Vasto cardápio: escolha e combine

Se você acha banal decidir as cores das paredes, prepare-se para mudar de idéia. Encontrar o tom ideal é tão complexo que até especialistas podem se atrapalhar mas nem por isso deixe de colorir a casa

A primeira coisa a fazer é analisar o ambiente. A professora Sueli Silva, que ministra a disciplina Cores no curso de design de interiores do Senac, sugere avaliar os seguintes itens: qual é a área, como é a iluminação, o que já existe no local, quem vai usar o espaço e como? As respostas ajudam a definir matizes e a eliminar o que não funciona. Em áreas reduzidas, tons quentes darão a impressão de encolhimento. Numa sala muita ensolarada, o amarelo trará vibração em excesso. Crianças dificilmente gostarão de cinza, exemplifica.

 

Será que combina?

Uma das maiores dúvidas ao empregar cores na decoração é o que fica bem com o que. A melhor forma de experimentar é colocar uma coisa perto da outra. Conforme você cria a decoração, monte a palheta do ambiente, sugere o arquiteto João Carlos de Oliveira César, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. Numa folha de papel, pincele o tom do piso, cole a referência da tinta e as amostras de tecidos já escolhidos. Leve essa cartela às compras e veja se a peça que deseja adquirir se encaixa na composição, explica. Um ótimo guia para descobrir associações harmônicas é o disco cromático, especialmente se você utilizar um modelo rico em gradações, o que favorece fugir do óbvio. A cor complementar do vermelho é o verde, mas você não precisa reproduzir a bandeira da Itália. Trabalhar com pistache e cereja fica mais interessante, ensina Sueli.

 

Por que a combinação de tons deu certo nestes ambientes:

Um título para uma foto sem titulo

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Tinta nas paredes

Você já deve ter ouvido alguém falar que uma maneira segura de decorar com cores é ter paredes brancas, estofados beges e crus e deixar o colorido para os acessórios. Porém, o que fazer com aquela vontade de aquecer um pouco mais as paredes? Uma saída confiável é adotar os off-whites, isto é, o branco com um leve toque de outros pigmentos. No caso desses tons insinuados e também na escolha de uma nuance bem definida, faça um teste prévio: compre ¼ de galão e pinte dois quadrados de 1 x 1 m, um na parede de maior incidência de luz e outro na mais escura do ambiente. Observe-os durante o dia e à noite, com iluminação artificial. “A percepção na parede é diferente da no catálogo”, diz o professor César.

 

Cor e humor

Por último, lembre-se que as cores mexem com as sensações. Um pouco de vermelho na sala de jantar desperta o apetite. Azul e verde na sala da família propiciam encontros tranqüilos. Laranja no escritório ativa a criatividade, ensina Patrícia Douat Garcia, estudiosa da psicodinâmica das cores. Portanto, aproveite esse recurso para tornar a vida mais equilibrada.

 

Oriente-se pelo disco cromático

Criado no século 18, o ciclo cromático organiza os matizes da natureza e serve de instrumento para estabelecer combinações equilibradas. Para compor uma harmonia de cores vizinhas, faça um recorte no disco e procure decorar com as tonalidades dessa área, diz a professora Sueli Silva. No entanto, para ter um ambiente gostoso, lembre-se de incluir nuances do lado oposto do ciclo, ou complementares. Trata-se de um fenômeno físico: exposto a uma cor, o olho busca a complementar, que pode entrar em detalhes como flores e objetos.

 

Regras de ouro para escolher as cores Como escolher as cores

Algumas regrinhas de ouro ajudam a definir a paleta de uma casa. Acompanhe as principais, sugeridas por quem faz das cores seu objeto diário de trabalho: a arquiteta Regina Strumpf, a engenheira Cristina Zatti, coordenadora de design da fábrica de utensílios Coza, e o designer Attilio Baschera, da loja AGain- Até o branco pede parcimônia. Ele fica bem em áreas pequenas, mas nas grandes, a luz refletida nas paredes pode causar tensão e até dor de cabeça. Nesse caso, junte pingos de amarelo ou lavanda para obter profundidade.

– Tetos parecerão mais altos se forem creme ou areia. Se quiser “rebaixá-los”, deixe-os mais escuros que as paredes.

– Para dar a sensação de que um ambiente é mais “curto”, pinte a divisória do fundo com uma cor mais forte que as demais.

– Para valorizar um objeto escuro, faça um fundo claro e vice-versa.

– Tons frios e claros ampliam o ambiente. Os quentes e escuros diminuem.

– Se eleger nuances fortes ou brilhantes, mantenha o piso e o teto neutros.

 

Não vá atrás da moda, siga seu gosto

Quando orientam leigos, os estudiosos soltam alguns mantras. Cuidado com os modismos encabeça a lista – já imaginou perseguir a tendência do rosa antigo se você prefere cores vibrantes? É provável que experimente um certo desânimo. E temos aí outra regrinha: as tonalidades podem nos remeter a múltiplas sensações e influenciar nosso humor. “Não é à toa que existem as expressões ‘verde de fome’, ‘amarelo de inveja’ e ‘roxo de raiva'”, destaca Regina Strumpf. No entanto, é sempre bom lembrar que as sensações variam entre as pessoas e até mesmo entre as culturas: para os brasileiros, quando “está tudo azul”, a situação vai bem; para os americanos, é pura tristeza

Num mundo em que as máquinas tintométricas dão asas à imaginação e permitem produzir da nuance mais comum à mais exótica, é bom entender o que afirma Regina: não se escolhe uma cor de modo errado, mas, sim, combinam-se as tonalidades equivocadamente. É aquela velha história de levar em conta não apenas o tom da parede, mas sua localização e os outros elementos do ambiente. “Tomemos o roxo como exemplo: uma pitada dessa cor num ambiente cru é uma ótima idéia, mas ela ficaria péssima usada em quantidade em uma sala vermelha”, observa. “Combinação é isso: é saber ousar com parcimônia.” Pronto para a brincadeira?

 

Confira algumas combinações

Os tipos de harmonia –

Não é obra do acaso que gostemos de algumas combinações de cores, entenda como elas podem se formar

Monocromática

Juntam-se tons degradê do mesmo matiz. Cuidado para não ficar monótono.

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Concordante O par se forma entre a cor escolhida e uma vizinha de sua complementar.

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Análoga

Neste caso, combinam-se nuances vizinhas no círculo cromático.

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Triádica

Sugere o uso de três cores eqüidistantes no disco, como se elas formassem um Y.

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Atenção à iluminação

Como agem a luz do sol e das lâmpadas

O tipo e a intensidade da iluminação alteram a nossa percepção das cores. Por isso a tinta nunca será igual na loja e na sua casa. Vale expor por alguns dias uma amostra da tonalidade eleita sob diferentes tipos de lâmpadas.Envie para um amigo Adicione aos favoritos

A luz natural é a que reproduz as cores com maior fidelidade. Mas é bom lembrar que o efeito muda ao longo do dia e de acordo com as condições do tempo (ensolarado, chuvoso, nublado…).

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As lâmpadas incandescentes, cuja luz é mais amarelada, ressaltam as cores quentes, como o vermelho, o laranja e o amarelo.

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Já as fluorescentes jogam um pouco de azul sobre todos os matizes, acentuando os frios, azuis, violetas e verdes.

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