Cidades acolhedoras

As novas formas de morar, que abrange diversas gerações para além dos jovens, enxergam na vida em comunidade o potencial de diversão, troca e cuidado

Coliving em Bangkok

Coliving em Bangkok (Divulgação/Fabrica)

Temos assistido a uma transformação nos centros urbanos e eles devem ser cada vez mais adaptáveis. O transporte está se tornando mais centrado em tarefas, os operadores de hospitalidade estão criando soluções impressionantes e os modelos residenciais estão se transformando em opções muito mais acessíveis. E, de verdade, essa mudança nunca foi tão oportuna.

Considere que até 2050 nossas cidades terão 2,5 bilhões de novos habitantes. Isto é mais do que as atuais populações combinadas da Índia e da China. Modelos de propriedade estão desafiando o status-quo, oferecendo facilidade nos centros urbanos superpovoados. Estas empresas estão desbloqueando partes escondidas e subutilizadas da cidade, transformando-as em locais para trabalho e lazer.

As propriedades são desde postos de polícia, pubs, fábricas e armazéns que estariam vagos, e são oferecidos a preços super reduzidos. A empresa inglesa Property Guardian Protection, no Reino Unido, oferece aluguel para inquilinos que pensam de forma parecida – também chamados de guardiões. De chefs e músicos a empreendedores da tecnologia, indivíduos são combinados pelo tipo de personalidade e incentivados a prosseguir seus projetos freelancers nessas configurações espaçosas.

E a empresa StartUpHome permite que inquilinos de indústrias similares vivam e trabalhem juntos.  Eles acreditam que reunir pessoas apaixonadas no mesmo lugar é a fórmula para a inovação. Em Londres, a empresa hospeda atualmente Women in Tech, Fintech e Food Tech houses. A parte que eu acho realmente genial é que as marcas podem patrocinar um residente por 6 meses – investindo no seu talento nascente ou mandar produtos para pilotar testes com os residentes – que tendem a ser early adopters.

Na Stylus, chamamos isto de “patrocínio parceiro” e é uma maneira bem inteligente de mobilizar os early adopters e defensores da marca. Até agora, Amazon Echo, um aparelho de ATM pra Bitcoin e dispositivos de realidade virtual foram colocados nessas configurações.

A Bodega é uma loja de conveniência logo na entrada do coliving norte-americano. Coliving Urby Staten Island, em Nova York

Coliving Urby Staten Island, em Nova York (Divulgação/Revista CASA CLAUDIA)

E eu acho que é importante mencionar que estes colivings são também catalisadores para o desenvolvimento de novos produtos. Um exemplo disto é este utensílio all-in-one Sharepool, que é um cooktop, geladeira e microondas. Mas ainda mais inteligente: ele possui um aplicativo que permite que seja alugado e dividido entre vários proprietários, harmonizando bem com a economia compartilhada que vivemos hoje.

Agora, numa tentativa adicional de fundir casa, trabalho e marca, o campus da Facebook no Silicon Valley incluirá em breve apartamentos residenciais e um hotel. Enquanto a maioria dos alojamentos vai para os funcionários do Facebook, uma parcela estará disponível publicamente no mercado a taxas subsidiadas. A empresa de Mark Zuckerberg disse que está sendo forçada a construir a “vila integrada” porque o “fracasso” do governo regional em investir em infraestrutura levou a aluguéis altos e horas-longas comuta para o trabalho. O Willow Campus vai providenciar serviços, soluções habitacionais e de trânsito, e também espaços de escritório.

Conveniente para os funcionários do Facebook. Mas isso me faz pensar: quais são os impactos que conceitos como este terão em comunidades mais amplas? E provoca uma questão ainda maior – será que as mega-marcas vão acabar hospedando nosso tempo de lazer? E, em caso afirmativo, o quanto nós queremos que essa famílias estejam envolvidas neste processo?

Já estamos vendo este paradigma se manifestar em complexos de apartamentos – lançando um novo gênero de espaços residenciais inovadores. O Welive, mais uma iniciativa do Wework,  apoia este pensamento – e estamos vendo esta funcionalidade híbrida ecoar em vários complexos de apartamentos nos EUA. A Vitacom é uma das pioneiras aqui no Brasil, com aptos de 10 m² e uma área de convivência que oferece de academia de ginástica a cozinhas compartilhadas e co-workings. Um novo mindset no morar, que abrange diversas gerações para além dos jovens, inclusive os seniors, que enxergam na vida em comunidade o potencial de diversão, troca e cuidado.

Não precisa mais ser hippie para morar nestes novos espaços residenciais.

  • Andrea Bisker é especialista em tendências e comportamento e responde pela operação da consultoria britânica Stylus em território nacional
    Veja também: styluscurve.com

 

 (Divulgação/CASA CLAUDIA)

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