Birgit Lohmann revela o segredo do sucesso do Designboom

Birgit Lohmann conta como criou o italiano Designboom, que é considerado pela revista TIME um dos 100 mais influentes sites de design do mundo.

Criadora e editora do site italiano Designboom, a designer alemã Birgit Lohmann veio ao Brasil para a Expo Revestir e conversou com a gente sobre o sucesso de sua publicação, considerada a primeira e mais popular revista digital de arte, arquitetura e design do mundo. Fundado em 1999, o Designboom foi eleito um dos 100 mais influentes sites de design pela TIME Magazine e conta com 4,2 milhões de leitores mensais.

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1) Como e quando Designboom nasceu? Com o que trabalhava antes de criar o site?

Começamos em 1999. Eu e Massimo Mini, co-fundador do Designboom, nos conhecemos na Universidade de Florença. Depois de formados trabalhamos com designers e arquitetos renomados como Achille Castiglinoni, Vico Magistretti, Enzo Mari, Bruno Munari e Renzo Piano. E também como especialistas da história do design para casas de leilão e como diretores de arte de algumas empresas italianas e alemãs. Até que um dia resolvemos apostar em uma revista digital sobre arquitetura e design.

2) Eu tenho acompanhado o Designboom há alguns anos e é notável como o site cresceu ao longo desse tempo. Como é a estrutura que vocês têm hoje em comparação com o início do projeto?

Nos primeiros dias de vida do Designboom nosso software de web design não funcionava. Massimo e eu tivemos que aprender sozinhos como publicar digitalmente, compreender e aprender a linguagem HTML – naquele tempo isso era apenas um negócio para técnicos que entendiam de informática. Desde então surgiram avanços importantes de software e, claro, a indústria de revistas online evoluiu. Começamos com duas pessoas, eu e Massimo, e assim que tudo estava funcionando, crescemos para quatro pessoas. Hoje temos um escritório em Milão, na Itália, e uma equipe internacional de dez editores em países como Austrália, Canadá, China e Japão. Publicamos de 15 a 20 notícias por dia e nossos editores não são jornalistas, mas arquitetos e designers que conhecemos durante nossas viagens e que foram treinados para ficarem afiados com a linguagem visual e informativa do site.

3) O Designboom mostra projetos do mundo todo. Como acontece o processo de seleção de casas, móveis, objetos e obras de arte que serão exibidos?

Os editores da equipe é quem decidem o que vai ser publicado ou não. Grande parte do nosso conteúdo é original, garimpado nas diversas feiras, exposições e eventos que visitamos. Não publicamos apenas o trabalho de arquitetos e designers famosos, estamos de olho nos novos talentos.

4) Vocês inspiram o conteúdo de outros blogs e sites menores sobre arquitetura e design. Os designers e arquitetos costumam procurar vocês primeiro para mostrar seus projetos?

Hoje todo mundo é capaz de fazer um site, começar seu blog pessoal, postar suas fotos e pensamentos livremente na internet. A rede mundial de computadores tornou-se um grande arquivo de informações. O nascimento de ferramentas de redes online como o Facebook, o Twitter, o Pinterest e o StumbleUpon tornaram extremamente fácil o ato de divulgar e publicar um projeto, por exemplo. Mas, quando começamos, em 1999, o risco de fazer algo digitalmente era incrivelmente alto e poucas pessoas apostavam nisso. Tivemos que superar muitos obstáculos desde o início para estabelecer uma relação forte com arquitetos e designers, para conquistarmos nossa audiência inicial. E estes profissionais sabem que nós fomos pioneiros na publicação online e, por isso, continuamos entre os primeiros a serem procurados eles. Nossa história nos levou a 4 milhões de leitores únicos por mês.

6) O que você mais gosta em arte e design? Quem são os seus profissionais favoritos?

Esta é uma pergunta impossível! Bom, no Brasil, gosto muito do trabalho da Lygia Clark, do Ernesto Neto e do Vic Muniz. Internacionalmente aprecio a abordagem provocativa do italiano Maurizio Cattelan, a capacidade de criar obras monumentais com materiais delicados do sul-coreano Do Ho Suh e das peças poéticas e interativas do argentino Tomas Saraceno. Gosto do trabalho do chinês Cai Guo-Quang, dos designers Enzo Mari, Ronan e Erwan Bouroullec, Konstantin Grcic, Oki Sato, Nendo e Stefan Sagmeister. Enfim, estes são apenas alguns dos milhares de profissionais que admiramos.

7) Você já esteve no Brasil? Que os arquitetos e designers brasileiros que você mais gosta e por quê?

Esta é a minha primeira vez no Brasil. Oscar Niemeyer eu nunca conheci, mas adoraria ter tido a chance de entrevistá-lo. Fernando e Humberto Campana continuam a me encantar, explorando materiais inesperados e Marcio Kogan, do Studio mk27, ganhou força na cena arquitetônica mundial com seus volumes monolíticos e janelas panorâmicas em projetos residenciais notáveis.

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