Por dentro da casa-ateliê do artista Joelson Gomes, em Recife

O artista pernambucano vive com a família envolto em arte e poesia, na casa onde tudo é feito à mão


“Já fostes algum dia espiar do alto do Engenho Trapuá?”, diz o poema de João Cabral de Melo Neto (1920-1999) estendido como uma cortina no hall de entrada. O texto é uma inspiração para as criações de cerâmica de Joelson Gomes, que ficam espalhadas pelos ambientes. Nascido na zona da mata pernambucana, Joelson traz em sua trajetória uma lista de exposições e participação em salões de artes. Mas é sua casa que espelha o que de mais importante ele vê no conjunto de sua obra: o ser humano. Daí escolher para morar e trabalhar, há 12 anos, um lugar carregado de histórias, o bairro do Poço da Panela, um antigo povoado dos arrabaldes do Recife. Na rua de paralelepípedos, a casa de muro baixo está sempre de portas abertas. É o convite subtendido de Joelson, da esposa, Ana, e do flho, Juca, para um bolo fresco e um café quente, sempre à mesa, para quem chegar.

Artefatos de barro viram arte

 

“A cerâmica é uma preparação para a vida”, diz Joelson ao descrever seu trabalho. Fala, sobretudo, da experiência na Olaria Ocre. Ao lado do também artista Manuel Dantas Suassuna e da fotógrafa Roberta Guimarães, Joelson ocupou a Olaria do Baixinha, em Tracunhaém, a 72 km do Recife. Lá, ele instalou um ateliê-residência. Ao fazer isso, se apropriou de objetos utilitários, como pratos, jarras e potes produzidos pelos oleiros. Em seu trabalho criativo, por exemplo, as moringas (ou quartinhas, como se diz em Pernambuco), tão necessárias para a armazenagem da água, foram tampadas. Outras vezes, emendadas umas às outras, tornaram-se pêndulos. Perderam assim a razão de existir como utilitário e viraram obras de arte. “Eu gosto de pensar em novas leituras paras os objetos, que, por causa da necessidade do homem, já existem no mundo”, diz Joelson.

 

Comentários

Olá,

* A Abril não detém qualquer responsabilidade sobre os comentários postados abaixo, sendo certo que tais comentários não representam a opinião da Abril. Referidos comentários são de integral e exclusiva responsabilidade dos usuários que escreveram os respectivos comentários.