Garimpo no Velho Mundo

Minhas viagens em busca de antiguidades acontecem em sua maioria na Europa, onde frequento leilões, feiras e lojas em geral – sempre atento aos detalhes

Arnaldo Danemberg

 (Divulgação/Arnaldo Danemberg Antiquário)

Há muitos anos, escolhi a Europa como destino para montar o acervo do antiquário. Pela variedade e qualidade, pela beleza das madeiras locais e pelo apuro do mobiliário. A Europa (com destaque para a Inglaterra e para a França) é o grande celeiro no ramo das antiguidades. Este ano, Londres foi meu primeiro pouso. Lá estava eu, mais uma vez, cara a cara com o mundo dos leilões, que conheço desde garoto, quando já acompanhava meu pai, Arnaldo Danemberg, pelo Rio de Janeiro, observando tudo atentamente.

Logo cedo, a especialização me fascinou. Sempre acreditei que um antiquário deveria ter seu foco voltado para um tema e uma época, seja o mobiliário, a porcelana ou os quadros, por exemplo. Cada segmento com seu expert, seu avaliador. Assim, fica mais fácil para todos confiar nas classificações. Eu, por exemplo, foquei no móvel brasileiro dos séculos 16 a 18. Fiz vários cursos com a papisa do mobiliário, a pesquisadora Tilde Canti e me tornei seu assistente em sua pesquisa sobre o século 20, o que me deu muita bagagem técnica.

Arnaldo Danemberg

 (Divulgação/Arnaldo Danemberg Antiquário)

Em Londres, meu destino são casas leiloeiras como Christie’s, Sotheby’s, Bonhams e Phillips, onde, acreditem, se vende de tudo. Da Inglaterra para Paris, um pulo. Nossa próxima parada foi o Hotel Drouot, um conjunto de salas num prédio ao lado da estação Richelieu-Drouot do metrô. Ali, é possível encontrar um pouco de tudo, seja em caprichados catálogos e ambientações ou nas vendas corridas, onde tudo é exposto de forma displicente, sem grandes explicações.

Lembro-me bem de uma linda cômoda francesa estilo Rococó, período Luiz XV, que descobri escondida num canto uma vez. Estava num estado que não dava para acreditar. Pensei que ia sair barato. Que engano! Como eu, muitos experts, bem atentos, já tinham notado sua presença. Saiu por uma fortuna! Essa, eu perdi…

 (Divulgação/Arnaldo Danemberg Antiquário)

Os leilões, as feiras e as lojas em geral são o grande motor propulsor do mercado de antiguidades. Participar desse jogo de garimpo é um aprendizado. Aos poucos, você aprende as manhas do negócio, os macetes. O maior segredo de todos é saber observar – e ficar atento ao entorno.

 

 (Divulgação/CASA CLAUDIA)

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