O arquiteto Angelo Bucci tem precisão geométrica para criar nova sede do MAM-SP

No desafio de pensar uma nova sede para o Museu de Arte Moderna de São Paulo, o arquiteto Angelo Bucci, surpreende propondo um quadrilátero suspenso no Parque Ibirapuera.

 

Para a 33a edição da mostra Panorama da Arte Brasileira, promovida pelo MAM-SP, arquitetos foram convidados a refletir sobre a condição do espaço do museu, situado sob a marquise do Parque Ibirapuera desde 1969. O escritório spbr, dirigido por Angelo Bucci, traçou uma sede utópica com admirável rigor geométrico, relação com o entorno e reverência às obras de Niemeyer e Burle Marx. Os prédios e jardins dos mestres modernistas se tornam parte do acervo, emoldurados na construção feita de quatro vértices de 750 m de extensão. Natural de Orlândia, interior de São Paulo, o premiado arquiteto Angelo Bucci ressalta o trabalho ao lado dos arquitetos Juliana Braga, Ciro Miguel, Nilton Suenaga, Tatiana Ozzetti, Victor Próspero, e do engenheiro de estruturas Andrea Pedrazzini, para chegar à proposta final e revela suas inspirações.

Quais as ideias centrais do projeto?

Um museu que está, ao mesmo tempo, dentro e fora do parque. Um edifício sincronizado tanto com o lazer no Ibirapuera quanto com a pressa das avenidas. Construção que ora se perceba na escala de um edifício, ora na escala urbana. E que não se abraça por inteiro pela visão, mas pode ser deduzida pela lógica e por seu significado. 

De onde veio a inspiração?

Por um lado, veio como um achado da geometria que já estava lá, uma possibilidade esperando ser revelada. Essa é a maior beleza da proposta. Por outro, veio de uma possibilidade única que não se poderia perder: um museu que tem em seu acervo permanente jardins de Burle Marx e edifícios de Oscar Niemeyer.

Como você define sua profissão?

É uma atividade que tem como fim desenhar obras que correspondam ao objeto concreto dos nossos desejos difusos. A arquitetura trabalha na fronteira que interessa à atividade: expandir nosso universo imaginário. E, de outro modo, eu lhe pergunto: o Parque Ibirapuera marcou as celebrações do quarto centenário da cidade, em 1954, com uma visão de futuro para a cidade – que futuro se vislumbra para São Paulo hoje? É nesse sentido que eu gostaria de pensar que a proposta para o novo MAM avança.

O conceito de edifício autopista de Le Corbusier – megaestrutura que se insere na paisagem sem destruir o tecido existente – foi uma referência?

A produção de Corbusier é tão vasta e rica que é difícil encontrar um projeto que não se possa relacionar com algum aspecto da obra dele. Então, por um lado, sim, aquele projeto e a obra de Corbusier como um todo são precedentes importantes do que pensamos e do próprio projeto do Parque Ibirapuera.

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