Décor entre a França e o Japão

Estilista japonês, Kenzo Takada, desenvolve versão de sofás para francesa Roche Bobois

Kenzo Takada é um dos grandes ícones da moda mundial. Enquanto estilistas japoneses como Rei Kawakubo, Yohji Yamamoto e Issey Myake revolucionaram a cena nos anos 1980, Kenzo já marcava presença muito antes, desde a década de 1960, representando um papel fundamental inclusive no início da semana de moda francesa. Agora, o inquieto designer japonês, que vendeu sua marca de moda em 1999 para se dedicar à pintura, aos perfumes e a projetos especiais (como uma linha de homeware, que já não existe) faz uma nova incursão pelo mundo do décor. Ele foi convidado pela Roche Bobois para dar vida nova ao icônico sofá de matelassê Mah Jong, criado em 1971 pelo designer Hans Hopfer, com foco no conforto e na liberdade. Todo costurado à mão, feito na Itália, com técnicas de alta costura, e modular, ele pode ser montado de infinitas maneiras: pode ser sofá, cama, chaise longue em formatos e alturas variados.

 (Daniel Simon/Gamma-Rapho/Getty Images)

Antes do artista japonês, a mesma tarefa foi dada à Missoni Home, Jean Paul Gaultier e Sonia Rykiel. Agora, ele leva referências do teatro Nô japonês e dos quimonos típicos para construir três padrões diferentes, que simbolizam momentos e humores diferentes do dia: Asa (manhã), Hiru (meio-dia) e Yoru (noite). Cores vivas e florais delicados se alternam numa ligação sutil entre Ocidente e Oriente. Completam a coleção, almofadas e vasos, destaque para a linha Hanawa, em cerâmica queimada com esmaltes de tons fortes e folhas de cobre ou ouro. Tudo chega às lojas agora em setembro.

A seguir, minha conversa com Kenzo Takada:

Quais são os pontos em comum entre o seu trabalho para a Roche Bobois e sua experiência em moda?

Depois de ter trabalhado com moda por tantos anos, consigo encontrar muitas similaridades entre os dois trabalhos. A escolha de cor, desenhos e estampas, e como combiná-los, a escolha dos tecidos. Tudo para criar harmonia e contar uma história. O mais importante é encontrar homogeneidade entre os diferentes elementos. O ritmo com certeza é diferente. E o uso do produto não é exatamente. O processo mental tem que ser diferente. Você tem que considerar o ambiente em que esses móveis vão ser colocados. Hoje, adoro trabalhar criando itens para a casa. E estou muito orgulhoso do resultado a que chegamos com a coleção para a Roche Bobois

Por que decidiu usar o quimono e o teatro Nô como referências?
Quando comecei, no início dos anos 1970, com a Jungle Jap, eu tinha que encontrar uma identidade para as minhas criações. Rapidamente percebi que tinha que olhar para as minhas raízes e usar minha cultura nativa. Desde então, sempre utilizo alguma influência japonesa no meu trabalho, entre outras referências de outras culturas. Ultimamente, tenho viajado com mais frequência ao Japão (ele mora na França) para rever meu país natal. Amo usar esse background cultural nas minhas diversas criações.

Como foi seu processo criativo nesse trabalho especificamente?
Roche Bobois me deu uma folha de papel em branco. Eu podia fazer o que quisesse – o que tornou o desafio mais difícil no começo. Mas uma vez que encontrei o caminho, a empresa fez tudo que estava ao alcance para tornar essa inspiração possível. Mesmo com as técnicas mais complicadas para realizar o projeto como imaginamos.

Como você escolheu as estampas e cores para as três harmonias que criou (Asa, Hiru and Yoru)?
No começo, eu estava pensando em criar apenas um Mah Jong. Mas, conforme o processo avançou, percebi que precisava de tonalidades variadas para que ele se adaptasse a diferentes espaços. Depois que escolhi os desenhos e os materiais, quis fazer uma versão mais leve (manhã), uma cheia de cores fortes (meio-dia) e uma mais tranquila, em azul (noite). Trabalhamos nas combinações de cores várias vezes até encontrar a harmonia certa.

Que tipo de atmosfera essas três combinações trazem para o Mah Jong?

Uma atmosfera multicultural, um mobiliário alegre, colorido, que funciona em diferentes ambientes. Espero que todo mundo consiga vê-lo dessa forma.

O que você aprecia no Mah Jong criado por Hans Hopfer? De certa forma, ele traz referências orientais que conversam com o seu trabalho?
Definitivamente! E penso que temos uma combinação muito interessante no projeto: a Roche Bobois, uma casa que representa a arte francesa de viver, Hans Hopfer, um designer alemão reconhecido, o Mah Jong, com suas referências orientais e eu, um japonês que mudou cedo para a França para trabalhar com moda. Um grande mix! E muito global! Como sempre gostei de trabalhar com essa mistura de culturas, adorei fazer parte desse projeto!

Confira as peças da coleção:

Assista ao vídeo da campanha:

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