O design de interação no Salão do Móvel de Milão

Espaços multifuncionais, responsivos e sensoriais do futuro surpreenderam o público da Semana de Design

O Salão do Móvel 2018, um dos eventos de design e décor mais importantes do mundo, agitou Milão em abril. Baseada nos destaques da feira, a consultoria britânica Stylus  elaborou um report com as principais oportunidades e tendências do evento. Achei tão inspirador que decidi dividir alguns insights com vocês.

Nesse primeiro post, vou explorar maneiras inovadoras de integrar a tecnologia em nossas casas de forma transparente. Durante o Salão, foi possível notar que o design de móveis e o de eletrônicos já começou a se fundir. Nas categorias de móveis, iluminação, têxteis, cozinha e banheiro, o design de interação foi bem utilizado por muitas marcas. Respondendo à presença humana, algumas instalações ofereceram ao público experiências estimulantes e ambientes relaxantes.

Um dos espaços mais interessantes foi o da Preciosa, grife tcheca de iluminação, que transformou o ato de soprar velas numa interação digital. Em uma sala fechada, pingentes de cristal respondiam à respiração dos visitantes por meio de um sensor que emitia luzes e sons. A natureza inesperada da interação foi aumentada pela lógica algorítmica: ao contrário de uma animação repetida, a luz seguia um caminho diferente a cada vez, fazendo com que o público, deslumbrado, experimentasse a instalação em várias oportunidades.

Na feira bianual EuroCucina, a marca sueca Electrolux apresentou um conceito exploratório de cozinha, o VisualGarden, que incorpora interações intuitivas ao ato de cozinhar. Os sensores de proximidade iluminam as portas do refrigerador e do forno e as abrem automaticamente com o toque da mão, minimizando interrupções e tornando a experiência o mais suave possível. O vídeo demonstra essa novidade. Aperte o play:

Uma exposição da Sony explorou como a tecnologia e o comportamento humano se inter-relacionam. Em Hidden Senses, os visitantes passavam por salas com uma série de surpresas. Entre os destaques, havia o espaço Echo, no qual um sensor detectava ações naturais, como movimento e toque. Em outro lugar, uma parede reagia ao movimento e respondia com luz, sombra, cores e formas. Fundamentalmente, a exposição procurou mostrar como as informações do dia a dia podem ser recebidas sem o uso de smartphones ou tablets.

Outra instalação linda, que me chamou a atenção, foi a Blooming Shades, do estúdio japonês Nendo. Persianas em forma de flor abriam e fechavam em reação à intensidade da luz ou à presença do público. As cortinas podiam ser programadas para fechar quando alguém entrava numa sala, aumentando a privacidade no lugar, e abrir se a pessoa se aproximasse das janelas, permitindo olhar para fora.

Essa interação também ficou evidente na estréia do Google na feira: para investigar como os dispositivos eletrônicos podem se tornar mais táteis no futuro, a empresa colaborou com Li Edelkoort, uma das principais trendforecasters do mundo, numa exposição em que seus mais recentes produtos de hardware foram apresentados em ambientes domésticos. Li pediu à designer holandesa Kiki van Eijk que produzisse têxteis exclusivos usando os gadgets do Google. Ela criou pequenas colagens que foram ampliadas digitalmente e depois tecidas em jacquard usando mais de 40 fios diferentes, incluindo mohair, algodão orgânico e fibras metálicas.

A trend hunter holandesa está por trás de Softwear, que aconteceu na galeria Rossana Orlandi durante a MDW

 (Divulgação/Google)

Acredito que veremos cada vez mais conceitos criativos para o lar responsivo — seja em mostras internacionais ou lançamentos futuros, pois todos nós gastamos muito tempo atualmente interagindo com a tecnologia, o que resulta em consumidores buscando ativamente produtos capazes de criar interações reais e interessantes no nosso ambiente.

  • Andrea Bisker é especialista em tendências e comportamento e responde pela operação da consultoria britânica Stylus em território nacional
    Veja também: styluscurve.com
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