Opalinas: um lindo objeto de desejo

Esses cristais opacos encantam e dão valor ao décor com sua história

Minha casa paulistana, onde disponho as opalinas na mesa de jantar. Decoração: Lu Kreimer.

Minha casa paulistana, onde disponho as opalinas na mesa de jantar. Decoração: Lu Kreimer. (Rafael Barros/Arnaldo Danemberg Antiquário)

Nos meus garimpos pela Europa, alguns itens são permanentes no meu caderno de desejos: cavalos de carrossel, baús de navio, cadeiras de criança, cômodas em miniatura e objetos de ofício em madeira são alguns deles.

Nesta lista, as opalinas ocupam lugar de destaque. Quantas encontrar, eu vou comprar (podendo, é claro). Pelas feiras, leilões e casas particulares, meu faro sempre vai se direcionando para elas. Mesmo que estejam escondidas num canto de uma prateleira ou sob camadas de poeira, elas acabam atraindo a minha atenção e vindo à tona.

Depois de comprá-las, sempre passo um tempo com elas, um tempo de namoro. Ficam no meu depósito, esperando a vez de serem apresentadas. Olho, observo, vejo, revejo, curto cada detalhe, aprofundo o estudo da peça. Sinto-me na minha caverna de tesouros, naquela hora são só meus, preenchem meu mundo. Sei que em breve estarão disponíveis para um eventual comprador, levando a outra pessoa sua graça, sua importância, sua história.

O Art Nouveau e a delicadeza de seus movimentos, inspirados na flora, fechando o século 19.

O Art Nouveau e a delicadeza de seus movimentos, inspirados na flora, fechando o século 19. (Rafael Barros/Arnaldo Danemberg Antiquário)

As opalinas são fascinantes, tanto nas formas e texturas quanto na história que as acompanha. Esse nome serve para designar objetos de vidro ou cristal coloridos, levemente opacos. Feitos à base de sal, chumbo, potássio e óxido de estanho, eles nos remetem à opala nobre, pedra preciosa de brilho suave, mais ou menos translúcida.

As opalinas surgiram no final do século 18, quando os franceses tentaram imitar os cristais ingleses, muito respeitados e admirados pelo seu brilho. As primeiras peças ainda eram chamadas de “cristais de opala” e datavam do Primeiro Império Francês. Sóbrias, porém luxuosas, elas têm formas inspiradas na antiguidade greco-romana, ainda em voga na época, desde a descoberta de Herculano e Pompéia. Já a partir do reinado de Carlos X, as formas mais simples perderam seu rigor, tornando-se mais alongadas e flexíveis. Pouco a pouco tornaram-se mais curvas, mais baixas, seguindo a linha estilística do período Luiz Felipe até o de Napoleão III. As opalinas atingem seu apogeu e se tornam tendência na decoração, com destaque em lavatórios, castiçais, jarras, vidros de perfume, copos e outros objetos.

No auge da era Vitoriana, aparecem as opalinas mais leves, com bocas plissadas, ornadas em inspiração romântica com flores, pássaros e outros elementos da natureza. No final do século 19, acompanham a tendência naturalista do movimento Art Nouveau, mantendo toda a sua graça e encanto. Os primeiros fabricantes franceses foram os artesãos da Cristaleria Baccarat. Na sequência, outras fábricas começaram a produzir, como a St Louis, a Clichy e a belga Val St Lambert, entre outras.

Após um período de popularidade, as opalinas pararam de ser produzidas no início do século 20. Algumas fábricas lançaram objetos similares, mas feitos de materiais mais populares. Com o passar do tempo, as peças originais se tornaram preciosidades e ganharam valor. Moldadas com traços delicados de elegância, as opalinas dão um toque especial aos ambientes, trazendo história e beleza à decoração. Sobre uma mesa auxiliar, em uma vitrine ou mesmo sobre um aparador, elas podem ser expostas individualmente, aos pares ou em conjuntos.

Descobri-las durante minhas viagens sempre me faz mais feliz. Agora divido essa alegria com vocês. As peças a seguir fazem parte da minha coleção particular. Como podem notar, sou apaixonado pelas jarras!

 

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 (Divulgação/CASA CLAUDIA)

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