Designers superpoderosas: 10 peças incríveis assinadas por mulheres

Nossa homenagem a dez mulheres fundamentais para a história do mobiliário no Brasil e no mundo

No mês em que é celebrado o Dia Internacional da Mulher, reunimos 10 peças inovadoras, responsáveis por influenciar os rumos da produção mundial e inspirar gerações – ontem e hoje. Todas são assinadas por criadoras cheias de personalidade e ousadia, que movem o universo do design com suas invenções.

1. Patricia Urquiola: rainha contemporânea

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Com sua atitude intrépida, a espanhola Patricia Urquiola dá olé desde antes de iniciar a carreira. Sabe quem orientou seu trabalho de conclusão de curso no Politécnico de Madri, em 1989? O venerado Achille Castiglioni. Hoje, os ecléticos produtos da designer, criados para as marcas mais incensadas do globo, figuram em qualquer wish list. Entre eles, a Fjord (acima), que integra o catálogo da Moroso. Inspirada num clássico, a Egg de Arne Jacobsen, esta poltrona de traços fortes mantém o apelo atual 14 anos após seu lançamento. Tal qual a Egg, virou ícone.

 

2. Charlotte Perriand: biografia engajada

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O mundo dava bonjour ao movimento art déco quando Charlotte Perriand surgiu na louca Paris dos anos 1920. O início não foi fácil. “Não bordamos almofadas aqui”, disse-lhe Le Corbusier ao rejeitá-la como aprendiz. Rendeu-se depois e convidou-a a trabalhar em seu estúdio. Daí em diante, as peças de Charlotte seguiram coerentes com seu discurso: “Tudo se cria de dentro para fora. A arte de viver é um prolongamento da arte de morar em harmonia.” Seduzida pelo socialismo, ela projetaria móveis para os espaços enxutos de moradias populares. A estante Nuage, da Cassina (1952), vem dessa safra. Almofadas bordadas? Não se sabe de nenhuma…  

 

3. Zaha Hadid: impertinência em plástico

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Nascida em Bagdá, formada pela Faculdade de Matemática de Beirute e, depois, pela Architectural Association, em Londres, Zaha Hadid foi a primeira mulher a receber o prêmio Pritzker (2004), maior honraria da arquitetura mundial. Com seu estilo arrojado, cria edifícios, cria móveis, cria joias e ainda cria caso! Polêmica, não recusa uma boa briga e defende com paixão sua obra, exuberante e inconvencional como ela própria. O que é a cadeira Kuki, da Sawaya & Moroni (2013), senão o voo certeiro de sua mente inquieta? Mais do que a geometria da folha plástica dobrada, é a expressão de um olhar que não aceita o banal.

 

4. Gae Aulenti: figura provocadora

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Verve afiada e consciência política eram marcas registradas da italiana Gae Aulenti, que, em 1948, adentrou o Politécnico de Milão (à época, um ambiente totalmente masculino) para estudar arquitetura. Ali começou a flertar com o racionalismo de Walter Gropius e Le Corbusier – que, mais tarde, ousou rejeitar por meio do movimento Neo Liberdade. Figura proeminente no design do pós-guerra, Gae gostava de provocar. Desse viés espirituoso surgiu a engenhosa Pipistrello, da Martinelli Luce (1965), inspirada na imagem de um morcego, mas com base metálica regulável similar à dos telescópios – um sucesso até hoje.

 

5. Nika Zupanc: arquétipos femininos

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Nome sensação da cena contemporânea, a eslovena Nika Zupanc passeia entre a doçura, a elegância, a rebeldia – e, por vezes, a masculinidade, como ela gosta de anunciar. Numa de suas coleções, Love Me More, brincou com a ideia dos prazeres que nos rondam. Em outras, o discurso é mais sutil. Batizou Lolita a delicada série de luminárias, da Moooi (2008), que a lançou à fama mundial. Rosas e lilazes, os pendentes de plástico e borda perfurada são a prova de que Nika não vê mal algum em valorizar o próprio gênero com uma estética libertária.  

 

6. Lina Bo Bardi: protagonismo no Brasil

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A sombra da guerra abateu-se sobre a vida de Lina Bo Bardi em 1943, com o bombardeio de Roma e a destruição de seu recém- -aberto escritório de arquitetura. Bem quando podia ostentar, orgulhosa, as credenciais de uma parceria com o legendário Gio Ponti, em Milão. Depois da paz, mudou para o Brasil com o marido, Pietro Maria Bardi, em busca de solo melhor para seus sonhos de justiça. Aqui concebeu suas obras-primas – o Museu de Arte de São Paulo (Masp) e a inconfundível poltrona Bowl (Dpot), que fez explodir sua fama de designer. Para Lina, só valia o papel principal.

 

7. Matali Crasset: manisfesto antimesmice

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A francesa Matali Crasset é um antídoto contra o tédio. O visual andrógino, delineado pelo cabelo curtíssimo e pelos óculos marcantes, acompanha seu discurso democrático. No trabalho, também adota uma linguagem personalista, antielitista e política. Isso, claro, sem cair em fórmulas repetitivas. Ela prefere se dedicar aos processos do que aos produtos acabados e gerar objetos sem prescrição definida. Um exemplo está na coleção Double Side, da Danese, que ora é cadeira, ora mesa, ora as duas, ora apoio. Nada de categorizações fáceis, assim como com ela própria.

 

8. Inga Sempé: de olho na vida atual

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Filha de artistas gráficos (seu pai é o famoso cartunista Jean- -Jacques Sempé), a parisiense Inga Sempé soube aproveitar muito bem a veia criativa e a bagagem cultural que a acompanham desde o berço. Com o sofá Ruché (acima), da Ligne Roset (2010), ela responde a diversas demandas contemporâneas: esguio, o móvel se adapta a pequenos espaços; prático, emprega um tecido lavável e, em alguns modelos, incorpora uma área de apoio; inovador, inspirou uma série de produtos mundo afora em que o estofamento é independente e a estrutura fica à vista. Inga não é demais?

 

9. Eileen Gray: pensamento modernista

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De família irlandesa aristrocrática, Eileen Gray cresceu em Londres e, já adulta, em 1902, se mandou para Paris com um grupo de amigos artistas. Os movimentos culturais de vanguarda ferviam na capital francesa e, óbvio, a influenciaram. Suas primeiras criações atraíram uma clientela très cult: Ezra Pound, James Joyce, René Clair, Elsa Schiaparelli e os Rothschilds. Foi nessa época que, incentivada por Le Corbusier, projetou a vila modernista E1027, na Côte d’Azur, decorada com um mobiliário leve e portátil, a exemplo da mesa de aço tubular, desenhada em 1927 e hit até hoje. À venda na Artesian.

 

10. Ray Eames: atitude e humor

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Embora o marido, Charles Eames, seja mais lembrado, a californiana Ray Eames é a coautora de alguns dos maiores sucessos do design mundial – alguém não conhece a Lounge Chair, criada pela dupla em 1956? No estúdio, os dois dividiam a concepção, mas era Ray, com bilhetinhos desenhados e insuspeitada mão de ferro, quem conduzia o desenvolvimento das peças. Sempre de saia balão e cabelo preso num layout todo seu, ela era pura explosão criativa. Como no dia em que serviu de sobremesa para os amigos um lindo arranjo de fores. “Para adoçar o olhar”, divertiu-se.

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