Baba Vacaro fala sobre a obra de Sergio Rodrigues

A designer organizou, com Fernando Mendes, o livro Sergio Rodrigues/Designer, lançado recentemente para falar da importância do mestre no design de móveis

 (Divulgação/Bei Editora)

O livro Sergio Rodrigues/Designer, da Bei Editora, foi organizado por Baba Vacaro, que também assina os textos, e por Fernando Mendes e traz um recorte da obra do modernista sob a perspectiva do desenho, além de contextualizá-la na cena de modernização do móvel no mundo. Veja o que Baba nos contou:

Baba Vacaro, designer

Baba Vacaro, designer (Divulgação/CASA CLAUDIA)

Como surgiu esse novo eixo de pensamento?

Muito já se disse sobre a figura singular que foi Sergio Rodrigues; sua obra e sua personalidade foram retratadas por diversos autores. Eu sentia falta, contudo, dessa abordagem, de uma análise mais detalhada de seu trabalho sob o ponto de vista do desenho: a importância do desenho e do conhecimento de todas as etapas da fabricação para a criação de cada detalhe construtivo – detalhes esses que são em grande parte aquilo que define a essência de cada móvel. Sentia falta ainda de contextualizar sua produção no cenário de modernização do móvel brasileiro e internacional. Considero sua prática projetual inspiradora e orientadora para designers de todas as gerações; examiná-la sob este ponto de vista é a contribuição que pretendemos oferecer.

De que forma a intimidade com a feitura do móvel impactou os projetos do designer?

Sergio se autodefinia como um desenhista de móveis de madeira, mas sua abordagem, que unia intuição e afetividade à investigação de questões de uso, forma e adequação ao espaço arquitetônico, fez dele um designer no sentido pleno do termo. Inspiração e traço eram o ponto de partida, mas o longo percurso pelos requisitos ergonômicos, técnicos e construtivos conduzia as idas e vindas necessárias para o amadurecimento de um produto.

O que o desenho da Mole, uma de suas criações mais emblemáticas, revela do criador?

Quando desenhou a poltrona Mole, rabiscou também um boneco largado, deitado no móvel. Imediatamente pensou: “isso vai dar certo”, porque percebeu que o boneco estava “contente” lá dentro. O episódio condensa a forma com a qual o designer trabalhava: criava personagens e imaginava histórias para cada peça, que pouco a pouco se apropriavam do produto, o qual era então redesenhado à luz dessas criações. A presença da figura humana que, além de proporcionar a percepção da escala da peça, representa a intenção do designer, indica o “modo de usar”, sugere a ambiência e, muitas vezes, propõe uma narrativa que vai além do produto, é algo muito forte no trabalho de Sergio. Penso que a Mole pouco a pouco incorporou os personagens que Sergio criou e tudo aquilo que foi dito a respeito dela, tornando-se ao final uma peça ainda mais roliça, robusta e sensual.

 

 (Divulgação/CASA CLAUDIA)

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