A casa criada por David Libeskind onde vive a artista Jac Leirner

A Associação Paulista de Críticos de Arte concedeu um dos prêmio de 2011 para Jac Leirner. Conheça a casa em que a artista viveu desde a infância e sua coleção de arte.

Em cima da mesa de centro do living da residência no Pacaembu, bairro tranquilo da cidade de São Paulo, uma pequena caixa de acrílico simboliza e explica a personalidade de quem mora ali. Dentro dela, há trabalhos de Cildo Meireles, José Resende e Tunga. Como um relicário, a peça ganhou moldura especial e guarda as lembranças da proprietária e artista plástica Jac Leirner. “São meus pares”, diz a paulistana, que foi casada com Resende e tem um filho com ele. Com Cildo e Tunga,descobriu a vida, deu risada, aprendeu. Nesta casa, onde o universo particular, a carreira e os amigos se misturam, Jac mora quase a vida toda.

Um pouco da infância de Leirner nesta casa

 

Ela chegou com 1 ano. E acaba de completar 50. A história começa muito antes. Em 1962, Jac se mudou com a família para a residência projetada por David Libeskind, arquiteto responsável pelo Conjunto Nacional, na avenida Paulista, entre outras encomendas particulares e públicas. O imóvel térreo tem sala, cozinha, três quartos,jardins extremamente bem cuidados e edícula subterrânea. “É arquitetura pura”, diz Jac, fã assumida do projeto.

Nesta casa, ela viu o pai, Adolpho Leirner, construir a maior coleção de obras do movimento construtivista e arte concreta do Brasil, hoje no acervodo Museu de Belas Artes de Houston, nos Estados Unidos. O trânsito de intelectuais era frequente, mas Jac gosta mesmo é de lembrar que andava de bicicleta na rua e brincava de pega-pega. “Eu tinha uma turma, me esgueirava pelo fundo das casas para chegar até a avenida Pacaembu”, lembra.

Com o crescimento da família, eles se mudaram para Higienópolis e Jac foi descobrindo aos poucos sua vocação. Percebeu que queria ser artista plástica. “Pensei em estudar arquitetura, mas tornei-me uma artista para construir coisas, sou muito paciente”, revela a canceriana, que estudou na FAAP e também deu aulas.

A carreira de Leirner

 

Conquistou o mercado brasileiro (e internacional) das artes plásticas quando era ainda muito jovem. Em 1982, aos 21 anos, fez sua primeira exposição individual. Em 1985, começou a montar Corpus Delicti, instalação com objetos furtados de aviões de carreira, como cinzeiros e mantas. Jac os uniu com uma corrente e simulou uma joia. Uma beleza roubada, diriam seus fãs. O garimpo terminou em 1993.

Em 1989, apresentou trabalhos da série Os Cem, feitos com notas de 100 cruzeiros furadas e presas em tiras de papel. No mesmo ano, mostrou Nomes, compostos de centenas de sacolas enfileiradas em uma parede. Em 1997, emoldurou cartões de visita em Foi um Prazer. O talento precoce encantou curadores e galeristas e algumas de suas obras estão no acervo de museus fundamentais, como a Tate Modern, em Londres, e o MoMA e o Guggenheim, em Nova York. No Brasil, é representadapela galeria Fortes Vilaça, com quem assinou contrato recentemente.

Sua visão particular sobre a sociedade de consumo conquistou fronteiras. E nunca parou de produzir. “Ser amador é apaixonante, mas um profissional precisa trabalhar, sem parar”, diz Jac, que confessa ser muito organizada. “Se entra uma peça de roupa, outra sai. Assim também faço com os livros”, revela. Exatamente neste ano em que celebra 30 anos de carreira, Jac se debruçou sobre a montagem de uma exposição retrospectiva e abrangente de sua carreira que ocupa todas as salas da Estação Pinacoteca, na região central da cidade, até o final de fevereiro.

Foram reunidos 60 trabalhos, entre esculturas, objetos, instalações e aquarelas, muitas inéditas. “Já expus de maneira retrospectiva, mas nunca numa situação institucional, ou seja, dentro de um museu. Estou muito feliz”, comemora Jac, que se envolveu completamente no processo e reproduziu a obra Hip Hop, que está no Guggenheim, em uma das salas da instituição paulistana. A curadoria é de Moacir dos Anjos.

Olhar para trás também fez Jac olhar para as paredes de sua casa e perceber que os amigos com quem ela trocou obras no início da carreira são os grandes representantes da geração que explodiu na década de 1980 e se consolidou no mercado. Leda Catunda, Sérgio Romagnolo, Luiz Zerbini, Carlito Contini e Leonílson(1957-1993) são apenas alguns deles. “Todos estão aqui”, vibra Jac. Não pode existir pessoa mais feliz do que aquela que está cercada pelos amigos.

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