Bambu Chic

O estilo casual dos móveis que imitam este material

A chapeleira francesa em “faux bambou”, século XIX, móvel bastante usado na entrada das residências para colocação de chapéus, casacos e guarda-chuvas. Na foto, ambiente do arquiteto Luiz Otávio Debeus na CASACOR SP 2018.

A chapeleira francesa em “faux bambou”, século XIX, móvel bastante usado na entrada das residências para colocação de chapéus, casacos e guarda-chuvas. Na foto, ambiente do arquiteto Luiz Otávio Debeus na CASACOR SP 2018. (Divulgação/Arnaldo Danemberg Antiquário)

Na nossa última coluna, fizemos um passeio por alguns ambientes da CASACOR SP em que a memória afetiva se destaca por meio de móveis antigos. Hoje, vamos partir de uma dessas peças, expostas na mostra, uma chapeleira francesa em faia imitando o bambu, daí a expressão “faux bambou”, ou falso bambu. Usada para colocar chapéus e casacos, ela geralmente fica na entrada das casas. E foi escolhida para compor o elegante “Cabinet Extraordinaire”, do arquiteto Luiz Otavio Debeus.

Desde meus primeiros tempos de antiquário e garimpeiro na Inglaterra, paro para admirar os móveis “faux bambou”, como eles são chamados na França, ou “faux bamboo”, na Inglaterra. São especiais porque se mesclam bem tanto em um ambiente campesino como em um citadino ou mesmo palaciano, conferindo singularidade e leveza.

Feitos de madeiras diversas, sobretudo a faia, o carvalho e as madeiras frutíferas, todas no tom de mel, mas também por vezes escurecidos em pintura, esses móveis possuem em sua estrutura recortes que imitam o bambu.

No mundo ocidental, sempre houve muita curiosidade e admiração pelo orientalismo. Com os móveis de bambu não é diferente. Enquanto os móveis originais de bambu já eram conhecidos na Índia e na China, foi só no século 19 que o Ocidente assimilou e adquiriu de maneira efetiva a nova moda, usando sua versão “faux bambou”, embora alguns exemplares já existissem no Ocidente desde o século 18.

Em razão de sua fragilidade, os móveis de bambu passaram a ser substituídos pelos móveis “faux bambou”, feitos com madeiras mais resistentes, mas mantendo a estética exótica e a durabilidade das peças de bambu.

Seu auge ocorreu na França, na Inglaterra e nos Estados Unidos na segunda metade do século 19, enquanto seu uso e fabricação ganharam força no início do 20. As feiras internacionais também ajudaram na sua divulgação. Móveis “faux bambou” começaram a decorar casas na cidade, na praia e na montanha. Em palácios, surgiam em jardins de inverno. Nas estruturas das peças e na decoração, percebemos influências tanto chinesas quanto japonesas.

Uma leveza transmitida pelo mobiliário, em contraponto a todos os “revivals” ou reedições de estilos anteriores que inundaram o século 19, em geral pesados e de gosto duvidoso tamanha a mistura de tendências numa só peça.

Conjuntos de sala de visitas, cadeiras para salas de jantar, aparadores diversos, mobília completa de quarto e varanda, tudo isso era fabricado em grande número na França, Inglaterra e Estados Unidos. E consumidas, vorazmente por uma burguesia ascendente.

No Brasil de hoje essas peças viraram objeto de desejo, porque têm um certo refinamento e dão um up em qualquer décor, com sua leveza e conforto. Um sinal de que a história permanece viva graças aos profissionais de arquitetura de interiores!

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 (Divulgação/CASA CLAUDIA)

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