Ronald Sasson: “Não invisto em trabalhos efêmeros”

Inquieto, observador e preciosista ao extremo, Ronald Sasson não dorme sem achar a solução certa para seus móveis e objetos, feitos de materiais nobres

A fim de fazer a carreira deslanchar, o paranaense abriu um estúdio em Gramado (RS), pertinho das fábricas onde as peças seriam desenvolvidas. Ele gosta de acompanhar todos os processos e, muitas vezes, afinar o desenho durante a execução. O perfeccionismo vem dos tempos em que pintava telas abstratas em Curitiba, enquanto ainda estudava agronomia. Porém, ao criar um armário para guardar as tintas, feito de vergalhões de obra, a vida de Ronald mudou para sempre. O modelo fez tanto sucesso que ele levou alguns para o Salão de Gramado, uma tradicional feira de móveis na cidade gaúcha. Bingo! Teve a coleção inteira comprada por uma marca paulistana e virou designer autodidata, dos bons, com 18 prêmios acumulados até agora. Leia a seguir o que ele nos contou.

De que forma as premiações impulsionam sua carreira?
No início, eu não ligava muito para isso, mas minha mulher insistia que eu precisava ganhar um prêmio. (risos) Decidi ir atrás. Este ano, conquistei o 18º com a poltrona Yori, que levou o iF Design Awards. Eles dão grande visibilidade ao meu trabalho e confirmam que estou no caminho certo.

Qual é o segredo desse sucesso todo?
Consegui identificar a linguagem de cada premiação e inscrevo apenas a peça certa, aquela com chances reais de vencer.

Como é seu processo criativo?
Desenho pensando na máquina. Vou ajustando o traço para que ele se afine ao processo industrial. Só depois desenvolvo o protótipo final, que vai para a linha de produção, onde ainda faço ajustes pontuais. Esse processo leva uns três meses.

O que define o bom design?
A certeza de venda, o bom preço e a atemporalidade. Não invisto em trabalhos efêmeros nem aceito descaracterizar um produto bem resolvido. Aí prefiro interromper o projeto.

Suas peças seguem um conceito único?
Meus móveis são facilmente usáveis. Entram bem em vários estilos de décor. Mas crio também peças autorais, de edição limitada, quando consigo fugir dos apelos comerciais.

Você tem materiais preferidos?
Só não uso plásticos. Não tenho habilidade nem fábrica para eles.

Quais são as suas maiores influências?
A simplicidade nórdica e a brasilidade.Mas objetos banais podem me impactar, como uma mola de exercitar a mão, que deu origem à poltrona Soto, da Itens.

 

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