A exposição Cores do Brasil mostrará suas estampas na Oca, em São Paulo

A dupla de designers Bruno Basso e Christopher Brooke se juntou a jovens da periferia para produzir as estampas geniais que serão expostas em julho na Oca, no Parque Ibirapuera.

 

No início de fevereiro, um garoto de 15 anos atravessou o bairro Cidade Tiradentes, na periferia de São Paulo, quase chorando. Não tinha acontecido nada ruim, nenhuma tragédia. Ele apenas voltava para a casa lembrando do primeiro dia de uma oficina de fotografia. Após a aula, postou no Facebook: “Estou muito feliz por ter oportunidade. Quando uma pessoa iria dar uma câmera na mão de alguém que nunca viu isso na vida? É uma superconfiança”. Uma pessoa, neste caso, era a equipe de Cores do Brasil, projeto que transformou imagens produzidas por jovens em condição de vulnerabilidade social na exposição de moda e design que acontece na Oca, no Parque Ibirapuera, até 1º de agosto. 

Antes de a máquina fotográfica chegar às mãos de Wadan Victor e outros 63 meninos, a dupla de designers Basso & Brooke – formada pelo brasileiro Bruno Basso e pelo inglês Christopher Brooke – gastou um ano e meio elaborando essa ideia, juntamente com as curadoras, Didi Rezende e Kalina Bourgeois. Depois de assistir a um documentário sobre o maestro venezuelano Gustavo Dudamel e a Simón Bolívar, orquestra juvenil mais celebrada da América Latina, Basso quis desenvolver um trabalho na mesma linha. “O que gosto no Dudamel é que ele não enxerga esses jovens como vítimas, mas como possíveis talentos”, diz. 

Com esse olhar, o fotógrafo Tuca Vieira, convidado para ministrar as oficinas, orientou os participantes de São Paulo, Rio de Janeiro, Belém e Fortaleza. O objetivo era que cada um deles registrasse as cores do seu cotidiano – a principal preocupação foi reunir uma coleção de imagens que fugisse de um olhar estrangeiro e romantizado da realidade. Utilizando câmeras digitais, os garotos não tinham limites para a quantidade de cliques e, a cada dia, Vieira avaliava a produção. As dicas do fotógrafo de renome serviram também para transformar a relação entre pai e filha: “Meu pai é fotógrafo, por isso sempre tinha alguma crítica sobre o que eu fotografava. A primeira vez que ele me parabenizou foi quando mostrei as fotos sobre as quais o Tuca havia comentado”, contou Camila Quadros, uma das jovens selecionadas pelo projeto. 

Ao fim do curso, havia 12,6 mil fotografias, o que demandou 30 dias do computador, até que a máquina conseguisse transferir os arquivos em alta resolução do Brasil para a Inglaterra, país sede da Basso & Brooke. Os designers fizeram questão de ter acesso a todo o material: uma seleção prévia poderia excluir imagens não tão relevantes do ponto de vista fotográfico, mas interessantes para a produção de estampas. A exposição em cartaz na Oca revela o trabalho minucioso em cima das fotos. No cenário assinado pelo croata Marko Brajovic, radicado em São Paulo, os ambientes são como páginas de livros, de onde as histórias surgem à semelhança de pop-ups e as estampas aparecem aplicadas em diferentes suportes, como tecido, madeira e azulejo. Para Basso, no entanto, o grand finale ainda não aconteceu. “Estou ansioso para ver a reação de todos quando perceberem no que as imagens se transformaram. Acho que eles vão entender que o que produziram tem valor. Esse é o pontapé inicial para uma transformação. Isso, para mim, é o mais importante.” 

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