Você venderia sua casa por bitcoins?

A criptomoeda internacional adentra o mercado imobiliário

A criptomoeda bitcoin internacional adentra o mercado imobiliário

 (Christopher Gower/Unsplash)

Desde que comecei a namorar, há dois anos, houve exatamente dois momentos no relacionamento em que meu namorado e eu falamos sobre dinheiro: a primeira, em meados de 2016, quando ele me comentou sobre a vontade de aplicar uma certa quantia de sua poupança na compra de bitcoins. Na época não era muito – a moeda estava cotada entre 2200 e 2400 reais (com mais ou menos cinco mil reais ele compraria duas destas criptomoedas). Pedindo meu conselho sobre a questão, transmiti minha sincera opinião sobre o assunto – acreditava que seria uma grande cilada e que perderia seu dinheiro. Acabei desencorajando o pobre coitado porque, afinal, o que se sabia sobre bitcoins?

O segundo momento que conversamos sobre dinheiro foi exatamente no final deste ano no mais recente boom da moeda, em que o preço do bitcoin subiu até se perder de vista. Como um cão arrependido, ele me conta que os dois bitcoins, se comprados naquela época, valeriam hoje 104 mil reais. Nada mal, não é mesmo? Ou seja, quem deveria ser o cão arrependido era eu. Não pelo péssimo conselho, mas por não confiar nesta moeda que achava ser exclusividade dos nerds entusiastas, e apesar de nova, já é realidade no mercado financeiro.

Se você está se perguntando, afinal, o que é bitcoin, eu explico: é a moeda exclusivamente eletrônica e internacional mais utilizada no mundo, que consegue transitar sem banco ou intermediários. É um código binário que não pode ser reproduzido e, portanto, é limitado. É exatamente por isso que a alta desta moeda tem trazido muita riqueza para alguns investidores, e muitos deles estão à procura de casas e apartamentos. Se esta é a sua praia, pode ficar atento, pois de acordo com a Forbes, a casa média americana já está sendo vendida por mais ou menos 18 bitcoins. Algumas transações são parciais, outras não são nem concluídas, mas já existem proprietários em Miami, hoje, que estão aceitando pagamento somente por bitcoins.

No Brasil não é diferente, o primeiro imóvel comprado oficialmente por bitcoins foi em junho deste ano, na cidade de Sumaré (SP), pela corretora Claudia Luz Imóveis. Já a construtora Tecnisa vendeu, também neste ano, um apartamento em São Paulo e outro em Jundiaí (SP), ambos por bitcoin. Outro exemplo é a construtora Katz, de Minas Gerais, que anunciou aceitar bitcoins como forma de pagamento para todo seu portfólio de imóveis. Mais recentemente, um morador colocou à venda uma casa de 170 metros quadrados em Blumenal (SC) por apenas 8,5 bitcoins. Comparado com a cotação americana, está até uma pechincha.

Especialistas dizem que hoje pode ser arriscado comprar bitcoins, mas, caso a moeda eletrônica não esteja numa bolha prestes a explodir, a tendência é só valorizar. Ou seja, seria um ótimo negócio. Para mim, que não tenho nenhum bitcoin, o sonho da casa brasileira parece ficar cada vez mais inatingível, e me faz pensar que já estamos envolvidos neste mundo digital sem nem mesmo percebermos. Esta pode nem ser a casa do futuro do qual falamos, mas que o futuro já está comprando a sua casa, ah sim, ele já está!

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