As 10 perguntas mais comuns sobre cimento queimado

Abaixo, esclarecemos 10 dúvidas sobre cimento queimado

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 (Mary Myers/)

1. Por que as casas antigas tinham o famoso vermelhão em ótimo estado e hoje em dia é difícil acertar ao fazer o cimento queimado?

No passado, esse acabamento era muito utilizado nas construções do interior. A questão é que antes as casas tinham estrutura mais robusta, os pisos eram feitos por pedreiros habilidosos, que dominavam a técnica e dispunham de tempo para esperar a cura do cimento, diz o arquiteto paulista Gustavo Calazans. E se aparecia uma trinca ou outra ninguém notava. Fazia parte do efeito rústico, brinca o engenheiro paulista Marcos Penteado. Hoje em dia, com outros prazos e sistemas construtivos, erros e má execução não são raros. Cimento queimado é como bolo feito em casa: cada um tem uma receita, mas nunca sai igual ao da confeitaria, prossegue Gustavo, explicando que uma série de variáveis pode influir no resultado final. Os problemas mais comuns são trincas (causadas pela umidade insuficiente da massa ou por movimentações na estrutura da moradia), manchas (adotar areia fina, clara e lavada na mistura favorece um resultado mais homogêneo) e porosidade (contra isso, o ideal é alisar a massa com desempenadeira até desaparecerem as bolinhas de ar presentes na massa).

2. O que esperar deste revestimento?

Pequenas trincas são comuns. Não tem alternativa. Mesmo que muito benfeito, cimento queimado sempre apresenta uma trinquinha. Faz parte do processo artesanal, do charme. Se você não aprecia isso, não faça em sua casa, diz o arquiteto paulista Flávio Butti, sócio de Alice Martins. Para ele, o ponto-chave é a informação: não dá para adotar esse tipo de acabamento esperando um resultado homogêneo. Isso diz respeito também à coloração. Afinal, o efeito levemente manchado é outra característica natural, resultante da diferença de concentração do pigmento na massa.

3. O que costuma dar errado e gerar trincas?

Primeiro, é preciso diferenciar trincas de rachaduras, fala Flávio. Trincas finas, assimétricas e espalhadas pelo piso de maneira relativamente uniforme são comuns, causadas pelo movimento de expansão e retração do cimento queimado que é mais intenso do que o do contrapiso. A queima é feita com cimento quase puro, e, quanto mais cimento, maior o coeficiente de retração, explica Marcos Penteado. O contrapiso contrai menos, acrescenta. Algo bem diferente são as rachaduras grandes, parecidas com as de parede. Muitos fatores influenciam na qualidade final do revestimento monolítico, mas a principal é a cura, explica Gilberto Cavani, pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT). A cura do cimento é o processo de secagem da massa. Quanto mais lenta, menor o risco de aparecerem trincas e rachaduras. A massa do cimento sempre contrai depois de seca. Quando isso acontece de maneira muito rápida, aparecem as rachaduras. Uma saída caseira é saturar o ar do ambiente com um umidificador doméstico. Na hora de queimar o piso, feche tudo portas e janelas e ligue o umidificador por dois ou três dias. Assim, o ar ficará saturado de partículas de água e a secagem será mais lenta, diz Gilberto. Outra saída, de acordo com o engenheiro Rubens Curti, da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), é aplicar resinas com base acrílica, que retardam a cura do cimento, por cima da massa ainda úmida.

4. Como recuperar o piso de cimento queimado riscado?

“Removendo a cera, é possível que os riscos sumam, sem terem danificado o cimento”, diz Luís Brunieri, da NS Brazil (tel. 11/4066-8040), de Diadema, SP. Esse trabalho exige detergente alcalino especial, a exemplo do Stripper 100 (SoloStocks, R$ 17,85 – 1 litro), e, depois, cera resistente, como a acrílica metalizada ou o verniz poliuretano. Hamilton Cristofalo, da Ladrilar (tel. 11/3228-6409), de São Paulo, lembra que o problema pode resultar de um acabamento malfeito no assentamento do piso. “Talvez não tenham empregado resina específica para cimento”, supõe. Nesse caso, use lixa d’água no 180, tíner próprio para cimento e resina de impregnação, como a epóxi transparente, indicada pelo engenheiro Rubens Curti, da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP). Por fim, aplique uma das ceras citadas. A manutenção pede pano úmido e detergente neutro.

