Sabia que a cômoda já foi um tipo de baú?

Quantos móveis temos em casa? Já paramos para pensar sobre eles? O que sabemos a respeito de cada um? Descubra mais sobre as cômodas neste post!

Na ambientação, a cômoda inglesa em madeira acetinada (nogueira), do período neo-clássico, final do século XVIII e início do XIX. Peça de apuro e requinte citadino.

Na ambientação, a cômoda inglesa em madeira acetinada (nogueira), do período neo-clássico, final do século XVIII e início do XIX. Peça de apuro e requinte citadino. (Divulgação/Arnaldo Danemberg Antiquário)

Esses móveis que nos rodeiam são testemunhas de toda a nossa vivência. Crescemos ao redor deles. Eles acompanham todo o cotidiano de nossa família, mudam-se conosco para outras casas em lugares distantes, são acrescidos à nossa história, outros são deixados para trás. São velhos companheiros….

Uma bela cômoda citadina francesa, em madeira especial chamada Orme. Na sua parte superior possui uma gaveta dissimulada, sem puxador, mas com entrada de chave. O tampo é de mármore de Carrara. Esta cômoda é do período Napoleão III, segunda metade do século XIX e hoje está fazendo bonito num hall paulistano.

Uma bela cômoda citadina francesa, em madeira especial chamada Orme. Na sua parte superior possui uma gaveta dissimulada, sem puxador, mas com entrada de chave. O tampo é de mármore de Carrara. Esta cômoda é do período Napoleão III, segunda metade do século XIX e hoje está fazendo bonito num hall paulistano. (Divulgação/Arnaldo Danemberg Antiquário)

Um móvel que particularmente me fascina é a cômoda. Segundo nossa mestra Tilde Canti, a papisa do móvel histórico brasileiro (autora de O Móvel no Brasil, da Editora AGIR), a cômoda “é uma evolução da arca” (também chamada de baú, quando o tampo é abaulado).

Com o passar do tempo, a arca foi adquirindo gavetas. Inicialmente duas na parte de baixo e, aos poucos, mais e mais gavetas e gavetões, até se transformar em cômoda. Como eu sempre digo, para dar mais “comodidade” na hora de guardar as roupas. Um móvel que, em princípio, foi feito para o quarto, com duas gavetas na parte superior e outros gavetões abaixo.

A cômoda francesa em falso bambu ou “faux bambou”, como dizem os franceses. Em linhas retas, seus gavetões são adornados com entalhes imitando o bambu. Influência chinesa na Europa, no Século XIX. A madeira é pinho de Riga e o tampo é de mármore de Carrara.

A cômoda francesa em falso bambu ou “faux bambou”, como dizem os franceses. Em linhas retas, seus gavetões são adornados com entalhes imitando o bambu. Influência chinesa na Europa, no Século XIX. A madeira é pinho de Riga e o tampo é de mármore de Carrara. (Divulgação/Arnaldo Danemberg Antiquário)

A cômoda acompanha o estilo de cada época. Temos cômodas barrocas, rococós, neoclássicas e por aí vai, passando por todo o século XIX e desembocando na primeira metade do século XX em duas importantes expressões estilísticas: o Art Nouveau e o Art Déco.

Interessante notar que na decoração atual a cômoda é muito usada nas salas, e isso já faz algum tempo. Sem a necessidade de estar em quartos, onde, em muitos casos, não temos mais lugar para elas, fazem bonito nas salas e no hall das casas. Vamos também prestar atenção nas cômodas miniaturas, que são para mim uma grande paixão. Tenho várias em minhas casas. A princípio usadas como modelo de marcenaria ou prova de exame, fizeram parte também das mobílias de bonecas.

A cômoda barroca portuguesa em castanho claro é do século XVIII, possui duas gavetas na sua parte superior e três gavetões em altura crescente, reparem bem. As pelas são em expressivo movimento e os pés em garra e bola. Os metais são todos autênticos, de época, coisa rara. Veio de Portugal para nossa terra Brasil.

A cômoda barroca portuguesa em castanho claro é do século XVIII, possui duas gavetas na sua parte superior e três gavetões em altura crescente, reparem bem. As pelas são em expressivo movimento e os pés em garra e bola. Os metais são todos autênticos, de época, coisa rara. Veio de Portugal para nossa terra Brasil. (Divulgação/Arnaldo Danemberg Antiquário)

Quanto à manufatura, elas podem ser palacianas (feitas para a nobreza e importantes personalidades, de um requinte e apuro bastante sofisticado, usando materiais caros); citadinas, feitas para o homem da cidade, o burguês, com esmero, mas sem a pompa palaciana; e, finalmente, campesinas, peças de fabricação local, do campo, em manufatura rústica, regional, mas ressaltando algo do estilo da época, seja por um entalhe aplicado, seja pela forma estrutural. Estas últimas são peças mais delicadas, ingênuas até, e sempre de boa cepa, feitas com capricho e, ao mesmo tempo, com uma informalidade própria do campo.

Eis a cômoda miniatura! Como eu gosto e aprecio. Francesa, em nogueira, manufatura citadina. Reparem que a parte de cima possui também uma gaveta dissimulada, mas com um pequeno puxador. Ela é de meados do século XIX, período burguês Luiz Felipe. Minha paixão!

Eis a cômoda miniatura! Como eu gosto e aprecio. Francesa, em nogueira, manufatura citadina. Reparem que a parte de cima possui também uma gaveta dissimulada, mas com um pequeno puxador. Ela é de meados do século XIX, período burguês Luiz Felipe. Minha paixão! (Divulgação/Arnaldo Danemberg Antiquário)

Neste mundo que tanto fascina, separei alguns exemplares que já tive, pela vida afora, a oportunidade de ter ou conviver. Espero que goste e aprecie. Veja os detalhes em cada uma ao longo do texto. E faça uma boa viagem neste universo do antiquariato e do mobiliário!

Veja também

 (Divulgação/CASA CLAUDIA)

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