer. Uma escritora opta por morar em um apartamento pequeno para facilitar a rotina e descobre que é possível viver com menos sem abrir mão de ter charme e encanto no dia-adia da família. Conheça as idéias destes cinco personagens e deixe que elas contagiem você.

Escolhas com história

“Por causa da infância passada em fazendas, sempre privilegiei a madeira de demolição, o tijolo e os móveis reciclados. Depois de ganhar o Prêmio Planeta Casa, o que era um gosto passou a ser uma proposta. As preocupações ecológicas geraram decorações casuais, mas, aos poucos, os ambientes e stão se sofisticando. Afinal, é um luxo usar materiais naturais e valorizar a história dos objetos. Pode ser caro revestir uma parede de madeira certificada, mas ela fica tão bela que prescinde de obras de arte. Se garimpo poltronas baratas, escolho tecidos nobres e duráveis para revesti-las. Busco também ser transparente nas relações com fornecedores, clientes e funcionários. Por enquanto, a ecologia parece um modismo, como a tecnologia era vista há 20 anos. E quem hoje vive sem tecnologia? O planeta será insalubre se não for sustentável.”

Fábio Galeazzo, designer de interiores

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DICAS SUSTENTÁVEIS

Fique atento à procedência dos materiais. No Rio Grande do Sul, casas e fazendas históricas são destruídas indevidamente para retirar madeira de demolição.

Namore mais as peças antes de comprá-las. Não pense em decorar, e sim criar um acervo de móveis e objetos que sejam importantes para você. O que é descartável não é sustentável.

Galeazzo recomenda a leitura do livro Haverá a Idade das Coisas Leves, organizado por Thierry Kazazian (ed. Senac), uma reflexão sobre os objetos que invadem nosso cotidiano e pesam no meio ambiente.

Mata na selva de pedra

“O homem sempre quis dominar a natureza, ainda mais na cidade. Projetos de paisagismo costumam desenhar canteiros e ordenar espécies. Mas um desafio, proposto pelo cineasta Hector Babenco há cinco anos, mudou meu modo de ver as coisas. Ele pediu para eu criar um jardim que fosse uma mata. Saí procurando espécies típicas da mata Atlântica em viveiros antigos, fui ao Rio de Janeiro e ao litoral buscar plantas, como o palmito de origem certificada, e me encantei com esse tipo de solução. Depois de plantar aleatoriamente as espécies, procurando recriar a desordem, o jardim vai se ajustando sozinho e ficando mais bonito. A melhor sensação é quando as pessoas perguntam se a mata já estava lá. Esse pequeno ecossistema privilegia o equilíbrio natural, resiste a pragas e atrai passarinhos, mesmo no meio da metrópole.”

Rodrigo Oliveira, engenheiro agrônomo e paisagista

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DICAS SUSTENTÁVEIS

Aposte na biodiversidade. Se você fizer uma alameda inteira com a mesma espécie de árvore, corre o risco de uma praga atacar todas as plantas.

No jardim, invista em um sistema de irrigação, que é mais caro no princípio, mas compensa pela economia de água.

A mata, além de não brigar com a arquitetura, evita a construção de muros altos, pois é densa. Copas de árvore que alcançam até 8 m de altura ajudam a resguardar a morada.

Olhe o jardim como um espaço de interação, que faça parte de sua vida e sua casa.

Arquitetura que preserva

“Esta casa, construída com eucalipto renovável, bambu e paredes de pau-a-pique pintadas com cal, pigmento e terra, significa muito: foi o primeiro projeto em que meu sócio, Marcelo Todescan, e eu reunimos preceitos de sustentabilidade. Em 2000, participei de um treinamento sobre ecovilas aqui, no Brasil, e abri os olhos para a situação do planeta. Depois disso, fiz vários cursos na Europa e busco conhecer iniciativas de vanguarda nessa área para trazer ao país. Na prática da construção, percebemos que as técnicas sustentáveis só podem ser implantadas com a integração entre todos os envolvidos. Hoje, materiais de baixo impacto ambiental, telhados verdes e biodigestores já são realidade em nossos projetos. O futuro exigirá que as cidades se tornem sustentáveis e me sinto realizado se puder participar desse processo.”

Frank Siciliano, arquiteto

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DICAS SUSTENTÁVEIS

Pense muito bem antes de consumir um produto. Analise seus benefícios, como ele foi produzido, qual seu impacto sobre o meio ambiente.

Reduza o consumo energético: troque o aquecedor elétrico pelo a gás e substitua gradativamente as lâmpadas incandescentes por fluorescentes compactas e as de efeito por leds.

Troque as válvulas dos banheiros pelas de fluxo duplo e coloque arejadores nas torneiras para economizar água.

