A poltrona Vermelha: 500 metros de corda trançada

Conhecida como um retrato do caos criativo brasileiro, o móvel dos irmãos Campana brilha como uma das peças de design nacional mais reconhecidas mundo afora

Na ativa há mais de 30 anos, o Estúdio Campana, comandado pelos irmãos Humberto e Fernando Campana, produz peças irreverentes, muitas vezes excêntricas e exóticas. Não há como falarmos de design brasileiro sem mencionar a dupla, que há anos dá visibilidade internacional às peças brasileiras. Hoje, falamos de sua mais conhecida criação: a poltrona Vermelha.

Usar materiais do dia a dia, objetos comuns e reaproveitáveis é uma característica do trabalho dos Campana. Dito isso, fica clara a razão da utilização de mais de 450 metros de corda, originalmente comprada na feira, trançada na estrutura da poltrona. A ideia era de que a corda não desse somente estrutura, mas também fosse o estofado do móvel, um conceito inédito em 1993, quando foi idealizada.

 (Divulgação/CASA CLAUDIA)

Assim como a poltrona Mole, de Sergio Rodrigues, a Vermelha não fez sucesso logo de cara. O produto chamou a atenção de Massimo Morozzi, designer italiano dono da marca Edra. Morozzi gostou tanto do conceito que decidiu produzir a peça em escala para comercialização, e foi esse momento que impulsionou internacionalmente a carreira dos irmãos. Antes disso, apenas cinco exemplares haviam sido vendidos pelo estúdio.

É impossível reproduzir a confecção da cadeira industrialmente. Quando chegou o momento de enviar o esquema do móvel para a Edra, os Campana enviaram um vídeo explicando passo a passo como produzi-la. E o trabalho de trançagem é feito exclusivamente a mão. Hoje, só um homem faz a poltrona na Edra, ele produz apenas uma peça por dia.

 (Divulgação/CASA CLAUDIA)

O destaque mundial veio em 1994, como o primeiro móvel brasileiro a ser exposto no MoMa, o Museu de Arte Moderna de Nova York. Hoje sua importância é tamanha que é considerada uma obra influenciadora do século passado, uma obra capaz de transformar conceitos que antes pareciam consolidados, exposta também no MUDE, o Museu do Design e da Moda de Lisboa.

Apesar de ser uma obra dos anos 1990, seu reconhecimento agregado é tamanho que já é considerada um clássico do design.

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