Conheça o apartamento do designer italiano Giulio Cappellini

Metragens generosas e peças assinadas já são esperadas na casa de um grande nome do design contemporâneo. Mas o italiano Giulio Cappellini foi além.

A moradia de uma grande referência do design tem a obrigação de ser um espetáculo. E o apartamento do italiano Giulio Cappellini, em Mariano Comense, no norte de Milão, cumpriu a missão. Percorrer seus ambientes é como deixar-se levar pelos meandros de uma galeria de arte. Vê-se: cada escolha foi pensada e reflete o gosto sofisticado do morador. O impacto que os móveis descolados e atraentes provoca junto às obras é fruto de uma reformulação que Cappellini empreendeu com a ajuda de um amigo igualmente competente e consagrado: o arquiteto Piero Lissoni. Juntos, eles redesenharam o espaço em que o grande protagonista é o mobiliário – não apenas pela beleza mas também pelo jogo de desproporções que cria nos ambientes.

Grandes vasos lilases perfilam-se em frente à luminária branca agigantada. A brincadeira continua com a escultura do artista americano Peter Anton, que exibe na parede uma caixa de chocolates em escala surreal. A escolha de uma base neutra no piso de pedra, nas paredes e nas cortinas brancas reforça as desproporções e faz com que os 500 m² do apartamento pareçam ainda mais espaçosos.

Desenhados por nomes como Ingo Maurer, Achille Castiglioni e Ron Arad, além de profissionais e artistas italianos, os móveis e demais peças criam ainda um interessante paradoxo. Se é indiscutível a pureza dos elementos que compõem os ambientes, não há como classificar o estilo que se desenhou em cada cômodo. Minimalista? Melhor não arriscar, já que à base neutra e às vastas áreas livres de circulação contrapõem-se peças e móveis de formas originais, de curvas exuberantes, de cores primárias, de visual impactante. As tonalidades, é claro, cumpriram um papel importante nesse redesenho, com predominância de azuis, vermelhos e amarelos, como mostram as três S-Chairs, de Tom Dixon, na sala de jantar. Cappellini se interessa pelos efeitos intensos que produzem as cores, consideradas por ele formas essenciais e decisivas para o design.

Somados todos esses fatores, reafirma-se a primeira impressão: a atmosfera é mesmo de galeria de arte. E, por isso, tem-se a sensação de que o lugar nasceu para ser apenas contemplado. Mas é um engano. Além do próprio Cappellini, vivem no apartamento sua mulher e os três filhos. Com a reforma, a intenção foi criar uma casa que, a despeito de sua inequívoca face contemporânea, fosse também funcional e prática, objetivo alcançado graças aos armários e gaveteiros que cobriram discretamente algumas paredes. Assim, tudo ficou em perfeita ordem. Só mesmo um profissional do porte de Cappellini podia chegar a uma equação que combinasse conforto e estética com tanta elegância. E fizesse disso um espetáculo.

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