Estética vintage marca a decoração de uma cobertura em SP

Antonio Ferreira Jr. e Mario Celso Bernardes se inspiraram nas revoluções estéticas das artes, do mobiliário e da literatura para projetar uma cobertura.

 

“Forma. reforma. disforma. transforma. conforma.informa. forma.” As paredes deste apartamento dúplex poderiam ter recebido as reuniões do Noigandres, grupo de poetas formado em 1952 pelos irmãos Haroldo e Augusto de Campos e Décio Pignatari, e que mais tarde contou com a participação de Ronaldo Azeredo e José Lino Grünewald (esse último o autor do poema que abre o texto). O grupo criou o movimento da poesia concreta no Brasil, livre de excessos, pura na forma e revolucionária em sua época. Criativos e inventivos, os poetas foram referência a seus contemporâneos e também inspiraram (e vice-versa) as artes plásticas, o design de interiores e a música, tendo alcançado o auge na década de 1960. É mais ou menos o que aconteceu neste projeto executado pela dupla de arquitetos Antonio Ferreira Jr. e Mario Celso Bernardes. Encantados com a estética do mobiliário e da arte de uma fase brasileira extremamente original, os profissionais sugeriram aos clientes que a decoração de interiores seguisse uma estética limpa, sem ser totalmente retrô, com marcenaria primorosa e muitas obras de arte.No living, o tapete geométrico da Punto e Filo,com extensão de 11 m, faz uma bela parceria com as paredes de cor chumbo-café para hospedar uma seleção de móveis de design nacional e telas de artistas plásticos igualmente reverenciados, como Arcangelo Ianelli (1922-2009), Roberto Burle Marx (1909-1994) e Judith Lauand. Os sofás em tons variados de cinza são da italiana Minotti. A porta de entrada, o aparador e a caixa da lareira são de madeira pau-ferro, os dois últimos revestidos pela Madeirart a pedido dos arquitetos. Para provocar unidade ao espaço, duas peças raras estão bem no centro do ambiente: uma mesa de caviúna e uma luminária original de época. No quarto do casal, um executivo do mercado financeiro e uma psicanalista, os arquitetos revestiram uma das paredes com um papel dinamarquês geométrico que enaltece a pequena escrivaninha criada por Joaquim Tenreiro. “Agora, a casa tem a nossa alegria,a nossa cor e a nossa temperatura”, diz Claudia Barroso, proprietária, que gosta de receber os amigos para jantar, conversar e apreciar as artes. Como fariam os poetas concretos, sempre cercados de ideias, inspirações e muito movimento.

 

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