Exposição na Itália conta com obras de Lina Bo Bardi e Giancarlo Palanti

A mostra acontece na sede da galeria Nilufar, em Milão, até ano que vem

Confira a entrevista com a galerista Nina Yashar, dona da Nilufar, na qual ela conta tudo sobre a mostra Lina Bo Bardi/Giancarlo Palanti – Studio d’Arte Palma 1948-1951, que fica em cartaz até março de 2019, em Milão.

Como surgiu a ideia da exposição?

Meu interesse pelo design brasileiro começou há quatro anos, quando comprei peças de Zanine Caldas, Jorge Zalszupin e Joaquim Tenreiro para a galeria. Esse envolvimento gerou uma exposição e um livro, um ano depois. Enquanto pesquisava e comprava os trabalhos, conheci a obra de Lina Bo Bardi. Fiquei totalmente encantada e decidi incluí-la na minha coleção. Para mim, era muito claro que ter peças de Lina me faria chegar ao ápice do colecionismo, pois ela produziu poucos e prestigiados exemplares. Contudo, era uma intuição. Não tinha dados concretos para comprovar a minha teoria. Em 2017, entrei em contato com o Instituto Bardi/Casa de Vidro e o convidei para me ajudar nessa investigação. Seis meses depois, descobri que móveis internacionalmente reconhecidos como só de Lina, na verdade, eram peças criadas também pelo arquiteto Giancarlo Palanti, como as famosas poltronas Tridente e Zig Zag.

As descobertas determinaram o conceito da exposição?

Sim, organizei tudo com base nessa investigação. A Nilufar, em colaboração com o Instituto Bardi/Casa de Vidro, decidiu colocar em evidência a relevância de Lina e a figura de Giancarlo Palanti – que criava móveis para as casas que projetava – como designers também. Por isso a mostra é principalmente focada no período do Studio d’Arte Palma, criado pelos dois no final da década de 1940, mas também temos peças do Sesc Pompeia, além de cinco cadeiras da Igreja do Espírito Santo e dois modelos dobráveis, que Lina desenhou para o auditório do Museu de Arte de São Paulo. São obras maravilhosas.

Você pretende incluir alguma das peças na sua coleção pessoal?

As obras estão concentradas na galeria para a exibição, mas eu já decidi que ficarei com uma banqueta do Sesc Pompeia, uma cadeira da Igreja do Espírito Santo e um modelo dobrável. Gosto dessas criações em especial porque demonstram o racionalismo e a consciência intelectual que Lina obteve na época de suas colaborações com os arquitetos Gio Ponti, Giuseppe Pagano e Franco Albini, antes de chegar ao Brasil. Mas também me fascina a sua capacidade de adaptar as peças ao espaço, respeitando técnicas e materiais habitualmente usados no Brasil. Essa sinergia entre seus conhecimentos e o respeito pelo lugar onde vivia é muito interessante.

Veja algumas obras que estão expostas na galeria:

 

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