Toulouse-Lautrec emociona no MASP

Com 75 obras, é a maior mostra do artista já feita no país

O Divã, 1901, Toulouse-Lautrec.

O Divã, 1901, Toulouse-Lautrec. (Divulgação MASP/Divulgação)

Eu estava bem animada para ver essa exposição, confesso. O trabalho do Toulouse-Lautrec sempre me faz pensar nesse imaginário parisiense que temos da belle époque… Um tanto já explorado em filmes como “Meia Noite Em Paris”, de Woody Allen e o próprio “Moulin Rouge”, de Baz Lurhmann,  mas que sempre tem algo a mais para nos dizer sobre o ser humano e sobre nós mesmos. Isso porque os trabalhos dele possuem um olhar que capta “aquilo que a gente faz de conta que não vê”, e de repente, está lá escancarado. É uma voz um pouco melancólica, misturada com a euforia vertiginosa de quem já tomou muitas doses de álcool e no fim da festa vai embora desacompanhada (nada contra quem vai embora livre e leve, vale frisar).

Visitei a mostra “Toulouse-Lautrec: em Vermelho”, em exibição no MASP na visita guiada para imprensa, antes da abertura (a oficial foi na última sexta-feira, dia 30/06) e o sentimento final foi uma ótima surpresa. Isso tanto porque as obras são muito boas e também porque a mostra está bem montada – percebe-se a preocupação do museu em seguir a coerência do artista. A exposição é a maior individual já feita sobre ele no Brasil, são 75 obras, entre pinturas, cartazes, desenhos, gravuras e cartas que apresentam o principal assunto tratado em sua obra: a vida noturna parisiense do início do século 20 e suas personagens ícones, as prostitutas e os boêmios.

A mostra faz parte do projeto anual do museu que conta “Histórias da Sexualidade”, então aborda o tema em uma série de trabalhos entre os quais Lautrec pinta cortesãs no bordel. São cenas de intimidade delicada, com aquele quê decadentista, onde a espera entre um cliente e outro revela uma solidão profunda, ou o momento em que estão se vestindo diante da bronca desagradável da dona do bordel, além de confissões íntimas entre colegas e cenas de bastidores dos bares. Além destas obras, há também uma série de retratos masculinos e seus famosos cartazes criados para casas de shows, como o Moulin Rouge.

Vale observar também a maneira que artista retrata o espaço. Assim como Edgard Degas, outro gênio desta época, corta a imagem em ângulos que não são óbvios, sendo que o enquadramento e a ação podem ser completadas mentalmente pelo espectador.

A mostra conta com 9 obras do acervo do artista do MASP e outras vindas de instituições como Art Institute of Chicago, Musée d’Orsay, Victoria & Albert e Rijksmuseum. Em cartaz até 01/10.

Para ler ouvindo: These Foolish Things (Remind me of you), da Billie Holiday – porque aqui também é lugar de jazz.

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