Conheça as criações da arquiteta Zaha Hadid

A iraquiana, radicada na Inglaterra, é autora do Centro Aquático das Olímpiadas de Londres.

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 (Divulgação/Zaha Hadid Architects)

Ícone da arquitetura contemporânea, a arquiteta e designer Zaha Hadid, iraquiana radicada em Londres, esteve no Brasil para participar da segunda edição do Arq.Futuro, encontro dedicado ao debate da arquitetura, realizado no Rio de Janeiro. A fluidez de formas e a inovação são as marcas do trabalho de Zaha, primeira mulher a vencer o Prêmio Pritzker de Arquitetura, em 2004, e admiradora declarada da obra de Oscar Niemeyer. Apaixonada por moda e design, a arquiteta já criou peças para a Louis Vuitton e para a brasileira Melissa e mantém uma duradoura parceria com a empresa de mobiliário Sawaya & Moroni, com sede em Milão. Na passagem pelo Brasil, ela falou com a jornalista Constança Sabença.

Você é responsável pelo projeto do Centro Aquático das Olimpíadas de Londres. Em 2016, o Rio de Janeiro sediará as Olimpíadas. Do ponto de vista do espaço urbano, quais são as principais preocupações para receber um evento deste porte?

ZH: O mais importante é não tratar os projetos das estruturas criadas para as Olimpíadas de forma isolada. É preciso pensar no entorno, construir escolas e casas próximas à área. A arquitetura precisa contribuir para o evento esportivo, mas também socialmente para a cidade. No Brasil, acho importante criar espaços em que muitas pessoas consigam assistir aos jogos. Será uma oportunidade e uma grande experiência para o país pesquisar, investigar e implementar projetos de infraestrutura aproveitando este momento.

Você costuma falar sobre a influência de Oscar Niemeyer em seu trabalho. Como essa influência se aplica em seus projetos?

ZH: Minha primeira influência vem da vanguarda russa. Do grandioso trabalho de Niemeyer, tiro inspiração do uso do concreto com plasticidade, da inclusão do projeto na topografia e da ideia de abstração. Niemeyer ajudou o Brasil a se distanciar do colonialismo e atingir uma nova identidade. Ele é o precursor de uma geração de arquitetos, da qual também faço parte.

Você foi a primeira mulher a receber o Prêmio Pritzker de Arquitetura, em 2004. A expressão “a primeira mulher” a incomoda? E por ser mulher, enfrentou dificuldades no mercado?

ZH: Sim, incomoda. Enfrentei preconceito por ser estrangeira e por ser mulher. A sensação que tenho é que é difícil para os homens ver uma mulher fazendo sucesso na arquitetura, ainda mais com um trabalho ousado. Mas não quero generalizar, até porque essa resistência tem melhorado nos últimos tempos.

Você assina o desenho de uma sandália para a marca Melissa e de uma bolsa para a Louis Vuitton. Você se interessa por moda? É possível enxergar uma conexão entre moda e arquitetura?

ZH: Eu me interesso muito por moda. É uma maneira de expressar minhas ideias de uma forma diferente. E, claro, existem algumas similaridades entre arquitetura e moda: ambas atendem a uma função e passam por um processo parecido de escolha de materiais, texturas e recortes.

Como funciona sua parceria com a rede de mobiliário Sawaya & Moroni, de Milão? Você tem liberdade criativa?

ZH: Eu faço o que eu quero. (risos) Na verdade, faço muitos desenhos e alguns projetos passam por algumas adaptações posteriores, porque nem sempre é possível prever como um material vai se comportar. É um parceiro muito interessante porque eles usam muita tecnologia. Podem construir com o mesmo material um carro ou uma mesa.

Tanto na arquitetura como no design, seu trabalho busca as formas fluidas. De onde vem a inspiração?

ZH: Trabalho sempre da mesma forma. O cliente tem uma demanda, uma necessidade, e nós a preenchemos com o nosso repertório. Por isso, tudo tem o meu estilo. Desenhar pequenos produtos é muito importante para mim. É uma forma de experimentação e as peças são mais rápidas de executar do que os grandes projetos de arquitetura.

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