Por dentro da casa do músico e compositor Nando Reis

Quando Nando Reis está em São Paulo, não quer sair de casa. O imóvel dos anos 1940 guarda suas memórias e referências pessoais.

A rotina desta casa em nada lembra o refúgio de um homem que mora só. O corre-corre diário dos filhos enche os ambientes de vida mesmo quando o pai, o músico e  compositor Nando Reis, está viajando para cumprir uma agitada agenda de shows pelo Brasil. “Um terço dos anos fico fora, em hotéis a trabalho. Quando estou em São Paulo, não tenho vontade de sair de casa – nem preciso. Eu acho minha casa linda, o projeto, o jardim, os móveis, os quadros…”, diz Nando, que se mudou para o novo lar há dois anos e meio, mas confessa que parece estar ali há décadas.

A escolha do imóvel

 

Foi pensando no estilo de vida de seu cliente que o arquiteto Paulo Alves opinou, inclusive, na compra deste imóvel: um lugar espaçoso, da década de 1940, em um bairro na zona oeste paulistana. “Na verdade, o projeto começou antes mesmo de esta casa existir para o Nando. Quando ele me chamou para olhá-la, eu aprovei de imediato, pois era no bairro que ele desejava e numa rua sossegada, além de ser enorme, com recursos de todos os lados”, explica o arquiteto.

Preservando a riqueza do imóvel original

 

A vivacidade dos ambientes vai além das pessoas que lá moram. Um dos principais critérios que permearam o projeto foi a preservação da memória. “O Nando viu muitas qualidades nos acabamentos, que lhe traziam lembranças da infância, como o revestimento canjiquinha e os mármores. Ele queria manter esse traço, por isso fez algumas pesquisas e descobriu que o imóvel pertenceu a um empresário do café no século passado”, conta Paulo. Para reverenciar essa memória, o arquiteto optou por preservar vários detalhes da construção antiga. Algumas paredes foram descascadas e hoje exibem os tijolos assentados na época em que foram erguidas. O guarda-corpo de ferro da escada, em estilo barroco, foi outra bela herança mantida, que se contrapõe à dureza do concreto, uma textura nova e presente em todo o andar térreo. Na área externa, os pés de café plantados no corretor lateral aludem ao passado da casa e o frondoso jasmim-manga – na verdade duas árvores que se entrelaçaram com o passar do tempo – foi mantido e recebe quem chega da rua com suas flores de duas cores e aroma delicado.

Paredes demolidas, ambientes integrados

 

Nando Reis também faz questão de conviver com sua própria história. Há um pouco do músico por onde se olha. Desde o jardim, com plantas escolhidas a dedo por ele, um fã de botânica, até as coleções de discos de vinil, CDs e as inúmeras telas e objetos de arte que se espalham por todos os ambientes. Outro desejo do proprietário era ter uma casa integrada, quase sem paredes e muito iluminada. “Apesar de morar sozinho, ele gosta de promover reuniões entre amigos e a família, por isso, eu tinha o desafio de fazer um projeto confortável para esses eventos”, diz Paulo, que usou muitas caçambas para remover todo o entulho resultante das paredes demolidas. Mas, em meio ao quebraquebra, surgiu uma surpresa nada agradável que obrigou o arquiteto a pensar rápido. A casa tinha somente um pilar, o que comprometia a  sustentação com a retirada das paredes. A solução criativa foi lançar mão de um reforço estrutural de concreto aparente, que se tornou a linha mestra do projeto percorrendo todo o andar térreo.

Mobiliário inspirador

 

Quanto ao mobiliário, um dos destaques é o móvel de alvenaria da sala de estar. “Essa peça tem muitas funções: divide o hall da sala, determina onde fica o sofá, serve de aparador e torna-se uma mesa de centro. Aproveitei a mão de obra, muito caprichosa, para executa-la”, conta Paulo. Mas o item principal da decoração é a mesa de jantar, que comporta confortavelmente dez pessoas, graças às suas generosas medidas – 3,20 x 1,40 m. O centro da casa é ali, onde a Nando se reúne com os filhos para divertidos  almoços e jantares. Criada por Paulo Alves, a mesa rústica de madeira faz um conjunto contrastante com o lustre de Murano, trazido pelo músico de uma viagem à Itália. As cadeiras, do designer Aristeu Pires, foram sugestão  do arquiteto a Nando, que testou as peças e aprovou. E, por fim, foi escolhida a cor dos muros, que chamam a atenção na vizinhança. “Como o morador é um poeta, precisávamos de um tom inspirador”, brinca Paulo. O escolhido, um rosa marcante, harmoniza docemente com o exuberante verde do jardim. Com tantos detalhes sensíveis, que despertam emoções, esta é uma casa de coração, um cenário perfeito para o descanso e propício para a criação de lindas canções.

Comentários
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  1. Renata Vicentini

    Decoração é algo muito particular, né? Não gostei de quase nada. Gostei do guarda corpo em ferro e da área externa…

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