Novo Television Centre, em Londres, revoluciona o jeito de morar

Como o icônico prédio do Television Centre, ex-QG da BBC, foi transformado no coração da pulsante revitalização da zona oeste de Londres, unindo residências, escritórios e estúdios de TV

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(Londres, BR Press) — Pelas suas instalações em forma de turbina nuclear, carinhosamente chamadas de “donut” dada a forma arredondada, já passaram todo tipo de celebridades – a Rainha Elizabeth, que completou 90 anos esta semana, era habitué, pois, quando não havia links de transmissão, era do Television Centre, QG da BBC e maior estúdio de TV que já existiu no mundo (400 mil m2), que Sua Majestade fazia seus pronunciamentos. Muita coisa, no entanto, mudou desde os anos 60 até 2012, quando o complexo, encravado no oeste de Londres, numa região não muito amigável conhecida como White City, foi vendido para a empreiteira Stanhope por £200 milhões (a bagatela de R$ 1 bilhão).

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Começa então todo um projeto de revitalização da área com a ascenção de um tipo de empreendimento que parece traduzir o jeito de morar, trabalhar e se divertir na pós-modernidade verticalizada das grandes cidades: tudo ao mesmo tempo agora. O novo Television Centre, reinaugurado oficialmente neste sábado (23/04), mescla residências, escritórios, clube-hotel privê (Soho House), uma sala de cinema exclusiva para membros, academia com piscina olímpica, lojas, cafés, restôs, e, inclusive, estúdios da BBC – que apesar de ter transferido a maioria de suas operações para outro local, resolveu manter presença no prédio com a BBC Studios and Post Production e BBC Worldwide. Estas usinas criativas voltam às instalações totalmente reformadas no Television Centre em 2017.

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Morando no escritório

Teve mais gente que não resistiu à ordem de abandonar a meca da televisão e, como bom filho, voltou à casa, apesar dos preços pouco convidativos de um imóvel no TC: os 950 apartamentos residenciais começam em £700 mil (R$ 3.600 milhões, o estúdio) e podem chegar a £ 7 milhões (R$ 35 milhões, a penthouse). Um desses apegados seria um ex-executivo da BBC, que teria comprado um apartamento onde, antes, estava seu próprio escritório. Foi o que o ex-zelador Mike Eaton, que trabalhou no TC por 39 anos, contou à reportagem do New York Times, listando saudosamente nome por nome famoso que viu entrando e saindo do prédio.

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“Quisemos preservar essa mistura de arte e cultura popular que o prédio abrigou no novo empreendimento”, diz o arquiteto Paul Monaghan, diretor da renomada firma AHMM, responsável pelo projeto de renovação. Ah, se as premissas do Television Centre falassem! “Pena que o bar e os restaurantes originais não foram mantidos. Só o que ficou foram lembranças de encontros improváveis com gente tão diversa quanto interessante, desde o elenco do Monty Python até um figurante vestido de extraterrestre para um episódio de Doctor Who [produzido e gravado no TC, no anos áureos da série]”, relembra o ex-zelador. 

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Arte e objetos

De resto, quase tudo foi mantido em seu lugar no prédio – listado como Grade II pelo National Heritage List for England (NHLE), órgão que define o que é patrimônio histórico no país, ou seja: não pode ser modificado. Foram preservadas as linhas industriais da construção, projetadas pelo arquiteto Graham Dawbarn, e alguns elementos originais, como a estátua de bronze de Hélio, deus do sol na mitologia grega, e um celebrado mural do artista John Piper, reluzindo na recepção. Hélio foi retirado para restauração e deve voltar ao pátio térreo da rotunda, disputando atenções com uma fonte. A estátua, aliás, é esperada pelos decoradores como que um talismã, para trazer dias mais quentes à ainda geladinha primavera britânica.

Mas o símbolo da preservação de um prédio com tanta personalidade e história são os “atomic dots” – pontos brancos que marcam a fachada principal do que era o Studio One. O relógio original da BBC também foi mantido. Já o telhado com cobertura de vidro volta repaginado como um lounge gourmet para residentes, de onde se vê Londres a seus pés ou na linha do olhar, encontrando a ponta do espigão The Shard, da BT Tower (torre da British Telecom, cujo topo gira 360 graus – uma sensação vertiginosa já experimentada por esta repórter, numa festa, durante as Olimpíadas 2012) e a London Eye.

Tudo a 10 minutos do centro de Londres de metrô e a uma caminhada do Westfield (o maior shopping do Reino Unido). O aspecto comercial do prédio e a rudeza das cercanias foram suavizados por novos jardins que mais parecem um parque,  criados pelos premiados paisagistas do Gillespies – e que, aliás, incluem uma passagem para o Hammersmith Park. Não que estas comodidades sejam as únicas razões pela quais o Television Centre é tão valorizado: “Trata-se de um lugar cativo na história social, afetiva e cultural dos britânicos, que será reaberto para o público de maneira totalmente inusitada”, diz arquiteto Paul Monaghan. Para o gerente-diretor do TC, Alistair Shaw, “o  importante é  manter o espírito criativo vivo”. Ou ao vivo, aproveitando o jargão da televisão.

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