À sombra do Cristo, casa une essência moderna e contemporânea

A fachada preservada da casa desenha o traço elegante da década de 1950, época em que foi construída, enquanto o interior reformado é exemplar da estética do século 21.

A história começa com um daqueles acasos raros. Saindo de um almoço na casa de uma amiga, no alto do Jardim Botânico, a designer Daniela Nery ficou imaginando o quanto gostaria de garimpar um endereço por ali. Era um fim de tarde gostoso, flamboaiãs pontuavam o caminho e havia a vista estonteante do Cristo Redentor a cada curva. Um privilégio. Quando, logo depois, ao virar uma esquina, deparou com um imóvel de fachada interessante de estilo modernista, mas com ar abandonado, resolveu investigar se ele estaria disponível nos sites de imobiliárias.

“Não sei por que razão, mas tive um pressentimento que o encontraria nos classificados, à venda”, conta ela. E foi exatamente o que aconteceu. Entusiasmada, conseguiu marcar uma visita para o dia seguinte e, quando cruzou a porta do imóvel de 800 m², divididos em três pavimentos, o coração bateu forte: era exatamente o espaço com que sonhava para sua família. “Tenho uma filha pequena, a Luiza, agora com 8 anos, e senti que aqui ela seria bem feliz. Teria uma infância mais pé na terra, com árvore no quintal e lugar de sobra para brincar e correr. Um pouco como eu, que nasci em Teresina e vim para o Rio há 18 anos”, reflete.

A próxima etapa começou assim que a escritura foi assinada, quando Daniela, acostumada a desenhar móveis para sua empresa, a Loc Design, passou a definir a planta. “Mantive a casca, as aparências, digamos assim. Mas quebrei muitas paredes internas, na área social, e a antiga garagem foi promovida à sala com direito a uma cozinha gourmet. Queria muita luz, integração e vista. Para isso, tive que encarar uma obra pesada, que durou quase dois anos”, diz ela.

Quando a estrutura ficou pronta, veio a parte mais saborosa: escolher cada peça da decoração, toda feita por ela, que desenhou grande parte do mobiliário, incluindo sofás, bancos e marcenaria. “Adoro branco e azul. Não é à toa que esses tons prevalecem em todos os ambientes, pontuados com o mel da madeira”, revela. A cor mais definida aparece nas almofadas e, principalmente, na coleção de obras de arte, que Daniela vem montando aos poucos. “Virei frequentadora de galerias e estou adorando esse universo. Sempre que viajo, trago alguma coisa diferente. Isto aqui é uma obra aberta”, brinca.

Agora, depois de completar um ano ali, ela considera que o resultado está bem próximo do que imaginava, com muita personalidade e vida. “Sinto que os ambientes são convidativos e sem frescura. Uma casa para relaxar, com criança correndo, amigos por perto e descontração. Há dois pavimentos sociais, cercados de jardins, com piscina, que usamos muito. E, na área mais íntima, os quartos são bem espaçosos e confortáveis. O problema é, agora, ter vontade de sair de casa. Brincamos que aqui, no alto da montanha, tudo é mais tranquilo, verde e bonito. E o Cristo está de olho…”

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