5. O contrapiso é um ponto crítico?

É fundamental que o contrapiso esteja limpo, desengordurado e sem pó. Se houver trincas ou partes soltas, recomenda-se verificar a integridade de todo o resto com a ajuda de uma ponteira de aço. O cuidado se justifica: essa base tem como função nivelar, dar declividade ao piso e regularizá-lo. Em andares muito altos de prédios, onde naturalmente a estrutura se movimenta, o contrapiso pode apresentar pequenas trincas e isso se reflete no piso. Nesse caso, desaconselho o cimento queimado, afirma Rubens Curti.

6. E as juntas, como usá-las?

O ideal, para atenuar as trincas, é utilizar juntas de dilatação em intervalos de até 1 m. Prefira os modelos de plástico ou de metal, pois a madeira se deteriora, juntando bactérias e fungos. Outra vantagem das juntas de dilatação: em caso de erro na execução, é possível recortar a área em que aparecem as rachaduras e refazer o piso só nesse trecho. Também vale desenhar o piso com faixas de cerâmica, ladrilhos hidráulicos, pedras, que permitem fazer o mesmo tipo de reparo. “Fica charmoso. Mas nunca será igual ao restante, alerta Flávio Butti.

7. É inevitável surgirem manchas?

Para o desespero dos perfeccionistas, elas são comuns no cimento queimado e costumam ficar mais visíveis com o passar do tempo. No antigo vermelhão, cera em pasta e esfregão uniformizavam o tom. Mas, com tantas cores no mercado, é difícil manter a tonalidade irretocável. Empregue areia fina, clara e lavada na mistura para um resultado mais homogêneo, mesmo no caso de massas coloridas. Para evitar manchas de bebidas ou óleo, aplique duas demãos de verniz à base de água logo após a cura antes do uso do piso.

8. O cimento precisa de acabamento?

O piso deve ser selado. Cimento queimado é muito poroso. Água, gordura, tudo isso pode infiltrar, gerar manchas e até fazê-lo soltar do contrapiso, afirma Gustavo Calazans. Em seguida, vale aplicar resina para impermeabilizar. Só escolha cuidadosamente o tipo para não ter um piso com aspecto plastificado ou um revestimento indevidamente protegido e, no caso de cimento colorido, adote um produto com filtro contra raios ultravioleta.

9. E as misturas semiprontas?

Há no mercado quem ofereça o preparado em diversas cores e indique mão de obra qualificada para a colocação. Em geral, essas empresas vendem o cimento polimérico, que tem um aditivo para maior elasticidade e aderência do cimentado. A NS Brazil, de São Paulo, oferece ainda o Tecnocimento Classic, de textura menos porosa e que dispensa juntas. O material leva fibras sintéticas e pó de limestone (mais fino que o mármore) entre os ingredientes. A aplicação é parecida com a de textura para parede, ou massa corrida, comenta Gustavo, que, em nome da praticidade, prefere os kits prontos às receitas caseiras.

10. Posso usar cimento queimado no piso e também nas paredes?

“Por ter baixíssima absorção de água, o cimento queimado pode revestir todo o piso, inclusive áreas molhadas e externas”, indica Luís Brunieri, gerente comercial da NS Brazil (tel. 11/4066-8040), empresa de São Paulo. Existem dois tipos: o feito na própria obra e as misturas prontas. “A receita do primeiro varia e pede juntas de dilatação”, aponta Luís. Já o produto pronto, como o Tecnocimento vendido pela NS Brazil, é aplicado como se fosse uma massa corrida, sem emendas. Porém, ambos apresentam pontos vulneráveis, sujeitos à infiltração, caso a vedação não seja perfeita: nos trechos ao redor de ralos em chuveiros, cozinhas, lavanderias e varandas. O acabamento precisa de uma camada de resina impermeabilizante, que deve ser reaplicada a cada cinco anos. “Como o material é escorregadio, é nessa fase, ainda, que recebe um verniz com areia de quartzo, a fim de se tornar antiderrapante”, afirma Luís. O arquiteto Marco Donini (tel. 11/3887-7866), de São Paulo, comenta que as paredes também podem levar cimento queimado, mas a composição e a instalação são diferentes. E vale lembrar que as paredes pedem igualmente impermeabilização com verniz, “que formará uma camada protetora, facilitando a limpeza”, completa Luís. Dica importante: para evitar trincas, conte com mão de obra especializada.

 

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