Quatro hotéis que são verdadeiras galerias de arte

Hotéis como The James, em Nova York, 21c Museum Hotel, em Louisville, Sagamore, em Miami, e Byblos, em Verona, investem em verdadeiras galerias.

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21C Museum Hotel

A arte sempre fez parte da vida do casal Steve Wilson e Laura Lee Brown – a casa, o escritório, o estábulo da fazenda, até os campos de feno têm obras. Quando a prefeitura de Louisville, no estado natal de ambos, o Kentucky, quis reocupar a região central da cidade, os dois viram ali uma oportunidade de contribuição. “Tínhamos o desejo de trazer a arte contemporânea para nossa comunidade e ajudar a revitalizar o centro, à época cheio de prédios vazios”, conta Wilson. Assim, em março de 2006, abriram o 21c Museum Hotel, com 90 quartos e trabalhos de artistas vivos, como Bill Viola, Sam Taylor-Wood e David Hockney, em 836 m² de galeria, aberta 24 horas por dia. Foi um sucesso. “Aprendemos que a arte pode dirigir o comércio! Ficamos surpresos e felizes com o sucesso financeiro da propriedade, a taxa de ocupação, os elogios de especialistas em viagem e arte”, diz Laura. Em novembro de 2012, a dupla inaugurou outra propriedade, em Cincinnati, Ohio, com 743 m² de espaço expositivo e obras especialmente encomendadas a oito artistas, entre eles Grimanesa Amorós, Brian Knep e Astrid Krogh. Em fevereiro deste ano, chegou o 21c Museum Hotel Bentonville, em Arkansas, com uma galeria ainda maior, de 1 114 m², e peças site-specific de gente como Serkan Ozkaya e Alexandre Arrechea. Em breve, a marca se expande para Lexington (Kentucky) e Durham (Carolina do Norte).

Sagamore

Em 2001, antes da instalação da Art Basel Miami Beach e da transformação da cidade num polo da arte contemporânea, o casal de colecionadores Marty e Cricket Taplin adquiriu um prédio num terreno do distrito Art Deco, de frente para a praia, e ali instalou o Sagamore Hotel, com 93 quartos de decoração minimalista. Ele não nasceu como um hotel voltado para a arte. Confrontados com as paredes brancas imensas, resolveram trazer de casa algumas de suas obras. “Logo a mídia começou a chamá-lo de hotel de arte. Os hóspedes amaram, e não havia mais volta. O Sagamore virou uma extensão da nossa casa”, explica Marty. Foi o que os diferenciou dos outros estabelecimentos da privilegiada região. Hoje, hóspedes e visitantes deparam com um trabalho de Enrique Martinez Celaya sobre a lareira falsa, uma obra de Roxy Paine atrás da recepção e peças de Massimo Vitali e Wolfgang Winter & Berthold Hörbelt no meio do lobby, fora as instalações específicas e exposições temporárias. “Eu penso na coleção, como um todo. Não sigo tendências e compro aquilo com que sinto uma conexão imediata.” Os suportes são os mais variados: pintura, papel, fotografia, escultura, videoarte e técnica mista de artistas de todos os continentes.

The James Hotel

Num prédio todo envidraçado, desenhado pelo Office for Design and Architecture com Perkins Eastman em pleno Soho, em Nova York, The James Hotel abriga 114 quartos e muita arte. Logo na entrada, um trabalho de Sarah Frost é uma espécie de mosaico de teclas de computador usadas. No elevador de vidro, a artista sul-coreana Sun K. Kwak criou uma obra especialmente para a jornada até o terceiro andar, onde fica o Sky Lobby: uma pintura preta na parede branca “movimenta-se” com o passageiro, andar a andar. Nos quartos, a parede de vidro que separa o banheiro da área de estar tem uma tela controlável remotamente criada pela designer Nienke Sybrandy, com a sombra de uma árvore feita de códigos de computador. Os corredores de cada um dos pisos também são galeria, com peças de artistas locais escolhidos por Matthew Jensen. Entre os nomes, Brandon Neubauer, que transforma fotografias em linhas geométricas, e Naomi Reis, que usa desenhos japoneses e arquitetura como base de sua produção. Cada uma das obras do hotel tem um código QR, onde o hóspede pode ler as informações. No 16º andar, o Penthouse Loft ganha design de Piet Boon, enquanto Cristina Grajales, queridinha de gente como Brad Pitt, fez a curadoria de móveis no restante dos ambientes.

Byblos Art Hotel

A fachada com projeto do arquiteto Michele Sanmicheli para a Villa Amistà, em Corrubbio di Negarine, a poucos quilômetros do centro de Verona, na Itália, já poderia ser considerada uma obra de arte. Construída em estilo veneziano nos anos 1400, com partes complementares erguidas até metade do século 17, por Ignazio Pellegrini, estava em mau estado quando adquirida por Dino Facchini, num terreno com 20 mil m² de jardins. A renovação foi assinada por Alessandro Mendini e, em 2005, foi aberto o Byblos Art Hotel, ligado à grife de moda. O próprio Mendini assina alguns dos móveis, lançados pela Byblos Casa, mas os ambientes guardam uma verdadeira coleção, formando um tipo de quem é quem do design mundial, com peças de Eero Saarinen, Aldo Rossi, Ron Arad, Patricia Urquiola e Marcel Wanders. A arte não fica atrás: nos salões cuidadosamente restaurados e nos 60 quartos, há trabalhos de nomes internacionais, como Anish Kapoor, Cindy Sherman, Sol Lewitt e Takashi Murakami, além de uma especial atenção a criadores italianos (Giulio Paolini, Piero Manzoni e Patricia Piccinini). A produção local de vidro de Murano também é destacada, com um enorme candelabro no hall principal, num sinal de que tradição e contemporaneidade andam bem junto.

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