Em um prédio, um biodigestor (que trata o esgoto) pode fornecer água para regar o jardim e biogás para aquecer a piscina.

Respeito à madeira

Admiro a visão de mundo wabi-sabi, de origem japonesa, que enxerga beleza em coisas imperfeitas e prega a simplicidade e a aceitação da realidade. Sinto que o despojamento traz a liberdade, então me limito a possuir o mínimo. Essa opção se reforçou quando entrei na floresta Amazônica, nos anos 1980, e vi árvores gigantes caindo. Mergulhei na pesquisa com madeiras e isso se reflete em meu ateliê feito de pínus, às margens do rio Guaíba, em Porto Alegre. Utilizando aparas de marcenaria, componho painéis artísticos e, com os veios de espécies de reflorestamento como eucalipto, pínus e lyptus, crio carimbos para estampar louças e roupas de cama. Também encontrei uma forma de motivar artesãos, desenvolvendo produtos como estes puxadores, que resgatam a tradição do trançado gaúcho usado na selaria.”

Heloisa Crocco, designer e consultora de estilo

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DICAS SUSTENTÁVEIS

Otimize o uso da água construindo coletores para a chuva e empregando essa reserva para molhar o jardim.

Compre frutas e verduras sem agrotóxicos em feiras locais, depois separe o lixo orgânico e use composteiras para transformar sobras da cozinha e folhas do jardim em adubo.

Aproveite as viagens para ter experiências e curtir o lugar. O prazer de se locomover de bicicleta em uma cidade na Europa pode ser mais gratificante do que voltar de lá com um punhado de compras.

 

Apartamento menor simplifica a vida

Morei muitos anos com minha filha em um apartamento de 180 m², com armários cheios de coisas e ambientes vazios, que não conseguia aproveitar. Sentia um incômodo permanente. Os dias virando semanas, meses, anos, e as coisas sempre guardadas nos armários, a ponto de me esquecer de algumas e comprar outras iguais. Até que, há cinco anos, tomei coragem e resolvi me mudar para um apartamento menor. São apenas 90 m² – não coube nem um terço dos móveis e objetos antigos. Doei a maior parte deles e, na reforma, fiz questão de projetar o mínimo de armários. Ao simplificar minha vida, descobri o que já intuía: ter menos coisas, apenas o que uso efetivamente, e habitar para valer os espaços da casa é uma experiência apaziguadora. Quando estamos alinhados com essa realidade, encontramos naturalmente mais harmonia na rotina.”

Leticia Ferreira Braga, escritora

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No pequeno terraço, as cadeiras de bambu são da Stilo Ásia, que também fo...

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DICAS SUSTENTÁVEIS

Para poupar água, organizese para que a lavagem de roupas aconteça apenas duas vezes por semana. E economize gás no aquecimento da água do banho regulando o aquecedor de acordo com a estação do ano.

Prefira produtos com embalagens grandes e reutilizáveis, diminuindo o volume de lixo.

Na hora de descartar, separe o resíduo orgânico do seco para a coleta seletiva.

Resista a comprar uma grande variedade de produtos de limpeza e de higiene. Selecione uma lista básica, preferencialmente de materiais biodegradáveis e orgânicos.

Encontrando a paz em casa

Nas pequenas coisas do dia-a-dia, nos cuidados rotineiros, nos prazeres mais simples, está o potencial para as grandes mudanças. Cultivando o ensinamento budista da interdependência entre todos os seres e o planeta, passei a adotar um comportamento mais atento e menos consumista. Presto atenção não só na quantidade de lixo que sai de minha casa como também no conteúdo. Se percebo que houve algum desperdício, como descartar frutas e legumes estragados, isso me deixa mais alerta na próxima ida à feira. Minha relação com o tempo também mudou: procuro fazer menos coisas, de maneira mais cuidadosa. Acredito que a paz de espírito gera um impacto positivo sobre o ambiente e as pessoas ao redor, como quando jogamos uma pedrinha no lago e os círculos vão se espalhando pela superfície.”

Leticia Ferreira Braga, escritora

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Sobre a cama, manta de fio de bambu do Empório Beraldin e almofadas aromáti...

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DICAS SUSTENTÁVEIS

Sempre que tiver opção, prefira receber as correspondências bancárias e comerciais por e-mail. Assim evitam-se o desperdício de papel e seu acúmulo pela casa.

Tenha uma sacola reutilizável para ir à padaria e ao supermercado. De preferência, faça compras perto de casa e leve só o que conseguir carregar. É uma boa medida para evitar excessos.

Use louças avulsas herdadas de família, que sobram de jogos desfalcados. Elas resultam em belas composições de mesa. Para completar os conjuntos, procure peças em feiras de antiguidades.

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