Nestes 4 restaurantes, chefs e ceramistas trabalham lado a lado

Em São Paulo, os profissionais se uniram para surpreender os clientes com receitas autorais em louças cheias de personalidade

Hideko Honma & Salvatore Loi

Em São Paulo, os profissionais se uniram para surpreender os clientes com receitas autorais em louças cheias de personalidade Hideko e Loi, no Modern Mamma Osteria: depois de concebidas, as peças ainda podem sofrer mudanças. “O chef tem muitas ideias. É uma relação viva”, diz a ceramista.

Hideko e Loi, no Modern Mamma Osteria: depois de concebidas, as peças ainda podem sofrer mudanças. “O chef tem muitas ideias. É uma relação viva”, diz a ceramista. (Nani Rodrigues/Revista CASA CLAUDIA)

Quando era chef no Girarrosto, Salvatore Loi recebeu um pedido inusitado: uma cliente queria que o jantar fosse servido nas peças de cerâmica enviadas por ela ao restaurante. Em nome de quem era a reserva? Hideko Honma. “Pensei: quero ver como esse italiano vai resolver a questão”, lembra a ceramista. “E ele resolveu lindamente.” Ao final do jantar, Loi foi presenteado com todas as louças utilizadas – começava aí uma parceria que já dura sete anos. “Hideko é como eu. Põe alma e paixão em tudo o que faz”, diz o chef.

Em São Paulo, os profissionais se uniram para surpreender os clientes com receitas autorais em louças cheias de personalidade As cores das peças de Hideko vêm de elementos naturais, como a palha de arroz.

As cores das peças de Hideko vêm de elementos naturais, como a palha de arroz. (Nani Rodrigues/Revista CASA CLAUDIA)

Os utilitários torneados de Hideko têm um pé na base para facilitar o manuseio e a higienização. Es se capricho no acabamento faz parte de um conceito japonês, explica ela: “O que não se vê é tão importante quanto o que está à mostra”. Para desenvolver uma peça sob medida para Loi, o processo dura cerca de seis meses, da primeira conversa ao resultado final.

Em São Paulo, os profissionais se uniram para surpreender os clientes com receitas autorais em louças cheias de personalidade A polenta com ragu do Modern Mamma Osteria, servida na prancha criada especialmente para a receita.

A polenta com ragu do Modern Mamma Osteria, servida na prancha criada especialmente para a receita. (Nani Rodrigues/Revista CASA CLAUDIA)

 

Kimi Nii & Ivan Ralston

Em São Paulo, os profissionais se uniram para surpreender os clientes com receitas autorais em louças cheias de personalidade Ivan vê traços da arquitetura modernista brasileira no trabalho de Kimi. Já a ceramista japonesa sente um toque nipônico nos sabores ena estética dos pratos do Tuju. “É uma simbiose”, resume Ivan.

Ivan vê traços da arquitetura modernista brasileira no trabalho de Kimi. Já a ceramista japonesa sente um toque nipônico nos sabores ena estética dos pratos do Tuju. “É uma simbiose”, resume Ivan. (Nani Rodrigues/Revista CASA CLAUDIA)

Da entrada à sobremesa, passando pelos vasinhos nas mesas e pelo apoio de talheres, todas as louças do Tuju são de Kimi Nii. No início, o restaurante chegou a usar outros utilitários, mas foi a cerâmica da artista de Hiroshima que acabou virando parte da identidade da casa. “O estilo de Kimi é clean, muito puro. Mesmo quando ela é mais intensa, consegue se manter minimalista”, diz Ivan Ralston. Para o chef, o design do prato é mais do que uma moldura para a receita: “Ele influencia a maneira de comer e o sabor final”.

Em São Paulo, os profissionais se uniram para surpreender os clientes com receitas autorais em louças cheias de personalidade As cerâmicas inspiram o visual das receitas, como a torta de tupinambo, montada em pétalas.

As cerâmicas inspiram o visual das receitas, como a torta de tupinambo, montada em pétalas. (Nani Rodrigues/Revista CASA CLAUDIA)

Vários múltiplos (esculturas produzidas em série) de Kimi ganharam função utilitária no Tuju. A ceramista faz até algumas adaptações a pedido de Ivan, como reduzir o diâmetro da obra. “Primeiro, ela diz não. Mas aí eu faço aquela cara do gatinho do filme Shrek e ela topa”, conta o chef. “Ivan valoriza cada peça. Vira uma composição comestível”, define Kimi.

Em São Paulo, os profissionais se uniram para surpreender os clientes com receitas autorais em louças cheias de personalidade Ivan finaliza o couscous de farinha uarini com iogurte e nabos no mel.

