5 edifícios para entender Lina Bo Bardi

Mergulhe nas propostas radicais da arquiteta

A italiana Lina bo Bardi conheceu o Brasil em 1946 e se apaixonou pela cultura do país. Seus edifícios incorporam muito do modernismo europeu daquela época, mas o temperam com a simplicidade da cultura popular deste lado do Atlântico. Eles revelam a preocupação da artista com valorizar e democratizar a cultura em um país marcado por contrastes e violência. Não à toa, os poucos prédios que Bardi construiu – não chegam a 20 – são hoje reconhecidos como uma das mais importantes contribuições do século passado para arquitetura mundial. Conheça abaixo seis construções de arquiteta que vale à pena visitar.

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Solar do Unhão, em Salvador, de 1964. Lina projetou o restauro dessas edificações do século 16, transformando o conjunto no Museu de Arte Moderna da Bahia. A equipe de obra consertou os imóveis e instalou em uma das salas uma magnífica escada de madeira inspirada em carros de boi. Um restaurante ocupa a antiga a senzala, enquanto a capela e o casarão principal recebem mostras. Os galpões foram transformados em uma escola de arte para a comunidade, cinema e espaço expositivo. Há ainda um jardim de esculturas (adicionado posteriormente) e uma pequena praia. Às 18h dos sábados, o museu recebe sessões de jazz, som perfeito para ouvir após contemplar o sol se pôr nas águas verdes da Bahia de Todos os Santos.

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Sesc Pompeia, em São Paulo, de 1986. Lina e sua equipe criaram um escritório dentro dessa obra de retrofit, onde trabalharam por nove anos. Os pedreiros descascaram as paredes dos pavilhões da antiga fábrica de tambores, o que expôs a estrutura de concreto armado, construída por um dos pioneiros do material, François Hennebique. Dentro, os arquitetos projetaram espaços de convívio, preservando os usos que os moradores já faziam dos edifícios. Também instalaram um teatro pouco convencional, com o palco ocupando o espaço entre as duas arquibancadas. Lina ainda projetou três torres de concreto para as quadras esportivas. Passarelas de concreto vencem os vão de até 25 metros entre elas.

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 (Divulgação/Instituto Bardi)

Casa de Vidro, em São Paulo, 1951. Essa morada se apóia levemente sobre colunas de metal no terreno, uma fazenda cuja grama rasteira Lina plantou e cultivou até criar uma floresta particular. A arquiteta tirou proveito do lote inclinado para criar uma casa-mirante, com amplas cortinas de vidro ocupando a fachada sul, onde ficam as áreas sociais. No centro da morada, um pátio preserva uma árvore original do terreno. Dormitórios e áreas de serviço ocupam a porção posterior, um bloco de concreto que se apoia diretamente sobre o terreno, como as casas caipiras brasileiras. Lina e seu marido Pietro Bardi moraram ali até o fim da vida; hoje o imóvel recebe um instituto e centro de cultura com o nome do casal.

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Teatro Oficina, São Paulo, 1994. O projeto de Lina e Edson Elito dissolveu as barreiras entre espetáculo, plateia e técnicos. O palco de madeira ocupa o centro do edifício, cujas paredes descascadas mostram a história da construção original. Uma grande cortina de vidro permite aos espectadores enxergar o movimentado Vale do Anhangabaú, incitando-os a não se distanciar da realidade durante as apresentações. Longa e estreita, a construção se comunica diretamente à rua, como se fosse mais uma via no bairro do Bexiga.

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Cavaletes de Vidro do Museu de Arte de São Paulo, 1968, 2015. O projeto expositivo do Masp subverte a lógica tradicional dos museus. As pinturas ocupam lâminas de vidro com base de concreto, na altura dos visitantes, ao alcance da mão. Não há hierarquia entre as obras, que neste ano foram colocadas lado a lado em ordem cronológica. O espectador decide onde começar e terminar o trajeto na pinacoteca de 2100 m². Os cavaletes foram instalados na inauguração do edifício e deixaram de ser usados em 1996. Voltaram ao Masp em 2015, e agora fazem parte da exposição semipermanente.

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