Três perguntas para o designer japonês Kenya Hara

Diretor criativo da Japan House fala com exclusividade à Casa Claudia

 

O designer Kenya Hara na Japan House, em São Paulo.

O designer Kenya Hara na Japan House, em São Paulo. (Rogério Cassimiro/Divulgação)

Sócio da gigante de design Muji, criador do Hara Design Studio e diretor criativo da Japan House. O currículo de Kenya Hara não é fraco e isso explica a fila enorme diante da Japan House, na Av. Paulista, nesta última quarta-feira (17/08) para uma palestra que  ele daria sobre a exposição em cartaz “Subtle – Sutilezas em Papel”, da qual é curador.

A mostra itinerante fica em cartaz até dia 10 de setembro (depois passará pelas Japan House de Londres e Los Angeles) e traz obras criadas com papel por diferentes artistas, designers e arquitetos japoneses. Elas impressionam por sua delicadeza e sensibilidade, criadas com maneiras de utilizar o papel que desafiam a própria fragilidade do material. Seja nos pequenos “Chapéus de Chocolate”, criados por Hara, cortados a laser, que lembram nossos copinhos de brigadeiro em versão deluxe ou na obra “Primavera”, do arquiteto Junya Ishigami, na qual o artista reproduz uma espécie de gramado, feito com minúsculas folhas de papel. Admiro muito a capacidade criativa e a poesia dos japonese e acredito que essa exposição mostre bem um pouco dessa particularidade nipônica.

Minutos antes de Hara tomar o microfone diante do público misto de jovens estudantes e autoridades do Consulado Japonês, pude conversar com ele sobre papel, design e conexões entre Brasil e Japão. Confira:

O que torna o design sutil?
O design em si não é sutil, mas há maneiras de torná-lo – assim como o papel. Nesta exposição, por exemplo, o tema “subtle” veio a pedido do Takeo Paper Show, que é um importante festival sobre papel que temos no Japão no qual exibimos essa exposição pela primeira vez. Isso porque o papel, em si, é algo que não pensamos como sutil quando usado em jornais, revistas ou folhetos. Ou seja, temos outra percepção do papel nesses usos do dia-a-dia. Já na exposição, a delicadeza continua não estando no papel, mas está no entendimento daquele que o vê e na maneira em que os artistas usaram o material. Aqui mostramos um papel muito diferente de algo simplesmente impresso. Nesse sentido, nós podemos falar que é um estado de sutileza, um momento, uma situação, onde o sutil e o delicado se dão num ínfimo momento.

O que mais te impressiona no papel?
Existem algumas peculiaridades no papel: ele é branco e frágil e, por ser branco, também pode ser manchado. Além disso, se for amassado, ele nunca volta à forma original. Então por isso mesmo percebi que essas características causam uma tensão nas pessoas. Aquela tensão de que se houver um erro, não há mais volta – como se fosse uma orquestra prestes a tocar a primeira nota de uma sinfonia. Porém, ao mesmo tempo existem inúmeras possibilidades de uso com o papel e cabe a cada um saber transpassar essa apreensão de trabalhar com papel.

O que os brasileiros podem aprender com a simplicidade dos japoneses?
Em tudo que eu busco fazer e naquilo que os japoneses falam e fazem não existe a pretensão de ensinar a diretamente algo a alguém de outra nacionalidade. Nós simplesmente apresentamos o que nós temos para que cada um capte na sua sensibilidade o que pode servir a cada um. Espero que seja algo bom.

Para ouvir depois de ler: “Sound and Vision”, de David Bowie, que de alguma maneira me faz pensar que combina com essa exposição.

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