Os arquitetos do escritório Triptyque viajam para Veneza

De malas prontas para ir a Veneza receber um prêmio da Associação Italiana de Arquitetura e Crítica, os jovens arquitetos do escritório franco-brasileiro Triptyque declaram sua paixão pela natureza e pelo modernismo brasileiros e falam do projeto que  rendeu a eles a homenagem.

 

Carolina Bueno, Grégory Bousquet, Guillaume Sibaud e Olivier Raffaelli. Uma brasileira e três franceses. Eles se conheceram na Ecole Nationale Supérieure d’Architecture Paris Val de Seine, na França. Em 2000, recém-formados, decidiram se mudar para o Brasil e montar um escritório juntos. Hoje, o Triptyque possui não só a sede na capital paulista como também um ponto na Cidade Maravilhosa, outro em Paris e está entre os mais festejados escritórios de arquitetura do país. A marca do grupo é a inovação e a interação com a natureza. Com diversos prêmios e exposições na bagagem, este mês os quatro profissionais embarcam para Veneza, na Itália, onde acontecerá a Bienal de Arquitetura de Veneza. Lá, receberão uma homenagem da Associação Italiana de Arquitetura e da Crítica (Aiac). O Triptyque foi considerado por eles uma das maiores agências internacionais de arquitetura fora do chamado Star System.

A Aiac destacou o projeto paulistano da rua Francisco Leitão. Foi uma surpresa por ser uma obra de 2012? 

Isso mostra que os projetos têm vida longa. Gostamos muito desse edifício, pois aprendemos com ele. O terreno, de 10 x 50 m, apesar de ser um lote comum em São Paulo, é muito difícil de trabalhar. E, ao aplicar os recuos exigidos pela lei, sobra uma faixa de apenas 4 m de largura para construir. Ou seja, o Leitão é praticamente uma vela de concreto e vidro, com 25 m de altura. Nos encantamos também pelo programa, pois é um prédio de uso misto, com lojas e escritórios. Essa proposta permite maior integração entre a cidade e seus moradores.

Como foi pensada a fachada lateral de vidro?

O cliente fez um único pedido: evitar a vista para o cemitério, na fachada que recebe o sol. Juntamos a isso a vontade de aproveitar a extensão lateral para criar uma forma de comunicação com a cidade. A ideia foi bolar um filtro visual, com blocos de vidro leitoso e transparente, de forma contemporânea. De dia, quem está dentro consegue perceber o verde de fora. À noite, quem passa na rua observa que há vida lá dentro. O efeito da luz é magnífico; uma luz de catedral, suave. 

Vocês afirmam que, apesar de serem quatro, formam uma unidade. Como funciona esse processo criativo?

A criação é sempre entre os quatro desde a faculdade. Não é econômico, mas é supergostoso. Esse fato pressupõe uma maneira diferente de pensar a arquitetura. Falamos muito antes de desenhar. Usamos muitas vezes referências que vão de uma pintura até uma música, um filme, enfim, cada um traz um universo para a conversa e juntos formatamos um pré-projeto. O resultado, a princípio, é um pouco esquisito, porque temos muitas ideias. Mas pouco a pouco ele se define melhor. Depois, por questões de eficiência, tem um que vai cuidar do projeto.

Que referências permeiam a criatividade do grupo?

Lina, pela sua linha de pensamento e pelo brutalismo. Oscar, pela liberdade do traço e pela personalidade de sua obra – ele inventou a curva no modernismo. E Paulo Mendes, com suas retas fantásticas. E tem uma inspiração, que talvez seja a primeira, que é a natureza do Brasil. Foi um choque ao chegar ver que o verde está por todos os lados nas ruas. As árvores perfuram as calçadas, querem seu canto, seus direitos. Descobrimos a importância dessa natureza, sua beleza e agressividade. 

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