As luminárias delicadas e poéticas da designer Sabine Marcelis

Em suas criações, a luz atravessa superfícies sólidas e materiais inertes ganham um brilho quase sobrenatural. Confira a entrevista exclusiva com a designer

Olhar sensível, veia poética, paixão pela ciência: esse é o arsenal de Sabine Marcelis, designer holandesa criada na Nova Zelândia. Desde que voltou à Europa, Sabine se atirou na proposta estética de materializar a beleza das paisagens que povoaram sua infância. Mas se enganou quem esperava dela uma rendição à pureza original do artesanato neo-zelandês.

 (Divulgação/Studio Sabine Marcelis)

Para aprisionar o brilho da natureza guardado na memória, ela recorreu à tecnologia. Em suas criações, a luz atravessa superfícies sólidas e materiais inertes ganham um brilho quase sobrenatural. “Busco certa magia para fazer da realidade uma experiência inesperada.” Confira a nossa entrevista com a designer:

CC: Você utiliza elementos muito sutis, como luz e vidro. Por que escolheu trabalhar com a leveza?
SM: Meu trabalho sempre decorre do fascínio por algo. Ultimamente, esse encanto tem sido manipular a luz. Os materiais que permitem essa interferência, por sua transparência e qualidades reflexivas, são os mais interessantes. Por isso, escolhi resina e vidro.

Luminárias de piso Voie (25 x 8 x 32 cm e 25 x 8 x 42 cm), com lâmpada tubular de vidro e neon sobre suporte de resina de poliéster polida. Por 1,3 mil dólares, cada uma, na Matter.

Luminárias de piso Voie (25 x 8 x 32 cm e 25 x 8 x 42 cm), com lâmpada tubular de vidro e neon sobre suporte de resina de poliéster polida. Por 1,3 mil dólares, cada uma, na Matter. (Divulgação/Studio Sabine Marcelis)

CC: Qual é a relação entre a tecnologia e a natureza em seu trabalho?
SM: Sou influenciada tanto por fenômenos naturais quanto pelas tecnologias atuais. Novas invenções, relacionadas aos processos de produção, me emocionam e permitem levar meus projetos sempre além. Porém a natureza é uma influência grande e permanente. Cresci em meio às montanhas e ao oceano, na Nova Zelândia. A forma como a luz do céu, o mar e os picos nevados se comunicavam para criar momentos belos e fugazes sempre será uma inspiração para mim. São esses instantes que tento capturar quando crio. Quando você usa luz e cor, os objetos nunca serão estáticos. Eles estarão sempre mudando, à medida que você se move em torno deles.

Pendentes circulares (1 x 1 m) de vidro, resina e Hi-Macs (composto mineral), da série filter, desenvolvida para a Baars & Bloemhoff. Preço: 7,5 mil euros.

Pendentes circulares (1 x 1 m) de vidro, resina e Hi-Macs (composto mineral), da série filter, desenvolvida para a Baars & Bloemhoff. Preço: 7,5 mil euros. (Divulgação/Studio Sabine Marcelis)

CC: Há um retorno do maximalismo no design. Como você vê isso?
SM: Meu interesse são formas simples, que destaquem as propriedades do material. Posso apreciar o maximalismo, mas não trago para o meu trabalho. O formato final de cada projeto é definido pelos efeitos ou pelas propriedades do material que desejo enfatizar. Gosto de pensar que minhas peças são “funcionalmente decorativas”.

CC: Se tudo fosse possível, como em um filme de ficção científica, como seria sua casa no futuro?
SM: Estou reformando uma antiga fábrica para morar, junto com meu namorado, que é arquiteto. Ou seja, sou confrontada a todo momento com essa questão. Infelizmente, ao contrário da ficção, nós temos limites. Para mim, a parte mais importante de uma casa é o banho – estar na água é
o melhor! Então, se eu pudesse tudo, gostaria de construir a mais pirada das mansões submarinas!

 (Divulgação/CASA CLAUDIA)

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