Série brasileira Meridional investiga o design da América do Sul

Com curadoria de Rodrigo Almeida, o documentário traça o encontro das culturas sulistas do Brasil, da Argentina, do Uruguai, do Chile e do Paraguai

O recorte é um tanto instigante e curioso: mostrar um panorama sobre o desenvolvimento – com suas semelhanças e diferenças – da estética latina típica das regiões sul de cada país visitado pela equipe de produção. Difícil de visualizar? O designer Rodrigo Almeida, simplifica. “Os meridionais, se assim podemos classificar estes povos, ocupam um território fronteiriço e compartilham uma maneira específica – que iremos mostrar no decorrer do programa – de se relacionar com o espaço ao redor, com as manifestações artísticas e, claro, com o design”, ele contou durante o lançamento da série em São Paulo. Tudo isso muito bem explicado através de entrevistas com antropólogos, teóricos e personagens surpreendentes. As paisagens de pano de fundo, como você pode ver mais abaixo, são de tirar o fôlego.

O designer Rodrigo Almeida é o curador do documentário Meridional, da Spaghetti Filmes.

O designer Rodrigo Almeida é o curador do documentário Meridional, da Spaghetti Filmes. (Reprodução/Meridional / Documentário)

Estudioso da história do mobiliário e da cultura popular brasileira, Rodrigo Almeida bateu um papo comigo para contar mais sobre o projeto. Logo abaixo, no final da entrevista, assista ao teaser do primeiro episódio.

A ideia surgiu como?
R.A: Veio do interesse de pesquisar a fundo as diversas culturas brasileiras. No caso doa série Meridional, essa investigação se expande para o hemisfério Sul, com o objetivo de entender as ligações internas e externas desta região.

Essa estética meridional pode ser definida?
R.A: Em vários aspectos, sim. Ela é bastante forte na indumentária, gastronomia e música, mas, no que se refere à cultura material, os códigos ainda não foram devidamente estudados e aplicados a ponto de podermos reconhecer objetos de design oriundos dessa cultura. Acreditamos que isso é possível e é um dos objetivos da série, que visa  alavancar e promover essas discussões.

No extremo sul do Brasil, no município São José dos Ausentes, as montanhas desenham o cenário bucólico.

No extremo sul do Brasil, no município São José dos Ausentes, as montanhas desenham o cenário bucólico. (Reprodução/Meridional / Documentário)

Como esse cruzamento de culturas influenciou o jeito de morar desses povos?
R.A: Assim como no resto do Brasil sofremos um difícil processo de fusão dos diversos padrões culturais, esse movimento afetou o estilo de vida e a maneira com que essas pessoas sulistas se relacionam com a estética de modo geral.

Nós, brasileiros, especificamente, o que herdamos desse processo?
R.A: Sabemos que a cultura do Sul é diferente da cultura do norte, mas, ao mesmo tempo, existe uma linearidade que é a cultura brasileira como um todo e que nos torna um só povo. As diferenças estão nas sistematizações de trabalho, no clima e no tempo em que cada região foi ocupada. Sendo específico historicamente, a cultura nômade do tropeiro, por exemplo, que fundou grande parte de nossas cidades, é de origem hispânica e isso influenciou nosso sotaque e gastronomia.

E, na sua opinião, como nós contribuímos?
R.A: Com a fusão de aspectos opostos, como as das culturas indígena, africana e europeia.

O que você descobriu durante essa pesquisa?
R.A: Reafirmei e pude descobrir novos aspectos de nossa flexibilidade estética cultural.

Como está dividida a primeira temporada?
R.A: Serão cinco episódios, que ainda estão em fase de produção, com 30 minutos cada um e apresentados por Gabriel Costa Sachett.

See ya,
Tati Domiciano
@tatianedomiciano

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