Ivan finaliza o couscous de farinha uarini com iogurte e nabos no mel. (Nani Rodrigues/Revista CASA CLAUDIA)

 

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Lucia Eid & Charlô Whately

Em São Paulo, os profissionais se uniram para surpreender os clientes com receitas autorais em louças cheias de personalidade “Na primeira vez que fui à Olaria Paulistana, fiquei doido com as cores”, relembra Charlô. Quando o chef encomenda uma nova peça, Lucia já pensa nos tons que mais combinam com a receita.

“Na primeira vez que fui à Olaria Paulistana, fiquei doido com as cores”, relembra Charlô. Quando o chef encomenda uma nova peça, Lucia já pensa nos tons que mais combinam com a receita. (Nani Rodrigues/Revista CASA CLAUDIA)

A parceria entre o chef Charlô Whately e a ceramista Lucia Eid, da Olaria Paulistana, é relativamente recente – começou com a abertura do Cha-Cha, há três anos –, mas rendeu vários frutos. Hoje, além dos pratos de bolo e outras peças no balcão do restaurante, a cerâmica da Olaria acomoda as sobremesas do Bistrô Charlô e colore as festas da Casa Charlô, espaço de eventos do chef, e do bufê comandado por ele. “A gente se identificou muito. Ele percebe que um prato colorido com uma comida colorida funciona perfeitamente”, diz Lucia.

Em São Paulo, os profissionais se uniram para surpreender os clientes com receitas autorais em louças cheias de personalidade As cores vivas das receitas de Charlô, como o trigo com pasta de beterraba, lentilhas e couve-flor, são realçadas na cerâmica da Olaria Paulistana.

As cores vivas das receitas de Charlô, como o trigo com pasta de beterraba, lentilhas e couve-flor, são realçadas na cerâmica da Olaria Paulistana. (Nani Rodrigues/Revista CASA CLAUDIA)

As tonalidades são muitas, e os tamanhos, os mais variados. A Olaria Paulistana faz para Charlô de delicados bowls, com 6 cm de diâmetro, a grandes travessas para festas de casamento, em formato de costela-de-adão e 60 cm. “Não tem tempo quente com a Lucia. Ela arruma tudo. Se você precisar de mais 500 peças, ela se vira e faz”, afirma o chef.

Em São Paulo, os profissionais se uniram para surpreender os clientes com receitas autorais em louças cheias de personalidade Quinua com frango, batata-doce e brotos.

Quinua com frango, batata-doce e brotos. (Nani Rodrigues/Revista CASA CLAUDIA)

 

Gisele Gandolfo & Bel Coelho

Em São Paulo, os profissionais se uniram para surpreender os clientes com receitas autorais em louças cheias de personalidade A valorização da cultura brasileira aproximou Gisele Gandolfo (à esq.), do Atelier Muriqui, da chef Bel Coelho. “Bel levanta a bandeira nacional”, diz a ceramista.

A valorização da cultura brasileira aproximou Gisele Gandolfo (à esq.), do Atelier Muriqui, da chef Bel Coelho. “Bel levanta a bandeira nacional”, diz a ceramista. (Nani Rodrigues/Revista CASA CLAUDIA)

Apenas 170 m separam o Atelier Muriqui, de Gisele Gandolfo, do Clandestino, restaurante de Bel Coelho, na Vila Madalena. Mas a proximidade da dupla não fica só no endereço: elas se entendem na paixão pelo Brasil. As peças da Muriqui, inspiradas em elementos como cabaças e cestos trançados indígenas, viraram recipientes perfeitos para acomodar as receitas de Bel, com ingredientes resgatados da tradição culinária local. “Além da brasilidade, a motivação e o propósito do trabalho de Gisele me atraíram”, conta a chef.

Em São Paulo, os profissionais se uniram para surpreender os clientes com receitas autorais em louças cheias de personalidade Elementos brasileiros dão o tom às peças do Atelier Muriqui e à cozinha de Bel Coelho.

Elementos brasileiros dão o tom às peças do Atelier Muriqui e à cozinha de Bel Coelho. (Nani Rodrigues/Revista CASA CLAUDIA)

Vez ou outra, Bel pede adaptações à ceramista: uma travessa mais estreita ou uma cor diferente. “Ela se preocupa com a funcionalidade. Não é só o espetáculo, tem o dia a dia”, conta Gisele. Também acontece de a ideia para uma receita vir da cerâmica. Um exemplo é o caco preto, peça com aparência lascada, que fez Bel criar um prato com ostra e yuzu (cítrico japonês).

Em São Paulo, os profissionais se uniram para surpreender os clientes com receitas autorais em louças cheias de personalidade Os pratos que fazem referência aos cestos produzidos pelos índios ianomâmis.

Os pratos que fazem referência aos cestos produzidos pelos índios ianomâmis. (Nani Rodrigues/Revista CASA CLAUDIA)

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