Decoração inspirada nos grafites dos muros de São Paulo

Os fãs do grafite, arte que toma conta da cidade desde 1980, encontram produtos para a casa - quadros, enfeites, pequenas esculturas...

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No fim da ditadura, o grafite foi um grito de liberdade

 

Não se espante se você sair pelas ruas de São Paulo num domingo e se deparar com algum grafteiro pintando muros e paredes dos bairros. Esse é o dia da semana em que a maioria deles escolhe para fazer o que mais gosta: fcar ao ar livre, imprimindo desenhos em espaços públicos. “Eu faço arte para ser feliz, e o que mais me atrai no grafte é a capacidade de criar diálogos com a cidade”, conta o grafteiro Rui Amaral, um dos precursores dessa arte urbana. Sua geração ocupou as ruas com desenhos no início da década de 1980, quando o país ainda amargava a ditadura. “A repressão política fez com que as pessoas se fechassem nas casas. Tomar a rua era um jeito de quebrar o paradigma repressivo”, diz o artista Jaime Prades, ex-integrante do grupo Tupinãodá, que ganhou fama nos muros da Vila Madalena no fnal dos anos 1980.

Arte de rua está lá para quem quiser ver

 

Esse bairro da Zona Oeste, aliás, concentra até hoje graftes variados. Basta passar por lá para apreciar os desenhos. A proximidade faz com que o grafte ganhe a simpatia da população, já que as obras das galerias ainda são vistas como algo inacessível. “Com a arte de rua, todo mundo pode entrar em contato”, afrma o grafteiro Thiago Toes, que desde 2009 enveredou também para as telas, incentivado por Nina Pandolfo – criadora das meninas de olhos grandes que estampam muitos muros de São Paulo e mulher de Otávio, da dupla osgemeos. Os irmãos, hoje famosos internacionalmente, foram os principais responsáveis pela projeção do grafte na década de 1990, quando surgiram convites para que mostrassem seu trabalho em diferentes países.

As mulheres também invadiram os muros

 

“A globalização foi determinante para a explosão da arte de rua: com a internet, os artistas puderam se atualizar e trocar informações com o mundo. Além disso, a arte fcou ainda mais disponível para o público, o que fez cair a resistência e o preconceito”, conta Baixo Ribeiro, dono da Galeria Choque Cultural, que representa diversos artistas do meio. O acesso mais democrático deu chance também às mulheres. Entre elas, está a paulista Minhau, 35 anos. O codinome nasceu dos desenhos de gatos grandes e coloridos, que são sua marca registrada. Estampados na região central, eles encantam quem passa. “Arrancar sorrisos de crianças e idosos na rua é uma experiência viciante. Graças ao grafte, eu me relaciono com pessoas de todos os níveis sociais”, diz.

Democratização da arte transforma vidas

 

“O grafte ajuda também a elevar a autoestima das pessoas”, diz o artista conhecido por Birigui, que cresceu na Vila Madalena e ainda criança se sentiu atraído pelos desenhos nos muros. O envolvimento foi natural e acabou transformando o grafte em modo de vida, com a pintura de painéis e portas de aço sob encomenda. E a convivência com artistas de rua e do hip-hop o fez perceber que a arte poderia servir como um meio de inclusão das populações mais carentes “Virei professor numa ONG há dez anos e, desde então, percebi como as pessoas se sentem valorizadas ao entrar em contato com a arte. Gosto de ver como vão construindo seu aprendizado e se desenvolvendo. Isso só é possível porque o grafte é acessível, democrático”, diz.

Há um ano, o grafite deixou de ser crime

 

O assunto gera polêmica: o grafte e a pichação em edifícios públicos eram considerados crimes ambientais e de vandalismo pela legislação brasileira. Em maio do ano passado, somente o grafte foi descriminalizado. Afnal, pichar e graftar é a mesma coisa? “As pichações, que são rabiscos e letras feitos para demarcar território ou ir contra as instituições, têm seu valor antropológico. Já o grafte é uma forma de arte e envolve conceito e pesquisa”, explica Baixo Ribeiro. “Os dois têm a mesma essência: são meios de protesto ou de diversão, na falta de opções de lazer”, diz Rui Amaral, que assina o emblemático túnel da avenida Paulista. Aos 51 anos, ele continua ativo: “Não gosto de fcar pintando telas no ateliê. Meu grande barato é mesmo a rua”.

 

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