Cortiça: conheça a história e o processo de fabricação do material

A retirada da cortiça é um ritual que ocorre a cada dez anos. Esse trabalho, metódico e delicado, exige um saber valioso, passado de geração para geração. 

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São vastas as filas de sobreiros nas florestas do Alentejo, em Portugal, que aguardam o descortiçamento. Como em um ato de generosidadeda natureza, a frondosa árvore se despe de sua casca para dar origem a um material quase mágico. E os trabalhadores, com precisão cirúrgica, utilizam um machado para remover a cortiça sem ferir a parte interna. Essa tradição centenária revela uma relação de sucesso entre o homem e a natureza. Hoje, o plantio e o cultivo alcançaram níveis elevados de sustentabilidade e reconhecimento econômico mundial. Para tanto, nenhuma árvore pode ser derrubada. A cortiça de qualidade é retirada apenas dos sobreiros com mais de 40 anos e seu ciclo se renova a cada década. Ano após ano, a casca cresce cerca de 25 cm e mantém o tronco protegido do frio, do calor e dos incêndios florestais recorrentes, além de ser abrigo para diversas espécies de aves, algumas delas em extinção. Centenários, os sobreiros chegam a 200 anos e durante esse período podem ser descascados de 18 a 25 vezes. Os montados (florestas típicasde sobreiros) bem geridos são a prova viva deque o homem pode trabalhar em harmonia com a natureza, garantindo o verdadeiro desenvolvimento sustentável para muitas gerações.

Das garrafas para o design

A cortiça é um material extremamente versátil, permite métodos de produção e formas de interação com o meio ambiente inovadores. Por isso, fornece soluções simples para uma série de requisitos do design de produto: isolamento térmico e acústico, elasticidade, alta absorção de choque e resistência ao fogo, além de ser à prova d’água e de apodrecimento. Por ser totalmente sustentável e reutilizável, a cortiça se torna cada vez mais popular entre os designers e sua utilização está atingindo diversos segmentos – de revestimentos de carros de luxo às paredes em habitações populares, passando pela enorme gama de objetos do nosso dia a dia que estão encontrando nesse material uma nova forma e valor.

No processo de produção, a casca do sobreiro pode passar por diferentes etapas, dependendo de sua aplicação final. Após o descortiçamento,as pranchas retiradas são empilhadas e levadas para a cura, permanecendo em drenagem ao ar livre seguindo regras rígidas, definidas pelos órgãos controladores, para só então seguirem aos galpões, onde poderão se tornar compensados, grãos, placas, folhas ou as nobres e mundialmente utilizadas rolhas. A partir daí, entram em linha de produção revestimentos especiais para interiores e exteriores, tigelas, bancos, luminárias, vasos, cadeiras, brinquedos e uma infinidadede outros produtos. 

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Onde surgiu a cortiça

A difusão da cortiça provavelmente começou com os povos da bacia do Mediterrâneo, mas sabe-se que os egípcios, os gregos e os romanos já a utilizavam para diversas funções. Construíam embarcações, redes para pesca, utilidades domésticas e sabiam da preciosidade dessa matéria-prima. Em 1680, foi utilizada pela primeira vez como vedante de garrafas de champanhe pelo monge beneditino Dom Pérignon e fez surgir o que atualmente representa 70% do uso industrial: a rolha. Com a utilização dessa matéria-prima em escala mundial, grande parte das florestas desapareceu com a exploração desenfreada. A busca pelo cultivo sustentável foi um desafio que Portugal encarou e hoje o país possui mais de 55% da produção de todo o mundo, sendo também líder no desenvolvimento de novos produtos.

Atualmente, são 800 indústrias corticeiras, que exportam 90% do que produzem para Estados Unidos, Espanha, França e Alemanha. É ainda o mercado que mais se mantém forte durante a crise. Portugal aprendeu a respeitar a árvore que hoje é seu símbolo nacional e surpreende o mundo com sua inventividade para aprimorar essa atividade. O Grupo Amorim, maior empresa corticeira do mundo, investe pesado no futuro dos sobreiros. Gerencia grande parte das florestas do país e incentiva a aplicação do material como alternativa a outros mais caros e não tão completos. Estúdios de design de todo o mundo foram incentivados a desenvolver produtos em escala industrial utilizando a cortiça como matéria-prima.

Pela Europa, surgem diversas lojas especializadas em vender objetos made of cork, e grandes marcas, como a Vitra, imprimem sua qualidade em peças desenhadas especialmente para a cortiça. Tradição e inovação, de fato, estão aliadas à sustentabilidade no setor. Por isso, a importância de levar adiante essa herança passada por gerações. Portugal deve ser seguido como modelo pela forma como geriu esse setor tão cheio de possibilidades, levando a criatividade e a tecnologia a um passo adiante no futuro promissor da cortiça.

Confira uma seleção de peças em cortiça com desenhos e texturas que fogem do comum: 

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